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04 janeiro 2013

Artigo de Opinião _ Sílvio Cervan



Artilharia afinada para conquistas

"Maquiavel sempre ensinou que quem «depende exclusivamente da sorte, cai quando ela muda». Ora, talvez por isso, não seja a sorte aquela que mais decide títulos. É preciso haver qualidade individual, mas sobretudo qualidade colectiva. O Benfica cansado e sem inspiração mostrou uma grande vontade de não perder contra o Moreirense e manter intactas as aspirações na Taça da Liga. O Benfica mais fresco e inspirado goleou um Desp. Aves sem argumentos para tanto Benfica na busca pela Taça de Portugal. Mérito dos jogadores mas sobretudo de quem os treina. Gostei de ver Jesus desesperado em Moreira de Cónegos e tentar não hipotecar uma prova que ganhou repetidamente. Gostei de sentir vontade em vencer a Taça de Portugal. O Benfica que desejo luta por títulos, com um futebol bonito de preferência, e não por ganhar alguns jogos ou por ter alguma sorte.
 
No campeonato segue-se o Estoril, equipa sensação que fará antever um jogo muito difícil. Por agora o Estoril é mais importante e difícil que o FC Porto. Quarta-feira temos que cumprir com a Académica o objectivo Taça da Liga.
 
Lima, Rodrigo e Cardozo são artilharia afinada para as conquistas que se esperam. Enzo é fulcral, mas Jesus parece ter ressuscitado Bruno César que apareceu contra o Aves como não nos lembramos de ver e Gaitán renasceu com a magia que nos encanta. Bem precisamos que as lesões não nos dizimem, com tantas provas e tantos jogos para cumprir.
 
O Benfica regressou ao trabalho com o Seixal num mar de gente em treino aberto ao público, e o FC Porto cumpriu dia 1 um treino no Dragão com mais de 10 mil adeptos. Moreira de Cónegos estava completamente cheia num jogo da Taça da Liga. Prova apenas uma coisa: que o amor pelos clubes e pelo futebol está lá. Os clubes têm que se adaptar às novas capacidades de uma população exaurida financeiramente."

Fanado do O indefectivel

19 maio 2012

Tempo Útil _ João Gobern



De todos nós

Acabou-se o suspense que, de resto, já não era grande, sabendo-se que Paulo Bento – embora com métodos e motivações distintas – alinharia pelo conservadorismo de Scolari nas suas chamadas a uma fase final, demarcando-se das aventuras, em boa parte inconsequentes, de Carlos Queiroz. Por outras palavras, a convocatória de jogadores para disputar a fase final do Euro’2012 concretizou-se sem surpresas, pelo menos do lado dos que viajam para o Leste da Europa em defesa das nossas cores.

Os casos mais assinaláveis são três: o de Custódio, que todos deram como acabado para as grandes conquistas depois do seu exílio russo, é um caso de renascimento, mantendo ao longo de toda a época um rendimento uniforme que permite dizer com segurança que não há disponível, neste momento, um melhor médio-defensivo português; o de Nélson Oliveira, a quem o selecionador aponta “características diferentes” entre os avançados, conseguindo – com essa chamada – marcar pontos no sector benfiquista e, ao mesmo tempo, abrir portas à chegada dos mais novos, indispensável para uma transição que há-de pedir-se pacífica. Isto sem menosprezo do valor intrínseco do atleta. Por fim, Varela, que nem sempre se impôs na sua equipa, mas que é portador de uma classe (algo inconstante, é certo) que pode, em caso de necessidade, render as dos naturais titulares (Cristiano Ronaldo e Nani) e desse génio imprevisível que é Ricardo Quaresma.

Tudo é pacífico? Nem tanto. Se entendo este como o último momento em que cada um pode soltar o selecionador que tem dentro de si, seguindo-se a fase de cerrar fileiras, de apoiar vigorosamente a Seleção e de fazer contas no fim (primeira divergência: esse acerto deveria ser feito após o Europeu, não dois anos mais tarde, uma vez que, se há no futebol um contrato por objetivos, é mesmo o de selecionador), cá vai: Miguel Lopes pouco provou e, acredito, tanto Nélson como Sílvio levariam vantagem; Ricardo Costa continua a somar chamadas em nome de uma “polivalência” que, por norma, dá maus resultados; trocar Ruben Micael por Manuel Fernandes ou por Paulo Machado seria um ato de bom senso; na frente, terei de ser convencido que os veteranos proscritos, Nuno Gomes e João Tomás, perdem para Hélder Postiga.

De um outro ponto de vista, o da teimosia e da (falta de) grandeza, hei-de lembrar-me de Ricardo Carvalho e de Bosingwa. E de Hugo Viana, a quem não chegou ser o melhor centro-campista português do campeonato nacional para ter direito à guia de marcha. Dito isto, Paulo Bento é soberano. E os 23 escolhidos passam a ser os nossos, de todos nós. No grupo em que estão, há quem peça o milagre. Por mim, só peço que não repitam a cobardia cinzenta da África do Sul.

In Record

03 janeiro 2011

Artigo de Opinião _ Sílvio Cervan


Um beijo, Avô

O meu Avô morreu ontem, desapareceu aquele que me fez Benfiquista, que me transmitiu e alimentou a paixão com o amor que só os avós têm para os netos.

Assinava o jornal O Benfica desde sempre e apreendi a soletrar os títulos no nosso jornal. Comprou-me o primeiro, o segundo e o enésimo cachecol.


Apreendi que nisto do Benfiquismo há cumplicidades que derrubem barreiras. Quando pedi ao meu pai para ir ver o Benfica – Steaua de Bucareste, meia-final da Taça dos Campeões Europeus (caloiro na faculdade o dinheiro era contado), este não me autorizou. Então o meu Avô enrolou umas notas para o bilhete do jogo, umas outras para o arroz de tomate do Manjar do Marquês e outras tantas para a gasolina e lá desautorizou o filho. Apreendi com o meu querido Avô que isto do Benfiquismo tem secretismos e cumplicidades, tem rituais e superstições que não se podem quebrar. No fim de cada título, pouco ou muito importante, ligava para casa dele e festejávamos as nossas alegrias, sempre e sem excepção até ontem. Mesmo nestes últimos tempos onde o corpo começava a falhar, percebi melhor a dimensão da paixão, quando cansado no seu sofá queria saber os resultados do hóquei, do andebol, do futsal ou do voleibol. Sempre que os resultados eram bons lá vinha aquele longo sorriso que não desmentia o tamanho da satisfação, por instantes a alegria sobrepunha-se às debilidades do corpo. Este Benfica que se transmite de geração em geração, esta paixão partilhada, esta comunhão de sentimentos que quem não sente chama fanatismo ou simplesmente não percebe, é muitas vezes do melhor que a vida tem. Gostar ilimitadamente das nossas opções e respeitar a dos outros foi uma bela lição de vida. 

Paixão maior só a que tinha pelo seu Académico do Porto de que era Presidente honorário, e que serviu sem limites. Estes dois amores só tiveram uma colisão quando o Benfica foi buscar ao Académico Ribeiro da Silva, grande campeão do ciclismo.

O meu Avô morreu, morreu um campeão e morreu campeão. (como festejámos o último título) Profundamente católico, ele partiu para eternidade onde continuará a querer saber de nós e do seu Benfica.

In ABola

04 dezembro 2010

Artigo de Opinião _ Sílvio Cervan


Algumas constatações

O Benfica foi a Aveiro mostrar várias coisas. A primeira é que dizer mal de Cardozo devia ser exclusivo dos nossos adversários, entra marca e dá a marcar. A segunda foi a certeza que um meio-campo mais combativo, com mais atitude e competência defensiva ajuda muito. Por fim, embora este Benfica esteja ainda distante daquilo que fez no último ano, e daquilo que ainda pode fazer este, é já uma equipa que mostra ser capaz de conseguir alcançar algumas das metas propostas para esta temporada.

Desde a escandalosa arbitragem de Guimarães que ditou a nossa derrota, o Benfica é a melhor equipa do campeonato. Desde Guimarães, em oito jogos para o campeonato temos sete vitórias e uma derrota, perdemos três pontos. O FC Porto é segundo com dois empates desde aí. Sem essas vergonhosas arbitragens iniciais lutávamos pelo título, assim lutamos para mostrar que somos capazes de lutar pelo título quando nos deixam.

Nada disto obsta a que temos de melhorar e que queremos mais de um plantel que tem valor para fazer melhor.


Na terça-feira será pedir serviços mínimos continuar na Liga Europa. Única competição europeia onde podemos ter uma ambição realista no actual estado do nosso futebol, mas também onde podemos subir um degrau na recuperação do prestígio europeu. Nos últimos cinco anos por três vezes chegámos aos quartos-de-final de uma prova europeia. Na Champions onde perdemos com o Barcelona; na UEFA onde caímos com o Espanhol e na Liga Europa frente ao Liverpool.

24 Horas depois de festejarmos o 1.º de Dezembro, como afirmação da nossa Independência, tentámos organizar um Mundial de futebol mostrando a nossa dependência de Espanha para um evento de tal calibre económico e financeiro. Tinha simpatia pela ideia e gostaria que a nossa candidatura tivesse ganho. Não me sinto nenhum Miguel de Vasconcelos e penso até que seria bom em termos económicos para Portugal. Não conseguir o evento é bem melhor que não o ter tentado organizar.

In ABola  

Obrigado amigo Benfica 73 

26 novembro 2010

Artigo de Opinião _ Sílvio Cervan


Não tem sido apenas azar

Sorte para o Benfica será perceber que não tem sido azar a motivar os maus resultados. Azar têm os adeptos que esperavam uma equipa com mais garra e com mais alma. Durante o jogo quando algum infortúnio acontece, a equipe enerva-se e desune-se, parece que congela e não consegue dar a volta às dificuldades. Mesmo quando, a espaços a equipa joga bem, e isso acontece com frequência, há um sentimento de incapacidade na manutenção do ritmo e da qualidade de jogo.

Num ano fustigado por tantas contrariedades (árbitros, lesões, azar) convém centrarmo-nos apenas naquelas que são importantes, a qualidade e consistência das exibições.

As hipóteses deste Benfica (ou qualquer clube português) na Liga dos Campeões são ínfimas, e assim poderia até pensar numa boa Liga Europa como objectivo, mas o meu receio é que Telavive tenha sido uma machadada demasiado forte nos níveis anímicos do plantel.

Com a época na primeira metade, só a experiência de Jorge Jesus, o brio e profissionalismo dos atletas poderão inverter esta lógica. Há muito tempo para ganhar esta época se tal for conseguido, caso contrário veremos o Benfica afundar-se num mar de desânimo.


Nestas alturas as lideranças fortes dentro de campo e nos balneários aparecem, e a experiência e coesão dos grupos são cruciais.

A deslocação a Aveiro passou a ser desde quarta-feira o jogo mais difícil da época, é por isso preciso ganhá-lo. A revolta dentro das quatro linhas trará serenidade fora delas. Os verdadeiros adeptos apoiam sempre, e temos um clube ímpar nesse inesgotável amor.

Neste momento gostava de um meio campo mais português, com Martins e até Rúben Amorim, mas decisivo mesmo é Jorge Jesus dar a volta a isto. Ele sabe, ele é capaz. Treinadores de bancada todos seremos um pouco, mas como só sei ser adepto, domingo lá estarei a apoiar sem reservas o Benfica.

Quanto maiores forem as dificuldades, maior será o apoio.

In ABola  

Obrigado amigo Benfica 73 

19 novembro 2010

Artigo de Opinião _ Sílvio Cervan


Contra o adiamento

Muitos adeptos do Benfica ficaram contentes com o adiamento do jogo da Taça contra o Braga. O momento do Benfica por um lado, algumas lesões por outro e ainda mais tempo para preparar o jogo de Telavive fazem um cardápio suficiente de razões.

Eu estou contra. Contra por todas as razões, primeiro este alarido com uma cimeira da NATO parece-me excessivo e algo provinciano para adiar uma festa de futebol, depois o momento do Benfica precisa é de vitórias e não de dias intermináveis sem jogar, e por fim o Braga parece, esse sim, no seu pior momento. Acresce que o melhor jogador do Braga, Alan, estaria castigado e não poderia jogar amanhã. Eu queria era jogar, eu precisava era de ganhar. Dia 12 de Dezembro é muito longe, e depois da segunda parte contra a Naval (não gostei nada da primeira) o que mais falta faz ao Benfica é consolidar a confiança ganha com os 4-0.

Gaitán está a crescer, Salvio está melhor e o Benfica pode trazer de Telavive um resultado que lhe permita discutir no jogo com os alemães do Shalke 04 (esse sim decisivo) um lugar na elite europeia de clubes.


O golo de Nuno gomes no último jogo não faz dele nem melhor nem pior jogador, mas ajuda-o a definir enquanto profissional do Benfica e na sua efectiva relação com os adeptos. Nuno Gomes deu sempre o máximo em todos os minutos que vestiu a camisola do Benfica, foi sempre um exemplo, e mesmo nos momentos mais difíceis soube dar a cara e minorar as perdas. Ninguém é eterno, mas ninguém deve ser ingrato e Nuno Gomes será para sempre um dos «nossos» mais queridos.

Paulo Bento não precisa de ser sempre tão modesto. Foi ele que revitalizou a Selecção, foi ele que deu esperança e orgulho a um conjunto esfrangalhado. Convocou os melhores, dando o exemplo de chamar mesmo alguns com quem tinha tido problemas. Mostrou competência e carácter num futebol cheio de répteis, é bom ver quem tem coluna vertebral. A vitória sobre a Espanha é toda de Paulo Bento.

In ABola  

Obrigado amigo Benfica 73 

13 novembro 2010

Artigo de Opinião _ Sílvio Cervan

Benfica perdeu e perdeu bem no Dragão

Se o Benfica persistir nas comparações com a última época, em vez de melhorar o seu desempenho nesta, vai ter dificuldades em atingir os objectivos que ainda tem nesta temporada, e são muitos e importantes.
Embora a reconquista do título já tenha ficado comprometida na fruta servida na sobremesa da homenagem a Olegário que antecedeu a deslocação a Guimarães, a verdade é que o Porto tem sido uma equipa tacticamente evoluída e o seu treinador é merecedor de elogios. Já aqui escrevi, na altura contra a corrente, que no último ano a Académica nos jogos contra o Benfica jogou do futebol mais positivo e conseguido que tinha visto. Tenho pena que haja quem prefira elogiar aqueles que conseguem um pontinho com o autocarro em frente da baliza, muito antijogo e muita sorte em vez daqueles que arriscam a praticar bom futebol. Eu quero uma vez mais reiterar o apreço por Villas Boas como treinador.

Jorge Jesus não esteve feliz nas opções tomadas no último jogo, mas foi Jorge Jesus quem nos deu o melhor Benfica dos últimos 10 anos e será ele que ainda esta época nos trará vitórias e títulos. Evitar a sportinguização do Benfica parece prioritário para quem leu os jornais desta semana. Urgente por agora é ganhar à Naval.
Não são capas panfletárias, nem psis de pacotilha que farão o clube chegar aos seus objectivos. Vinte jogos de campeonato, uma Taça de Portugal, uma Taça da Liga e a mais importante competição europeia de clubes parece suficiente como caderno de encargos.

Compro e leio todos os dias A BOLA, a partir de amanhã sem a crónica de Ricardo Araújo Pereira tiraram-me o meu garantido sorriso de sábado, fiquei privado de ler um amigo que admiro, mas sobretudo perdeu o Benfica e os nossos leitores um dos seus mais brilhantes e talentosos advogados. Que seja um parêntesis, que volte o sorriso da leitura e as vitórias com brevidade que nós merecemos.

In ABola  

Obrigado amigo Benfica 73 

05 novembro 2010

Artigo de Opinião _ Sílvio Cervan

É obrigatório não perder

O Benfica chega desmoralizado ao jogo do Dragão. Esta é a conclusão óbvia de quem lê a imprensa, depois da modesta vitória, para a pouco importante Liga dos Campeões, contra o fraquíssimo Olympique de Lyon, pouco habituado a jogos internacionais. Já o Porto chega no auge depois do jogo com um colosso do futebol mundial, na mais importante competição do planeta. Teremos que ser humildes e reconhecer. Houve até quem alvitrasse que a vitória tinha sido má porque agora o Benfica vai perder o Coentrão. Génios assim não podem ser contrariados.
Ao contrário daqueles que dizem que só a vitória interessa ao Benfica eu baixo a ambição, para mim não perder no Dragão é obrigatório e se tal acontecer vamos disputar o título até ao fim com grandes possibilidades de o vencer. Só a derrota torna essa ambição quase impossível a 20 jornadas do fim.
A vantagem do Porto é boa, mas a partir de Domingo o calendário do Benfica passa a ser mais fácil. Das seis saídas mais complicadas do campeonato temos quatro realizadas (Nacional, Marítimo, Guimarães, Porto, Sporting, Braga). Será especulativo mas não perder no Dragão fazia-me acreditar mais no título daquilo que hoje, antes do jogo, julgo possível. Dito isto, reconheço que ganhar é melhor que empatar.
Não é um jogo qualquer, é uma deslocação que pôs no mapa futebolístico grandes figuras do futebol, este jogo já imortalizou Donato Ramos, Carlos Calheiros, Azevedo Duarte, Martins dos Santos, e até Paulo Costa, que hoje comenta nomeações, já nos deixou a jogar com oito no inesquecível clássico. Quem conhece o histórico aceita que o empate é dos deuses e que as regras não são as da FIFA.
De Pedro Proença queria a mesma competência (é claramente dos melhores árbitros) com mais personalidade.
Bela vitória sobre o Porto na Supertaça de basquetebol, num jogo onde ninguém parecia querer ganhar.

In ABola 

30 outubro 2010

Artigo de Opinião _ Sílvio Cervan




Crónica de um jogo à distância
Esta é a crónica de como se sofre mais com a distância e com a impossibilidade de se ver um jogo. Na longínqua Jordânia, entre os Nabateus e o monte Nébo, entre Jerash e o Rio Jordão, o meu Portimonense - Benfica foi salvo pelos SMS de amigos a bom ritmo. É pavoroso. Deixi-vos a crónica de um jogo à distância:

1-      «Começou, o Sporting ganhou quase no fim e nós estamos a dominar.»

2-      «Já perdemos duas oportunidades.»
3-      «Maxi e Martins com quatro amarelos, em risco para o Dragão.»
4-      «0-0 ao intervalo. Jogo mediano mas só existe Benfica.»
5-      «Goooloooo - Javi aos 49 minutos.»
6-      «20 minutos para o fim, isto nunca mais acaba.»
7-      «Kardec isolado, defesa e dpois Jara manda para a bancada. Podíamos ter matado o jogo.»
8-      «Acabou. Ganhámos. Eles nunca criaram perigo, mas há sempre um primo do Holegário.»

Leram uma amostra de como pessoas responsáveis e respeitáveis me deixam perto de um ataque de nervos durante duas horas. Custa muito mais quando se está longe, o resultado final dos 90 minutos foi Benfica, 1 - SMS, 38. Larga vitória festejada com um Bordeaux.
No dia seguinte mal refeito das emoções, fui informado que o sorteio da Taça nos ditara o Sporting de Braga. Pouca sorte? Espero que sim, para o Braga.
Hoje contra o Paços de Ferreira jogamos muito do interesse que pode ter a deslocação ao Dragão. Na terça contra o Lyon, redefinimos os objectivos europeus.
Um simpático pintor jordano ex-jogador da I divisão turca, hoje a trabalhar numa galeria de pintura, dizia-me que Rui Costa, contra o qual jogou, foi um dos três melhores jogadores do Mundo. Eu concordei. Adoro excessos. E comprei um quadro…

In ABola

Obrigado amigo Benfica 73 

22 outubro 2010

Artigo de Opinião _ Sílvio Cervan


As contas estão bem mais fáceis
O Benfica tem agora as contas da Liga dos Campeões bem mais fáceis: ou ganha os três jogos ou estará fora dos oitavos de final. Assim a matemática fica mais simples. Sem estes resultados e caso não perca o jogo de Telavive, estaria certo o cenário na Liga Europa, ou seja a Europa está aí, falta saber onde. Perdemos com o Lyon porque os franceses foram melhores, não valerá fugir a essa realidade, e no caso de conseguirmos passar aos oitavos de final sempre será de esperar um adversário com valia em excesso para qualquer equipa do nosso futebol. Por vezes há surpresas e nós regozijamos, mas convém saber que são surpresas.
O Benfica que pode e deve aspirar hoje a ser a melhor equipa do futebol português, não é das melhores equipas do futebol europeu, embora deva fazer o caminho sustentado de lá se aproximar. A realidade só pode incomodar quem a não vê, ou aqueles que noutras paragens insistem em viver na ficção. Por mim espero do Benfica uma serena e gradual melhoria, como tem acontecido nos últimos anos.
Novembro só será determinante para o futuro do Benfica, se ganharmos os dois jogos em falta de Outubro (Portimonense e Paços de Ferreira).
Segunda-feira passada no almoço com o embaixador do Chile, o camarote da Luz estava decorado com o número 33, alusivo ao número de mineiros resgatados do fundo da mina. Pois em época de crise era boa a economia caso se pudesse utilizar a decoração para o número de títulos de campeão nacional: 33 é mais que um número é um objectivo.

O estádio Algarve costuma ser talismã, e já embalamos lá para várias conquistas. Contra o Estoril para o título de 2005, contra Sporting e Porto para duas Taças da Liga.
Olegário continua imparável, merecedor de outra homenagem, arbitragem menos conseguida na Taça de Portugal, e expulsão de um jogador do Auxerre em aquecimento no jogo da Liga dos Campeões. Haja personalidade, num imitador de Quim Barreiros.
In ABola

Obrigado amigo Benfica 73 
 

19 outubro 2010

Artigo de Opinião _ Sílvio Cervan



Esperança em vitórias

Numa semana marcada (confesso a pieguice mas emocionei-me) pelo salvamento dos 33 mineiros presos nas profundezas de uma mina chilena, valeria a pena pensar como o segredo do sucesso está na organização, na coragem, na capacidade de trabalhar em equipa.
Aqueles mineiros encurralados numa situação dramática, souberam aceitar a liderança natural, racionaram a comida, a água e os recursos, motivaram-se para o sonho desejado (muito pouco provável à partida) e conseguiram alcançar o maior de todos os triunfos… a vida.
Quando um deles conseguiu em desespero pedir à mulher que desse o nome de Esperança à filha que iria nascer, gritou ao Mundo o segredo da vitória.
Em tudo na vida é assim, e o desporto não foge à regra. Não serão precisos grandes ