Junho 01, 2012

Jogo Limpo _ António Pedro Vanconcelos


Vale tudo!

No espaço de poucos dias, Pinto da Costa referiu-se ao Benfica, sem o nomear (o simples facto de o nomear parece que lhe queima a língua) como sendo “o clube do tempo do fascismo”, e chamou “burros” aos benfiquistas, sem nunca os nomear (a sigla do clube só é usada quando os adeptos e jogadores precisam de se animar com uns cânticos onde chamam nomes às mães dos adeptos do clube dos mouros), a propósito da nomeação de Pedro Proença para apitar a final da Champions. O país não se indignou. A imprensa desportiva assobiou para o lado. O estatuto de impunidade dá o direito a PC de insultar quem quer, de caluniar quem lhe apetece e de incitar ao ódio e à violência sem que ninguém o incomode.

Uns dias depois, no Dragão Caixa, o Benfica sagrou-se campeão de basquetebol, vencendo com dificuldade mas com mérito um adversário de grande qualidade, o que deu mais brilho à vitória. No final de um jogo em que o árbitro não interferiu no resultado, os treinadores cumprimentaram-se, como mandam as regras do fair play.

Mas, quando o jogo acabou, a culminar um clima de insultos e intimidação, os ânimos dos adeptos do FCP exaltaram-se. Agrediram os jogadores, levando a que a polícia não conseguisse garantir a ordem e a segurança e que a Taça fosse entregue ao vencedor nos balneários. Ao que se diz, Carlos Lisboa, treinador do Benfica, não terá resistido a responder às provocações e aos insultos com um gesto menos elegante. Tanto bastou para que o chefe do FCP entrasse no ringue e virasse o ónus da violência para o clube vencedor (como fizera com os famosos túneis da Luz), e vituperasse o comportamento da polícia que tentou, em vão, meter os adeptos do FCP na ordem.

No dia seguinte, Luís Filipe Vieira decidiu finalmente responder ao chefe do FCP num discurso duro, pondo em relevo factos que são conhecidos da opinião pública. O que fizeram a maioria dos comentadores (incluindo alguns que se dizem benfiquistas!)? Meteram tudo no mesmo saco: os insultos de PC e o discurso de LFV, o gesto de CL e a violência dos adeptos do FCP. O medo impera. E o servilismo também.

In Record

Maio 31, 2012

O Voo da Águia_ Marta Rebelo




Rasteirinho

Toda a gente sabe que Carlos Lisboa, o melhor jogador de basquetebol português, é um “holligan”. É este o retrato que certa gente de um clube da cidade do Porto quer fazer passar de Carlos Lisboa. Por uma única razão: mau perder. E foi só por isso que voaram objetos, cadeiras e o diabo-a-quatro no pavilhão do tal clube: mau perder.

Tivessem pedido à sorte que o último dos cinco jogos da final não lhes calhasse em casa. Ou tivessem jogado alguma coisa de jeito para puderem ser eles os campeões. Como não são, manifestam-se como sabem. Uns esperneiam, outros atiram o que podem aos campeões, outros ainda escrevem comunicados que o leitor médio do tal FCP não percebe. E jogam baixo. Se calhar foi por isso que perderam o campeonato de basquetebol: é que nesta modalidade joga-se nas alturas, e aquela gente só sabe jogar rasteiro.

Eu que por acaso tenho o Porto Canal e assisti à final. E já vi repetidas vezes as imagens da celebração benfiquista no meio do pavilhão, felizes da vida jogadores e equipa técnica, depois de uma conquista à melhor de cinco no derradeiro encontro, disputado até ao fim, e por escassa diferença pontual. Não encontro naquela comemoração senão a felicidade de todos quantos tinham acabado de vencer. Com mérito. Não vi Carlos Lisboa a fazer senão abraçar, pular, ser levado em ombros. Até que um careca capitão do FCP – cujo nome ninguém sabe e dia algum vai saber, tamanha é a sua irrelevância – aparece a pedir explicações, mão na anca como se fosse a dona de casa, dizendo que o SLB não podia comemorar assim. É muito mau perder, muita falta de vergonha, é gente habituada a ganhar haja que expediente houver e quando a vida lhes corre mal perde a cabeça e não sabe comportar-se. Como a equipa do Benfica teve de ser escoltada às cabinas e ali receber o troféu, o mínimo que os vencidos deviam ter feito era não receber as medalhitas de meros participantes no meio do campo. Mas não sabem comportar-se. Com o presidente do Clube a assistir e a choramingar-se que a polícia foi má para os pobrezitos dos meliantes, mostram o que são. São coisa pouca. E nem comunicados percetíveis sabem escrever.

