Março 17, 2012

Futebol á Portuguesa _ José António Saraiva


Contra-ataque

Antes desta jornada eu tinha planeado escrever uma crónica chamada “O triunfo do contra-ataque”. Ora, o fim-de-semana confirmou tudo o que ia dizer.

As táticas de contra-ataque (a que Jesus chama contragolpe) são hoje as mais eficazes. As equipas que jogam em ataque continuado veem-se e desejam-se para furar as barreiras defensivas dos opositores, que povoam o último terço do campo e não dão qualquer espaço para jogar. Em contrapartida, os que jogam sobre a defesa ficam com muito espaço nas costas dos adversários, e se tiverem extremos rápidos criam facilmente oportunidades de golo.

Foi isto que se passou nos jogos do FC Porto e do Benfica: o golo da Académica foi marcado em contra-ataque, o do Paços de Ferreira também. Mas note-se que o golo do Benfica também resultou de um contra-ataque: fuga de Nélson Oliveira pela direita, centro rasteiro e Gaitán a surgir no meio a empurrar para golo. Em ataque continuado o Benfica não tinha criado uma ocasião tão boa.

E não só os pequenos jogam assim. O Manchester City marcou 3 (dos 4) golos ao Porto em contra-ataque. O Sp. Braga também tem aí a grande arma: bom povoamento defensivo, lançamento para a frente, correria de Lima e golo. Tudo simples. E o próprio Mourinho jogou em contra-ataque no FC Porto, no Chelsea e no Inter. Há ainda o caso do Barcelona que, jogando sempre em ataque continuado, leva 10 pontos de atraso na Liga espanhola – apesar de ter Messi...

O campeonato português vai decidir-se ombro-a-ombro. Os mais pragmáticos serão campeões. Jogar de peito aberto nesta altura é um enorme risco. FC Porto e Benfica que aprendam a lição.


In Record

Março 16, 2012

Tempo Útil _ João Gobern


Vale tudo

In video veritas. Que é como quem diz: a televisão não mente, pelo menos nestes casos. À saída do Conselho de Presidentes, o senhor presidente da Liga Portuguesa de Futebol Profissional engasgou-se uma ou duas vezes perante a mais linear das questões. Perguntavam-lhe se o alargamento do número de clubes na Liga ia ser consumado por conta da ausência de descidas. Mário Figueiredo rodeou, hesitou, procurou reanimar as suas boas intenções – a tal liguilha – e deixou perceber que, qual doutor Frankenstein, há muito tinha deixado de controlar o monstro que criou exclusivamente para conseguir ser eleito.

Escrevia-se um capítulo de vergonha e de perigo para o futebol português. O populista condutor, já responsável pelo pecado da gula, ao querer sentar 18 numa mesa que já não chega para alimentar 16, ainda fora ultrapassado pelos conspiradores que rapidamente concluíram o seguinte: para quê prolongar a época com uma liguilha, em que algum acidente de percurso ainda poderia deitar a permanência a perder, se a coisa poderia ficar resolvida de imediato com uma “passagem administrativa” que, a partir de agora, subverteria tudo e deixaria os potenciais aflitos à vontade para começarem já o “futebol de férias”?

Num espantoso golpe de rins, demonstrativo de uma flexibilidade que se estende ao raciocínio, disponível para abdicar de princípios e valores, o senhor presidente da Liga veio referir-se a uma teoria da cabala. Fica-me apenas uma dúvida: esta gente sonhará que, à sua volta, todos dormem e ninguém se apercebe do golpe palaciano e arruaceiro que pretende concretizar? A teoria de que já há quem não “lute por nada” na Liga é hilariante e só demonstra que Mário Figueiredo nem sequer acompanha de perto os acontecimentos. O Olhanense, sétimo classificado, está dez pontos acima da “linha de água” num momento em que falta disputar 24 pontos. Acontece que, até final, vai ter de encontrar-se com cinco dos seis primeiros da classificação. E isso significa a possibilidade – académica e real – de ainda poder passar por algum susto. Mais: os três candidatos ao título (FC Porto, Benfica e Braga) jogam cinco dos oito desafios que lhes restam com equipas localizadas nesta zona classificativa (7.º/16.º). O que legitima a ideia de que o título pode depender mais do empenhamento com os “pequenos” do que dos duelos com os “grandes”. Cabala? Não, uma cavalidade, isso sim.

Resta a esperança do bom senso federativo. Para poder explicar a estes cavalheiros que não basta eleger um testa-de-ferro para chegar ao ouro do bandido. Nos últimos dias, ouvi Manuel Cajuda falar em dignidade. Aí está uma palavra – e um conceito – que outros não são atrevem a pronunciar: enrola-se-lhes na boca…

In Record

Crónica de João Malheiro


Coluna com (enorme) coluna

Foram dias intensos e futebolisticamente gulosos. Que melhor companhia, quase diária, do que Mário Coluna? Vindo de Moçambique, a convite do Benfica, esteve uns tempos entre nós. Esteve muito tempo comigo. Esteve, digo-o imodestamente, em homenagem a uma antiga amizade. Da minha parte, mais do que desvelo, sinto veneração por Coluna. Sinto e cultivo-a.

Há já quase cinco décadas, foi apelidado de Monstro Sagrado. Artur Agostinho, outro velho amigo, mestre também, foi o autor do epíteto. Que vingou até à actualidade e jamais será esquecido. Coluna foi muito Benfica, foi muito Selecção, foi todo futebol. No curto espaço de sete temporadas, disputou cinco (!) finais da Taça dos Clubes Campeões Europeus e capitaneou o combinado nacional na maior epopeia do seu palmarés, o Mundial de 66. Até a braçadeira da selecção da FIFA chegou a envergar, expressão da sua grandeza universal.

Mário Coluna foi um capitão extraordinário, um capitão singular. Tal como hoje, jamais levantou a voz, mas sempre teve uma liderança intocável e admirada por todos. Até muitos árbitros o tratavam por “senhor Coluna”, tal era o respeito que infundia. Árbitros, dirigentes, jogadores adversários, até colegas de equipa. Ainda hoje, gente da bola com a estirpe de um Toni, de um Carlos Manuel, de um Chalana, tantos mais, não renunciam ao trato de “senhor Coluna”.

O “senhor Coluna” fez o grosso da minha despesa emocional nos últimos dias. “Onde vamos hoje, miúdo?”, foi a frase que mais ouvi. E também lhe ouvi histórias, muitas histórias, tantas e bonitas histórias, proferidas naquele seu jeito sábio, mas comoventemente humilde. Coluna sempre foi homem de grande coluna. O que lhe escrevi uma vez? Dava músculo, dava cérebro, dava alma, dava até pele, dava até sangue. Dava ordens ao jogo, dava-lhe ordem também. Dava jeito, tanto jeito. Dava o que dava e não dava mais, porque não havia mais para dar. Sem exagero, Coluna era o farol do futebol português. O Monstro Sagrado? Também o último imperador.

Março 15, 2012

Zona M


Crime

O alargamento da Liga portuguesa é um crime contra o futebol. E também contra o país. Mais uma vez os chamados clubes profissionais avançam para o abismo, ignorando a situação catastrófica da economia, a falta de recursos e a necessidade de regulação e estratégia. Quando todos os portugueses encolhem, procurando sobreviver, o futebol alarga, com perigo de rebentar – se esta decisão for homologada nas instâncias superiores.

Clubes sem público, equipas sem orçamento, competição sem impacto – eis a sequência estrutural da atividade futebolística em Portugal, recomendando, pelo contrário, mais concentração, mais pragmatismo financeiro e melhor adequação mediática. O espetro futebolístico nacional, o tamanho do país e a influência da grave crise económica e social recomendariam uma redução da Liga para 10, no máximo 12 clubes, respeitadores das boas práticas de gestão e de limitações quantitativas e qualitativas ao recurso a jogadores estrangeiros.

Com esta viciação descarada das regras do campeonato em curso, protegendo-se os piores ao desfecho da despromoção, os clubes voltam a glorificar essa incontornável tendência para nivelar por baixo. Fazer com que as piores equipas do ano não desçam de divisão é um atentado contra a moral desportiva, mais um passo atrás na formação das novas gerações de adeptos, cada vez mais convencidos de que só a vitória interessa, a qualquer preço.

A redução para 16, em 2006, decidida no Conselho Nacional de Desporto e aprovada pela Federação Portuguesa de Futebol, apesar de não acompanhada pela prometida regulação da utilização de jogadores estrangeiros nem pelo controlo financeiro, ajudou nas últimas seis temporadas a uma subida relativa dos índices competitivos internos, entre os clubes realmente estruturados, com mais equipas envolvidas na discussão dos primeiros lugares.

O atual ranking nas provas da UEFA, à beira de passar a ter três equipas na Liga dos Campeões, é uma das consequências positivas da redução do campeonato, ao deixar mais tempo aos clubes principais para prepararem as suas participações internacionais. Portugal nunca teve tantas equipas envolvidas nas provas europeias no segundo semestre da época como nos últimos quatro anos.

O alargamento não vai estancar a diáspora do jogador português, que se viu forçado a procurar conforto noutras zonas muitos anos antes de o Governo ordenar a emigração em massa aos nossos jovens. Não vai diminuir a atividade do presidente do Sindicato para minimizar os efeitos dramáticos do abuso sistemático do não pagamento de salários no tempo devido. Não vai aumentar o bolo de receitas publicitárias e de direitos de imagem, nem diminuir a terrível invasão cultural do futebol espanhol e inglês, através de centenas de horas de televisão, nos hábitos do português comum.

O alargamento, de facto, é só mais um sinal do regresso da malta dos xitos aos bons tempos do velho “Sistema”, que se mostra cada vez mais pujante e completamente restabelecido do susto das ameaças da Justiça.

 In Record

O Voo da Águia_ Marta Rebelo



Passos de Nelson

Aos 50’ de jogo dei por mim a imaginar o que escrever se o 1-0 em Paços de Ferreira se prolongasse. Mas daí a nada o meu adorado miúdo, o “menino” de JJ, teve um ataque de raiva e acelerou pela direita afora, como o vimos fazer tantas vezes no Mundial no verão passado, e só parou quando o Gaitán meteu a bola na baliza de Cássio. E o mundo mudou. Nélson é gigante.

Gostava de fazer uma coisa que raramente me ocorre, nestas linhas: lançar uma pergunta para os lados do Porto – já encomendaram as faixas? Ou a coisa está de molde a precisarem de 5’ de descontos e um penálti marcado no último minuto? É que o Bruno César devia ter levado outro amarelo, por aquela pisadela na noite de ontem. E o segundo vermelho do Paços é mal tirado – parece que os fiscais de linha continuam em grande. Mas de resto, e ao contrário do que o treinador dos da capital do móvel dizia, não houve coisas externas estranhas. Não houve um penálti para resolver o jogo pelo Benfica. Houve garra de um miúdo inconformado, um livre fenomenal e uma equipa que esta temporada aprendeu a dar a volta a resultados.

Mas houve algumas coisas “internas” esquisitas. Eu sei que os nossos jogadores estão desgastados da intensidade de jogo que imprimiram à partida contra o Zenit – gloriosos sejam pelos 2-0. Mas, Míster, que coisa foi aquela de colocar o Saviola a titular? Eu gosto muito de El Conejo, mas a velocidade e ritmo de jogo do argentino são neste momento uma tristeza. Gostava de ter visto um Witsel “mascarado” de Aimar como na 3.ª feira. Caramba, gostava era de ter visto o Aimar, porque sem ele desde os 25’ aos 50’ aquele nosso meio-campo parecia perdido numa floresta assombrada. E o Capdevila, poderá finalmente roubar a titularidade ao elo-mais-fraco chamado Emerson?

Eu continuo a acreditar. Por cada penálti que o Hulk marca aos 94’, eu acredito mais um bocadinho. E quando vejo a raça do meu miúdo Nélson dar início à reconquista da vitória, acredito ainda mais.

In Record

Email Aberto _ Domingos Amaral



Um líder

From: Domingos Amaral
To: Jorge Jesus

Caro Jorge Jesus
Uma das principais doenças dos benfiquistas é, na hora da derrota, criticarem mais os erros próprios que os alheios. Na sexta da semana passada e nos dias seguintes, o que se ouvia mais eram críticas a ti, pelas supostas más decisões que tomaste; críticas a Emerson, que era péssimo e sem qualidade para o Benfica; e até críticas a Artur, por ter saído mal! A raiva e a frustração primeiro viraram-se para dentro, para o autoflagelamento.

Em vez de, como deviam, se virarem para fora. Na verdade, o Benfica portou-se bem e só as más decisões de Proença e dos auxiliares nos derrotaram. Não fomos vencidos pelo FCP mas pelos árbitros! A raiva não devia ser dirigida contra os nossos, mas sim contra quem nos prejudicou gravemente.

Graças a ti, ao teu discurso no fim do jogo, e também graças à excelente condução da equipa contra o Zenit, a partir de terça-feira já a maior parte dos benfiquistas não só voltara a acreditar no Benfica, como também já tinha aberto os olhos e percebido que só perdemos o jogo com os azuis porque fomos escandalosamente roubados.

O teu grande mérito esta semana foi teres sabido ser líder. A raiva profunda que sentíamos foi conduzida por ti no bom sentido, primeiro contra os verdadeiros responsáveis pela derrota, Proença e “sus muchachos”, e depois tornando-a numa estratégia inteligente que nos levou à vitória sobre o Zenit.

E de repente, o que acontece? O FC Porto empata em casa e, se amanhã ganharmos, estamos de novo em cima deles. Viram, gente de pouca fé, que afinal não está tudo acabado?


In Record

Março 13, 2012

Futebol á Portuguesa _ José António Saraiva


O sonho de volta

Quando o Benfica estava a fazer uma época de sonho, a tragédia abateu-se sobre a equipa.

Tudo começou em S. Petersburgo, quando Bruno Alves investiu brutalmente contra Rodrigo e o afastou do jogo. Tive logo a perceção de que a sorte para o Benfica estava a mudar.

Primeiro foi a derrota através de um golo estúpido no dealbar desse jogo na Rússia, depois foi o desaire em Guimarães, o empate em Coimbra e a derrota contra o FC Porto, em que tudo sucedeu: a lesão de Aimar, a lesão de Garay, a expulsão de Emerson e um golo em fora-de-jogo.

Nesta fase decisiva da época, tudo correu mal ao Benfica: as arbitragens, uma expulsão cirúrgica e muitas lesões. Javi García (uma pedra decisiva) esteve três jogos fora, Garay (que era o melhor defesa) foi para o estaleiro, Aimar (que é insubstituível) está outra vez magoado, Rodrigo (que estava a ser o melhor avançado) ficou a 50% depois da agressão em S. Petersburgo.

Foi demais!

Depois disto, só faltava Jesus sair para a destruição ser completa. Para chegar ao fim um projeto que custou tanto a construir e projetou tantos sonhos.

A esperança voltou a renascer na noite de ontem, com a vitória sobre o Zenit. Quatro dias depois da infortunada derrota com o FC Porto, este sucesso teve uma grande virtude: inverteu um ciclo maldito. E esclareceu uma dúvida: a equipa não estava afinal mentalmente tão fraca como se temia.

Daqui para a frente, o Benfica tem ainda tudo em aberto: a Liga portuguesa e a Champions League.

E se a Champions é uma lotaria, no nosso campeonato uma coisa é certa: se o Benfica ganhar todos os jogos até ao fim, tem grandes hipóteses de ser campeão. Se não ganhar, a culpa é sua...

In Record

Por força da lei _ Ricardo Costa



Castigos na hora

Com o título de bicampeão entregue, uma luta binária pelo acesso direto à Champions e uma grande confusão na zona das descidas: assim se entra no último terço do campeonato da 1.ª Liga. Na 2.ª Liga também está encontrado o campeão e o resto é a incerteza habitual. Aquando do exercício de funções jurisdicionais no futebol, apreendi que é neste período final que se sucedem as declarações inflamadas dos dirigentes e dos treinadores com base em alegados “erros manifestos” e “grosseiros” de arbitragem: estatisticamente, era neste lapso temporal que cresciam os processos disciplinares e de inquérito a propósito de afirmações ofensivas da honra e reputação dos árbitros. Este ano a regra parece confirmar-se. Quem acompanhou as crónicas da imprensa desta semana, reparou no súbito recrudescimento de observações provindas de várias geografias dos dois campeonatos profissionais: “vetos”, “escusas”, “pressões”, juízos sobre intenções, etc. Umas mais graves e ilícitas, outras enquadradas no lícito exercício da liberdade de expressão dos agentes desportivos. Um clássico, com recidivas periódicas, para satisfação dos humores dos adeptos. Noutros tempos, saberíamos que daqui a um mês todas essas declarações teriam sido averiguadas e, se fosse caso disso, punidas – e, muitas vezes, atenuadas justamente pela confirmação técnica dos erros de arbitragem. Agora, sabemos que o “gomismo” trouxe a impunidade que permite que todos pensem que podem fazer e dizer aquilo que mina a credibilidade das competições, sem que nada de verdadeiramente dissuasor aconteça. A não ser que os ofendidos se queixem – levam os denunciados com processo (e não necessariamente com castigo) e adiam o mais que podem; levam os que ficam à margem da queixa com a indulgência. Isto sim é – na fórmula preferida dos sectários – “dois pesos e duas medidas”. Objetivamente!

Poderia ser diferente? Poderia, mas não era a mesma coisa...

Muitas vezes perguntam-me porque é que nos campeonatos estrangeiros se castigam mais rapidamente as afirmações difamatórias. Eu costumo responder com a urgência de uma pequena reforma que nunca foi levada à apreciação dos clubes pelos órgãos executivos da Liga. Aos delegados da Liga nos jogos compete, nos termos do Regulamento de Competições, “elaborar e remeter à Liga um relatório circunstanciado de todas as ocorrências relativas ao normal decurso do jogo, incluindo quaisquer comportamentos dos agentes desportivos findo o jogo na flash interview”. Bastaria alargar esta competência ao relato escrito e comprovado das declarações proferidas por jogadores, treinadores e dirigentes após o jogo. Com base nessa descrição, o Conselho de Disciplina decidiria sumariamente as eventuais infrações disciplinares imediatamente após as partidas, tendo em conta a presunção de verdade desses relatórios e a responsabilidade por falsas informações que incide sobre os delegados. Sem necessidade, em regra, de qualquer processo disciplinar, como qualquer outro castigo da jornada. Com celeridade e credibilidade para a competição.

Seria muito diferente? Seria, mas não era a mesma coisa…

 In Record

Março 10, 2012

Jornal " O Benfica " Edição Nº 3541



Destaques

Principais títulos

- Opinião Pragal Colaço: "As transferências, o gelo do Zenit e as ligações"; (pág 15)




Títulos



2 Síntese + Futebol: Luis Filipe Vieira sobre Pedro Proença "Não apite mais o Benfica"
3 Actualidade: "Temos um Benfica Europeu" + Opinião João Paulo Guerra
4 Crónica Benfica-FC Porto: "Proença e a verdade da mentira"
5 Análise à Jornada: "Campo foi inclinado" + Opinião Arons de Carvalho
7 Antevisão Paços de Ferreira-Benfica: "Á conquista da Mata Real" + Opinião Afonso Melo
8 Crónica Liga dos Campeões: "Inferno da Luz derrete gelo russo"
9 Análise à Liga dos Campeões: "Na rota dos milhões" + Opinião João Malheiro
11 Fundação Benfica: "Sempre a ajudar a sorrir" + Opinião Jorge Miranda
13 Zona de Decisão - Carlos Gomes Júnior: "Sempre fui do Benfica" + Opinião João Diogo
15 Opinião Pragal Colaço: "As transferências, o gelo do Zenit e as ligações"
16/17 Poster jogo Benfica-Zenit: "Nos quartos-de-final da Champions"
19 Juniores: "Superar mais um teste" + Opinião Pedro Ferreira
20 Juvenis: "Só sabem ganhar" + Treinos de Captação: "200 crianças no Seixal"
21 Iniciados: "Continuam lideres" + Infantis e Benjamins: "Jivens mantêm evolução"
23 Voleibol: "Vencer sem espinhos"
24 Futsal: "Argumentos de campeão"
25 Hóquei em Patins: "Lição de tango ao galo"
26 Basquetebol: "Atenções viradas para Ovar" + Á conversa com António Monteiro
27 Andebol: "Arranque em Braga" e "Vitória no dérbi"
28 Canoagem: "Teresa Portela conquistou bronze" + Atletismo - Marco Fortes: "Espero alcançar um bom resultado"
29 Ténis de Mesa: "Bronze ao peito" + Bilhar: "A liderança continua" + Casas, Filiais e Delegações
30 Tome nota e Programação Benfica TV
31 Opinião Luís Fialho: "A mentira continua"
32 Clube - Camarata Coca Cola: "Emoções encarnadas" + Opinião José Jorge Letria + Breves

Javi García renova até 2018


Javi García: «Este é o meu dia mais feliz»



Javi García manifestou-se muito feliz com a renovação pelo Benfica até final da época 2017/18. O médio, de 25 anos, confessou que foi fácil chegar a acordo com os dirigentes encarnados e espera agora manter a bitola evidenciada até ao momento, juntando-lhe mais títulos.

"Da minha parte não houve qualquer problema e do clube penso que também não. A ideia de renovar esteve sempre presente. Estou muito feliz", começou por dizer o espanhol, à Benfica TV, recordando o elevado investimento feito por Luís Filipe Vieira (cerca de 7 milhões de euros) para contar com os seus préstimos: "Não é fácil pagar aquela verba por um jovem. Senti que tinha de retribuir a confiança. Estou feliz, dou graças ao presidente e ao clube. Este será talvez o dia mais feliz que já tive."

Recuando até 2009, Javi García recusa a ideia de que a saída do Real Madrid para a Luz tenha sido um passo atrás na carreira. "Vim para um dos melhores clubes da Europa. Graças a Deus, tudo correu bem e comecei a jogar com regularidade. Importante é estar feliz e sentir-se acarinhado", disse, admitindo, no entanto, que não esperava tamanho apoio por parte dos adeptos encarnados.

"Nunca pensei que o Benfica tivesse tantos adeptos. Ainda hoje me impressiona o facto de tantos adeptos nos seguirem nos jogos fora de casa", atirou.

Título inesquecível. Convidado a revelar o momento mais marcante desde que chegou à Luz, Javi destacou o título, em 2009/10. "Penso que não voltarei a ver uma festa daquele calibre, fora do país."

In Record

Março 08, 2012

Crónica de João Malheiro


A graça do Jaime

Foi em 66, ainda garoto, que conheci o melhor sexteto da história centenária do nosso futebol. Jaime Graça, Coluna, José Augusto, Torres, Eusébio e Simões davam mais bola à bola. Arregalavam olhares siderados, abriam bocas de pasmo, despertavam ouvidos atentos, atiçavam aplausos sentidos, conquistavam adeptos entusiasmados. Foi assim no Benfica e na Selecção Nacional.

Há dias, poucos dias, o Jaime morreu. O Torres já nos havia deixado há cerca de um ano. A bola também chora? Claro que chora. A bola também faz luto? Claro que faz. Amigo de há longos tempos, o Jaime foi, ainda por cima, um dos jogadores mais injustiçados, pelo menos no historial recente da bola lusitana. Jogador fabuloso, perdeu mediatismo por razões que me são difíceis descortinar.

Na companhia do grande Mário Coluna, entre outras figuras da maior expressão, acompanhei, em Setúbal, a cerimónia fúnebre. O momento foi dolorosamente emocionante. Durante alguns minutos, recordei muitas horas de intimidade com um artista invulgar, um homem bom, um amigo fiel. E recordei uma prosa que, em tempos, lhe havia dedicado. Para ficar aqui em jeito de epitáfio.

Tinha consigo a graça, não só de nome. Dizia de sua graça, Jaime Graça. Era acção de graças ao futebol, dava ares das suas graças, quando não estava para graças caía nas boas graças. Tinha tanta, tanta graça, fazia tantos, tantos gracejos, naquele estilo grácil, gracílimo, naquela gracilidade, que da graça da sua graça se fez também a graça do Benfica, a graça da Selecção. Não ficou de graça? E qual é o preço da graça de um campeão da graça do Jaime Graça?

Março 01, 2012

Jornal " O Benfica " Edição Nº 3540


Destaques

Principais títulos

- Falecimento Jaime Graça: "Décadas de Graça, sucesso e Formação"; (pág 10 e 11).

Títulos



2 Síntese + Clube: "Cadeiras de banco de suplentes em leilão"
3 Actualidade: "Março não assusta" + Opinião João Paulo Guerra
4 Crónica Académica - Benfica: "empate com sabor a injustiça"
5 Análise à Jornada: "Mês de decisões" + Opinião Arons de Carvalho
7 Antevisão Benfica - FC Porto: "Luz quer impor a sua lei" + Opinião Afonso Melo
9 Antevisão Liga dos Campeões: "Rumo aos quartos-de-final" + Opinião João Malheiro
10/11 Falecimento Jaime Graça: "Décadas de Graça, sucesso e Formação"
13 Clube: "Dois dias à Benfica"
14/15 Emblemas: "O Sport Lisboa e Benfica é um projecto de pessoas"
16/17 Gala 108º aniversário: "Comigo o Benfica será sempre dos sócios"
18/19 Gala 108º aniversário: "A noite das grandes estrelas benfiquistas"
21 Fundação Benfica: "Preparar o futuro" + Opinião Jorge Miranda
22 Juniores: "Saborear vitória" + Lançamento de Caderneta de Cromos: "O futuro passa por aqui"
23 Juvenis: "Já estamos na 3ª Fase" + Opinião Pedro Ferreira
25 Futsal: "Motivados para ganhar" + Hóquei em Patins: "Benfica soma e segue... e goleia"
26 Voleibol: "O espectáculo continua"
27 Basquetebol: "Estudar bem e... vencer" + Á conversa com Diogo Ventura + Novo reforço Marcus Norris
28 Atletismo:"Campeões Nacionais em Juvenis e Juniores" + Peso + Triatlo
29 Andebol: "Dérbi fecha fase Regular" + Pesca: "Em grande Mora Pesca" + Ténis de Mesa: "Só triunfos" + Bilhar
30 Tome nota e Programação Benfica TV
31 Opinião Luís Fialho: "A hora da decisão"
32 Eusébio Cup 2012 a 27 de Julho: "Benfica recebe Real Madrid" + Opinião José Jorge Letria + Breves

Email Aberto _ Domingos Amaral




Futuro

From: Domingos Amaral
To: Nélson Oliveira

Caro Nélson Oliveira
Em primeiro lugar, parabéns pela convocatória para a Seleção Nacional. É justo que um jovem e talentoso avançado como tu esteja no grupo dos escolhidos de Paulo Bento. Postiga e Hugo Almeida merecem também lá estar, pelo seu passado na Seleção, mas o futuro é teu. Espero que conquistes o teu espaço, pois vamos precisar de ti em Junho. Portugal não tem uma grande equipa, e está num grupo muito difícil, portanto é essencial o selecionador ter ao seu dispor os melhores.

Ontem, entraste muito bem no jogo e foi pena não teres marcado um golito. Num jogo complicado e pouco espetacular, onde nenhuma das três equipas esteve bem, tu foste um raio de esperança para os benfiquistas e quase iluminavas a nossa noite. Não foi possível ontem, mas será certamente muitas vezes no futuro.

E é no futuro que o Benfica tem de pensar, não no passado. Não vale a pena carpir mágoas sobre o que aconteceu em São Petersburgo, em Guimarães ou em Coimbra. O que aconteceu foi futebol, e neste jogo ganha-se, perde-se e empata-se. Nos dois primeiros jogos, o Benfica não foi melhor que o Zenit ou o Vitória, mas ontem foi melhor do que a Académica, só que os deuses não quiseram dar-nos uma alegria.

De qualquer forma, não vale a pena dramatizar. O campeonato está aberto, faltam dez jornadas, e há três candidatos ao título. Isso não é mau, isso é bom, pois dá mais luta. Preparemo-nos pois, porque aconteça o que acontecer na sexta, vai haver emoção até ao fim.

Mais importante que vencer o FC Porto, é vencer o Zenit, pois essa competição é que pode acabar para a semana. O campeonato continua. Os nossos adversários que não comecem já a festejar.


In Record

Real Madrid confirmado na Eusébio Cup


A 27 de Julho

O Benfica confirmou esta quinta-feira no seu site oficial que vai enfrentar o Real Madrid na quinta edição da Eusébio Cup, que se disputará e 27 julho deste ano, altura em que os encarnados estarão a preparar a época 2012/13.

A equipa de José Mourinho e Cristiano Ronaldo vai suceder assim a Inter Milão, AC Milan, Tottenham e Arsenal, que participaram nas edições anteriores.

Os merengues também já confirmaram a informação no seu site oficial, congratulando-se por poderem prestar homenagem ao antigo internacional português e por reeditarem os duelos escaldantes dos anos 60 com as águias.Mourinho volta assim à Luz para disputar a Eusébio Cup, ele que conquistou a primeira edição do troféu ao serviço do Inter, depois de bater o Benfica no desempate por penáltis


In Record

Fevereiro 29, 2012

O Voo da Águia_ Marta Rebelo


Meia bola e força

Sexta-feira temos o jogo que dá o campeonato, e a recuperação emocional da equipa tem de ser célere, rápida, tão rápida quanto as pernas de gazela de Rodrigo – que tanta falta nos fizeram em Coimbra…

Eu podia chorar os cinco pontos perdidos nas últimas jornadas. Podia queixar-me com veemência da arbitragem e dos dois penáltis roubados à fartazana. Podia repudiar a quantidade de golos falhados, até pelo meu amado Nélson Oliveira. Podia até perguntar ao Míster por que é que o Aimar e o Matic saíram deixando-nos sem miolo, mas sei que resposta me daria Jesus. E sobretudo poderia frisar que há dois homens sem os quais o Benfica é Glorioso mas não é campeão, e um deles ficou no banco em Coimbra e lesionado nas derrotas de São Petersburgo e Guimarães: Javi García.

Mas não. Decidi fazer a minha própria recuperação emocional e estou convicta que no jogo do campeonato os campeões seremos nós. Mesmo com o Emerson a fazer frente ao Hulk – ai que medo só de pensar nas chuteiras cor-de-laranja do defesa a fazer borrada da grossa –, o eixo Artur, Javi, Witsel, Aimar e Rodrigo vai ser imparável. Pouco me importa que Lucho e Janko tenham vindo fazer alguma coisa por uma equipa perdida nas mãos da incompetência de Vítor Pereira. Ao FCP só Pinto da Costa salva. A nós, 60 mil de cachecóis no ar e onze em campo. Subo ao Marquês lá para maio.

In Record