In Record

Por força da lei _ Ricardo Costa


Ser Briosa

A histórica vitória na final do Jamor da Académica de Coimbra (ou, na visão dos puristas, da equipa do “organismo autónomo de futebol” que também ostenta o símbolo da Associação Académica – AAC) gerou diversas análises e fez sair debaixo das pedras “academistas” de todo o lado e feitio. Inevitavelmente, redescobriu-se o assunto do futuro de uma “equipa-instituição” e titular de um carisma imbatível.

Vivi o âmago da descaracterização da Académica, num tempo em que se revigoravam as “tradições” da academia e a centralidade do “doutor estudante” na cidade; um tempo que permitiu à AAC retomar peso e significado político-social no ocaso do “cavaquismo” governativo. Isso não chegou ao Calhabé, ainda que, como experienciei, a capa e batina voltassem a servir como “cartão de sócio”. Mas também isso não chegava para rebatizar a mística junto da esmagadora maioria. Nós, universitários, vivíamos ainda sob o trauma da transição do “Académico” para algo ainda indefinido que pretendia aproximar novamente o futebol da “casa-mãe”. Vivíamos um futebol de 2.ª divisão, com atletas veteranos desenraizados, um sonho adiado de regresso aos “maiores”, a falta de comunicação com a Universidade e o desaproveitamento da “força invisível” que milhares de jovens instruídos a viver num microcosmos poderia ter e não tinha. Foi já do “lado de quem ensina” que vi o futebol da Académica subir e readquirir a oportunidade de se refundar.

O êxito de domingo trouxe a memória do passado. Nuno Rogeiro lembrou-se que “havia um Portugal em que as equipas de futebol tinham jogadores portugueses, e onde a Académica era uma equipa de estudantes pós-liceais ou universitários”. Essa equipa, a da “secção de futebol” da AAC, existe e anda nos distritais de Coimbra; mas esse Portugal, só “com televisão a preto e branco”, já não existe! O que coexiste é, agora, uma nova oportunidade. A oportunidade que, antes do jogo, vimos nos olhos do aluno de Medicina, capitão da equipa de juniores, e que, ao contrário de tantos outros, terá em devida conta o simbolismo do “canelão”. A oportunidade que implica uma nova identidade, em comunhão com a imagem universal da Universidade e o canal de mobilização que não pode deixar de ser a AAC. A oportunidade que envolve um futuro adaptado às exigências do profissionalismo: um centro de alto rendimento do “estudante-atleta”, entre a Academia do Bolão e o Campo de Santa Cruz; um novo estatuto, estimulado pela Reitoria, para o ingresso, frequência e avaliação dos atletas (nacionais e estrangeiros) que estudem e se fixem na Universidade; a proliferação da “marca Académica” nos mercados de língua portuguesa. Vejam como se faz nas universidades dos EUA e comprovem a bondade de uma outra visão.

E o dinheiro? Não é fácil, eu sei. Mas talvez seja mais fácil convencer o investimento na diferença e na força de um “mercado” de milhares de estudantes em rotação do que na padronização. Num clube que pode ser a quarta potência desportiva do país. E que assim foi no passado, quando, como o grande Maló eternizou, o fundamental era formar homens e mulheres válidos para a sociedade! 

In Record

Email Aberto _ Domingos Amaral


Saber perder


From: Domingos Amaral
To: Pinto da Costa

Caro Pinto da Costa
O padrão repete-se: o seu FC Porto perde um jogo e acaba tudo à estalada. No túnel da Luz, foi assim, com Hulk na molhada. Agora, no final de um jogo de basquetebol, mais balbúrdia e bastonadas. Depois, nasce a narrativa habitual: a culpa é sempre dos benfiquistas. No túnel foi dos seguranças, no pavilhão de Carlos Lisboa. Segue-se o espetáculo do costume: ciclos de violência verbal e comunicados cheios de fel de parte a parte.

Devo dizer que estes exercícios folclóricos e musculados de machos não me excitam. O que me interessa mesmo é perceber porque é que isto se passa sempre que o seu FC Porto perde. A maior parte das pessoas tem tendência a dizer que o clube “não sabe perder”. É verdade. No entanto, ao contrário de muitos, não considero tal característica um defeito, mas sim uma qualidade. A derrota é a “zona de desconforto” do seu FC Porto, um estado onde o clube se sente profundamente mal e, quando acontece, alguém tem de pagar por isso. Ora, este comportamento só existe porque a vontade de ganhar é tão elevada e tão intenso o compromisso com a vitória, que qualquer derrota é sempre traumática, ao ponto de só se conseguir ultrapassar através de explosões de agressividade e violência.

“Não saber perder” pode chocar muito as mães e ser mal visto pelos bem pensantes, mas é a manifestação de uma atitude competitiva poderosíssima e de uma cultura de vitória entranhada. Saber perder, no FC Porto, é já começar a perder. Julgo que o senhor é o principal criador desse espírito, e acredite que o admiro por isso. Só no dia em que Benfica e Sporting chegarem perto desse desejo louco pela vitória, é que serão capazes de derrotar o seu FC Porto mais vezes.

In Record

Maio 27, 2012

Futebol á Portuguesa _ José António Saraiva


Contra-ataque

Quando há algumas semanas escrevi um texto sobre as vantagens do contra-ataque, não sonhava até que ponto esta época futebolística me daria razão.

Logo à partida, foi o contra-ataque que levou o Chelsea à vitória na Champions: os blues jogaram à defesa nos dois jogos contra o Benfica, jogaram à defesa nos dois jogos contra o Barcelona, jogaram à defesa na final contra o Bayern – e foram ganhando sempre mercê de golpes infligidos em contra-ataque.

E o Manchester City? O Manchester City venceu o campeonato inglês com um modelo de jogo assente no contra-ataque. Aliás, não é por acaso que os treinadores do Chelsea e do City – Di Matteo e Mancini – são italianos, ou seja, formados na escola do futebol de contragolpe.

E o próprio Mourinho partilha destes princípios, embora no Real Madrid tenha tido que os suavizar. Mas lembremo-nos da sua passagem pelo Inter e pelo Chelsea (onde era acusado pela imprensa inglesa de ganhar sempre por números mínimos).

No extremo oposto estão as equipas ofensivas. Este ano foi terrível para todas. Logo à partida para o Manchester United, que perdeu o campeonato inglês e fez uma péssima carreira europeia. Mas os outros não fizeram muito melhor: o Bayern Munique perdeu o campeonato alemão e a Champions, o Barcelona perdeu o campeonato espanhol e não chegou à final da Champions, o Benfica perdeu o campeonato português e foi eliminado da Champions pelo Chelsea.

Que mais será preciso dizer para ilustrar as vantagens do futebol de contra-ataque – e os riscos que correm hoje as equipas que jogam em ataque continuado? E isto deve fazer pensar homens como Ferguson, Guardiola… e Jesus.

In Record

Tempo Útil _ João Gobern


Erros e excessos

Dá que pensar o verdadeiro muro de lamentações que se ergueu após a vitória do Chelsea na Liga dos Campeões. Foi descrita como “a morte do futebol”, “o triunfo da hipocrisia”, “o elogio da cobardia” e sabe-se lá o que mais. Só me espanta que entre os arautos da desgraça na causa futebolística se contem vários dos veneradores atentos de José Mourinho, nomeadamente na épica, heroica, inteligente e estratégica eliminação do Barcelona, na mesma Liga, quando o técnico português estava ao serviço do Inter Milão. Até o facto de os pontas-de-lança (os africanos Samuel Eto’o e Didier Drogba) terem acabado a defender, ante os mesmos catalães, os respetivos flancos esquerdos aproxima os dois feitos. Como os congrega o facto de Inter, antes, e Chelsea, agora, serem olhados como marginais ao grande futebol. Imperasse esta lógica e estaríamos alheados de elementos essenciais a este desporto – a surpresa, a superação, o sublime que pode haver no coletivo.

Por maioria de razão, a viagem da Taça de Portugal até Coimbra também não deve ter agradado, uma vez que a Académica levou para o Jamor a modéstia do seu arsenal. O problema é que o Sporting pareceu esquecer-se das armas em casa e entrou a jogar como só a soberba permite: o tempo encarregar-se-ia de repor a verdade e de explicar como as vantagens alheias eram apenas nuvens passageiras. Afinal, os minutos não foram aliados e nem a quebra física dos rapazes de Pedro Emanuel teve como equivalência a eficácia da parte dos leões. Não chegou nem para empatar, embora dispusessem de 86 minutos mais descontos para recuperar. Nada. A festa fez-se onde não se fazia há mais de 70 anos. Para o Sporting, o pior não foi ver escapar-se-lhe o título que, na ideia de muitos, até já tinha lugar reservado no Museu do clube – o pior foi a atitude de censura (com enormes responsabilidades para Sá Pinto, menos “envernizado” do que noutras horas) para as manifestações de profissionalismo de Adrien Silva, o melhor jogador em campo. Ao ponto de haver já quem defenda que o luso-francês não deve voltar a Alvalade… Depois queixam-se. E o FC Porto ou o Benfica agradecem…

Já Pinto da Costa continua a sua apoteótica digressão regional (alguém sabe quantos quilómetros vão da Afurada a Espinho?), sempre a subir de tom. Proença está perto da medalha e Platini da beatificação. No Benfica, parece só haver duas hipóteses: ser burro ou ser estúpido. Mas sempre conspirador. Só é pena que continue, passo a passo, a demonstrar que, mesmo 30 anos mais tarde, ainda não aprendeu a ganhar. E, já agora, é pena que não fale, por exemplo do rombo orçamental do clube com a saída da Champions… Mas se calhar ainda é cedo para prestar contas – talvez um dia…

In Record

Maio 26, 2012

Jornal " O Benfica " Edição Nº 3551


Destaques

Principais títulos


- CFC - Luis Filipe Vieira na cerimónia de encerramento da época:"Somos o clube em Portugal que tem mais internacionais" (pág. 15)

 Títulos  


2 Síntese + Visita de arquitecto do Estádio de Brasília: "Intercâmbio de conhecimentos"
3a11 Balanço das arbitragens: "A verdade da mentira" + Opinião Arons de Carvalho
13 Opinião Pragal Colaço: "As contas do 3º trimestre"
15a17  CFC - Luis Filipe Vieira na cerimónia de encerramento da época:"Somos o clube em Portugal que tem mais internacionais"
18 CFC- Desempenho escolar premiado: "Um quinteto exemplar"
19 Geração Benfica: "Gerações pintaram a Catedral"
20 Juvenis: "Bês querem festejar" + Juniores: "Disputam torneio na Alemanha"
21 Iniciados: "Consagração em casa" + Infantis e Benjamins: "Mais uma conquista"
22/23 Basquetebol: "A negra foi encarnada" + "Alma de campeão" + Opinião João Diogo
25 Hóquei em Patins: "Faça-se história" + Opinião Afonso de Melo
26 Andebol: "Quinteto na Selecção"
27 Atletismo: "Na alta roda europeia" + Canoagem: "Conquistam bronze" + Opinião Pedro Ferreira
28 Ginástica: "Karaté de prata ao peito" + Ténis de Mesa + Bilhar
29 Futsal: "Domar os leões" + Opinião João Malheiro
30 Tome nota e Programação Benfica TV
31 Opinião Luís Fialho: "Arte ou combate"
32 Globos de Ouro da SIC: "É o reconhecimento do trabalho" + Opinião João Paulo Guerra + Breves

  

Jogo Limpo _ António Pedro Vanconcelos


O inimigo e o rival


1 Pinto da Costa anda tão aliviado com a vitória num campeonato em que o seu clube foi despudoradamente ajudado dentro e fora das quatro linhas (o árbitro principal está dentro do campo, mas os auxiliares estão fora), e tão abatido com a falta de entusiasmo que a equipa e o treinador suscitam nos adeptos, que se sente obrigado a inventar todas as semanas uma nova facécia, um insulto soez dirigido ao clube da capital que, de há três anos para cá, já não o deixa dormir descansado.

Com a aura de impunidade de que se rodeou, PC voltou à carga, desta vez para fazer um trocadilho com o famoso adágio popular que diz que “vozes de burro não chegam ao céu”, assegurando que “vozes de burro não chegam à UEFA”. O chefe do FCP referia-se ao facto de Pedro Proença, árbitro que ele venera e protege (se há uma qualidade que não se pode negar-lhe é ser reconhecido com os amigos), ter sido nomeado para arbitrar a final da Champions, o que provaria o infundado das acusações de parcialidade sempre que este árbitro internacional apita jogos do Benfica.

Este dichote merece reflexão. Que “vozes de burro não chegam ao céu” sabemos há muito, desde que PC prometeu o campeonato de 2009/10 ao seu amigo Pedroto e Deus não lhe deu ouvidos. Também sabemos as vozes que o país inteiro ouviu nas escutas do Apito Dourado não chegaram onde deviam. Mas a afirmação de PC deve-lhe ser devolvida: o que leva um árbitro internacional a fazer arbitragens tão descaradamente tendenciosas sempre que apita jogos do Benfica?

2 O que mais pode acontecer ao Sporting? Depois do caso Pereira Cristóvão, que ainda ensombra a direção, depois da desastrosa contratação de Domingos (o roupeiro Paulinho vem agora declarar que nunca mais lhe apertaria a mão), Sá Pinto acabou por revelar as suas limitações como treinador: na tática, na motivação, na histeria com que viveu o jogo, na forma como descartou responsabilidades no final. A perda da Taça foi um golpe fatal num clube histórico que vive tempos difíceis. A venda do lateral-direito da Seleção Nacional a preço de saldo não será um triste sinal do descalabro?

In Record

Maio 23, 2012

Benfica campeão no Dragão (Basquetebol)




Benfica conquista título no Dragão
O Benfica sagrou-se campeão nacional de basquetebol, ao vencer o FC Porto por 56-53, no quinto jogo da final disputado esta quarta-feira no Dragão Caixa.

Primeiro período muito equilibrado, a terminar com ligeira vantagem (19-17) para os encarnados, que aproveitaram o desacerto dos portistas no segundo parcial para chegar ao intervalo com confortável superioridade de onze pontos (32-21).

O FC Porto iniciou a recuperação no final do terceiro período (39-45) e conseguiu encurtar a desvantagem para um ponto, a quatro minutos do fim, após triplo de Carlos Andrade. Na resposta, Doliboa também marcou da linha de três pontos e resfriou a reação dos azuis e brancos. O Benfica foi gerindo a vantagem até ao apito final.

Com esta vitória, o Benfica recupera o título perdido no ano passado para o FC Porto e conquista o 23.º título de campeão nacional, sendo a equipa portuguesa com mais campeonatos. Os portistas somam 11.

 In Abola

Por força da lei _ Ricardo Costa


Corolários lógicos

1. Esta semana lembrei-me que o “Estado-governo-legislador” queria introduzir um regime de arbitragem profissional nas modalidades desportivas. Nomeou uma comissão e recebeu um estudo. Parece que o meteu na célebre gaveta da inação. Desolado e impotente, Vítor Pereira, presidente do Conselho de Arbitragem e o grande dinamizador de um modelo de “árbitro” desenhado em moldes de exclusividade, avança na FPF com o que pode dentro da estrutura que domina e com o apoio, pelo menos, dos árbitros internacionais. Teremos uma experiência-piloto de semiprofissionalismo para os árbitros de 1.ª categoria, com algumas das regras e princípios que o “Estado-governo-ausente” meteu no grande armário das omissões. Lembrei-me que quem porfia talvez alcance. Num outro tempo que não este, claro.

2. Esta semana lembrei-me que o principal campeonato profissional de futebol acaba sem que processos disciplinares – a existirem – contra treinadores por declarações censuráveis sobre árbitros se resolvam antes de terminar a última jornada. Em 29 de janeiro de 2012, um treinador de um clube grande disse: “Se quiserem encomendar as faixas de campeão, se quiserem levar a outra equipa ao colo que a levem, podem fazê-lo. O resumo é este: a nossa equipa má, o adversário digno e a equipa de arbitragem vergonhosa”. A 2 de março, o treinador de um outro clube grande afirmou, na sequela de um lance determinante para um jogo: “Se o árbitro assistente não assinalou, não foi porque não viu, foi porque não quis”; “Saímos derrotados também porque o auxiliar permitiu que isso acontecesse”. Hoje é 20 de maio e nada aconteceu em termos disciplinares – se é que vai acontecer –, para processos que – repito, a existirem no gabinete do imprevisível Conselho de Disciplina da FPF – se decidem em menos de um mês. Já passaram, respetivamente, quase 4 meses e 2 meses e meio; a haver castigos, talvez se cumpram na instância de férias dos infratores. Esta semana lembrei-me que, há não muito tempo, havia uns pasquins que estampavam cronogramas com a duração de cada uma das fases de um processo disciplinar e exigiam celeridade a quem já demonstrara abundantemente que a celeridade não era uma miragem… Noutro tempo, claro.

3. Esta semana lembrei-me que, em julho de 2008, a Académica de Coimbra e a Braga SAD receberam, de comum acordo, um “mandato” da assembleia geral da Liga de Futebol Profissional para liderarem em conjunto uma comissão de clubes destinada à revisão do Regulamento Disciplinar. Ficaram de entregar esse trabalho até dezembro de 2008. Até hoje nada foi entregue. Em janeiro de 2012, um jogador da AAC em fim de contrato desentendeu-se com o clube acerca da sua transferência para Inglaterra e abandonou um hotel no Porto. O caso foi para a PJ e o jogador foi afastado até ao fim da época. Por estes dias, o presidente da AAC (que hoje regressa garbosamente ao palco do Jamor) informou que a Braga SAD lhe enviou um fax a comunicar a contratação desse jogador, sendo esse desfecho o “corolário lógico”. Percebemos que ambos os clubes, ainda que por fax, começaram, tanto tempo depois, a “trabalhar” em conjunto! 

In Record

Maio 22, 2012

Email Aberto _ Domingos Amaral



Políticas

From: Domingos Amaral
To: Luís Filipe Vieira

Caro Luís Filipe Vieira
Na semana passada, escrevi aqui que o Benfica tinha de atacar o “sistema” de forma agressiva e permanente, pois só assim diminuiria o poder do FC Porto no futebol nacional. Ora, uma das formas de o fazer é aproveitar as consequências dos atos políticos do FC Porto. Quer exemplos? O FC Porto atacou publicamente, e de uma forma quase insultuosa, o atual presidente da Liga de Clubes, por discordar das suas propostas. Uns dias depois, o mesmo FC Porto interpôs um recurso jurídico que na prática impede o “alargamento” da Liga a 18 clubes, medida que tinha sido aprovada pela maioria dos clubes nacionais. E ontem, mais dois exemplos. O FC Porto apresentou uma queixa contra o Marítimo, pedindo a despromoção do clube; e no mesmo dia o presidente Pinto da Costa faltou à cerimónia de condecoração de Jorge Mendes, que é apenas o melhor empresário de futebol do Mundo. Já viu as inimizades, os ressentimentos, as faltas de cortesia que o FC Porto colecionou nestas últimas semanas? Já viu que nada no futebol português se altera contra a vontade imperial do FC Porto? Contudo, isto gera oportunidades políticas ao Benfica. Mais do que discutir as questões de fundo (o alargamento, blá, blá, blá), o que é importante é perceber que há novos aliados a conquistar. O Império Azul abriu o flanco e a sua exibição de poder musculado pô-lo de mal com o presidente da Liga; com a maioria dos clubes, cujo desejo sabotou: com o Marítimo; e até com Jorge Mendes e o Governo que o condecorou, que foram desprezados publicamente. É muita malta incomodada. E, nesta guerra perpétua, os inimigos dos nossos inimigos, nossos amigos são.


PS: Já conversou com o canal ESPN por causa das transmissões televisivas dos jogos? Pode ser uma alternativa...

In Record

Maio 20, 2012

Jogo Limpo _ António Pedro Vanconcelos


Cinco em um

1 Desde o Apito Dourado que não me lembro de um campeonato tão escandalosamente condicionado pelas arbitragens. Se, no início, o Sporting teve razões de queixa, a partir do último terço o Benfica foi descaradamente “prejudicado”, na razão inversa em que o FC Porto foi beneficiado. Na última jornada até se inventou um penálti a favor do Braga, que iria tirar a Cardozo o troféu do melhor marcador, não fora o paraguaio, em cima do minuto 90, ter tido o justo prémio para a sua persistência.

2 O desfecho do Apito Dourado, apesar de ter havido árbitros castigados, permitiu ao FC Porto desvalorizar a condenação desportiva do Apito Final (perda de 6 pontos, não contestados, e castigo de 2 anos ao seu presidente) e levou a que se tivesse mantido o clima de suspeição generalizada sobre os árbitros, em que por vezes paga o justo pelo pecador. Há excelentes árbitros em Portugal, mas o facto de terem reações corporativas sempre que a honorabilidade de um deles é posta em causa (veja-se o que se passou com os ataques do Sporting a João Ferreira) impediu-os, nessa altura, de separar o trigo do joio e de contribuir para o saneamento da arbitragem em Portugal.

3 O chefe do FC Porto, ébrio de entusiasmo por um título que lhe caiu do céu, chamou ao Benfica “o clube do fascismo”. Ele sabe que é uma calúnia. Grave. Mas, tal como Jardim, na sua ilha, acha que pode dizer o que quer porque pensa, como Goebbels, que “uma mentira muitas vezes repetida torna-se verdade”. Eu prefiro pensar, como Lincoln, que se “pode enganar toda a gente durante algum tempo e alguma gente durante todo o tempo, mas não se pode enganar toda a gente durante todo o tempo”. Não há por aí um portista honesto que lhe diga: “Por que não te calas?!”

4 Roberto foi eleito o melhor guarda-redes da liga espanhola em 2011/12.

5 O “Sol” revela que Jesus é o melhor treinador português que passou pelo Benfica, e o 4º, entre portugueses e estrangeiros, com melhores resultados dos últimos 40 anos, à frente de Eriksson e ligeiramente atrás de Baroti e de Mortimore.


In Record

Maio 19, 2012

Tempo Útil _ João Gobern



De todos nós

Acabou-se o suspense que, de resto, já não era grande, sabendo-se que Paulo Bento – embora com métodos e motivações distintas – alinharia pelo conservadorismo de Scolari nas suas chamadas a uma fase final, demarcando-se das aventuras, em boa parte inconsequentes, de Carlos Queiroz. Por outras palavras, a convocatória de jogadores para disputar a fase final do Euro’2012 concretizou-se sem surpresas, pelo menos do lado dos que viajam para o Leste da Europa em defesa das nossas cores.

Os casos mais assinaláveis são três: o de Custódio, que todos deram como acabado para as grandes conquistas depois do seu exílio russo, é um caso de renascimento, mantendo ao longo de toda a época um rendimento uniforme que permite dizer com segurança que não há disponível, neste momento, um melhor médio-defensivo português; o de Nélson Oliveira, a quem o selecionador aponta “características diferentes” entre os avançados, conseguindo – com essa chamada – marcar pontos no sector benfiquista e, ao mesmo tempo, abrir portas à chegada dos mais novos, indispensável para uma transição que há-de pedir-se pacífica. Isto sem menosprezo do valor intrínseco do atleta. Por fim, Varela, que nem sempre se impôs na sua equipa, mas que é portador de uma classe (algo inconstante, é certo) que pode, em caso de necessidade, render as dos naturais titulares (Cristiano Ronaldo e Nani) e desse génio imprevisível que é Ricardo Quaresma.

Tudo é pacífico? Nem tanto. Se entendo este como o último momento em que cada um pode soltar o selecionador que tem dentro de si, seguindo-se a fase de cerrar fileiras, de apoiar vigorosamente a Seleção e de fazer contas no fim (primeira divergência: esse acerto deveria ser feito após o Europeu, não dois anos mais tarde, uma vez que, se há no futebol um contrato por objetivos, é mesmo o de selecionador), cá vai: Miguel Lopes pouco provou e, acredito, tanto Nélson como Sílvio levariam vantagem; Ricardo Costa continua a somar chamadas em nome de uma “polivalência” que, por norma, dá maus resultados; trocar Ruben Micael por Manuel Fernandes ou por Paulo Machado seria um ato de bom senso; na frente, terei de ser convencido que os veteranos proscritos, Nuno Gomes e João Tomás, perdem para Hélder Postiga.

De um outro ponto de vista, o da teimosia e da (falta de) grandeza, hei-de lembrar-me de Ricardo Carvalho e de Bosingwa. E de Hugo Viana, a quem não chegou ser o melhor centro-campista português do campeonato nacional para ter direito à guia de marcha. Dito isto, Paulo Bento é soberano. E os 23 escolhidos passam a ser os nossos, de todos nós. No grupo em que estão, há quem peça o milagre. Por mim, só peço que não repitam a cobardia cinzenta da África do Sul.

In Record

Futebol á Portuguesa _ José António Saraiva


Melhor marcador

O troféu de melhor marcador tem algum prestígio: nele figuram alguns dos grandes goleadores portugueses e os melhores estrangeiros que por cá passaram. Assim, o desempate entre Cardozo e Lima era um dos atrativos da última jornada.

O Benfica jogava em Setúbal – e aos 90 minutos Cardozo estava a zero, apesar de ter rematado 11 vezes e atirado uma bola à barra. Mas nesse momento veio o prémio: Saviola passou, Cardozo recebeu, tirou o guarda-redes da frente, insistiu, tirou um defesa da frente, chutou com o pé direito e marcou.

Metade deste golo foi de Jesus. Vendo a floresta de pernas em que se tornara a área do Vitória, Jesus recuou a equipa para dar espaço na frente ao paraguaio. E na parte final meteu Saviola, que joga com Cardozo de olhos fechados. E foi assim que o golo surgiu: espaço na área, bola em Saviola – e o resto é sabido.

Em Alvalade, até aos 87 minutos Lima também não marcara. Só que nesse minuto fatídico ele acorreu a um centro, lançou-se para o chão, ganhou um penálti – e marcou-o. O duelo pelo cetro de melhor marcador reacendia-se. E acabou decidido pelo regulamento, com Cardozo a ganhar por ter menos tempo de jogo.

Chegado aqui, pergunto: o que teria sucedido se Cardozo não tivesse marcado em Setúbal? Lima seria o melhor marcador com um penálti inventado. E o que não diriam os benfiquistas se, depois de terem perdido com o FC Porto com um golo em fora-de-jogo, Cardozo perdesse o título de melhor marcador com um penálti falso?

Os jogos hoje decidem-se por detalhes. Ora, nesses detalhes, as decisões dos árbitros podem ter um papel decisivo.

In Record

O Voo da Águia_ Marta Rebelo


Férias

Míster, as vossas férias começaram ontem, mas o descanso dos guerreiros faz-se sobre os destroços da esperança benfiquista. Pouco me importou que o Cardozo tenha sido, “in extremis”, o melhor marcador da época. Foram apenas 20 golos, e foi preciso ir contar os minutos, e foi preciso o último minuto para lhe atribuir o título. Também não me consola que o Chelsea esteja na final da Champions e, portanto, tenhamos sucumbido perante o potencial vencedor do troféu (que, assim os deuses da bola permitam, calhará ao Bayern de Munique). Identifico-me com os bascos que em Bucareste choraram como miúdos o sonho quebrado em pedacinhos. Esta época, míster, pôs-nos a sonhar alto. E lá de cima, de onde voa a “Vitória”, a queda é feita aos trambolhões.

Já pedi a sua cabeça muitas vezes, mas não voltei a pedi-la esta temporada. Sei que fica, imagino que fica, não vejo a direção decidir de outro modo. Sabe que tudo o que eu quero é ver o Benfica campeão. E sabe que os 6 milhões e mais uns quantos adeptos espalhados pelo Mundo querem, com sangue e lágrimas e muito pontapé na bola, títulos. Dos grandes, dos grandiosos, daqueles que sabem a Benfica. A próxima temporada vai ter o lugar no banco a escaldar. Vai sentir a pressão como nunca nestes três anos. A crueldade do verdadeiro adepto de futebol: ama e odeia e muda de opinião em 90 segundos. Não tenho conselhos para lhe dar. Tenho dúvidas, interrogações: por que é que estica tanto o músculo daquela rapaziada, que chegam ao último terço do campeonato e não podem com uma gata pelo rabo? Por que é que teima no Emerson e nas substituições aos 60’? Por que é que os árbitros nos tiraram tudo como se nós, bonzinhos, não tivéssemos culpas a acertar?

Não acredito em bruxas, embora as haja – já dizia o outro. Acredito em vitórias e pontos. Mas preciso de férias de vocês. Porque até agosto tenho de conseguir voltar a acreditar que vou subir ao Marquês daqui a um ano. E, míster, neste momento não sei como é que se acredita. Boas férias míster. Precisamos todos.

In Record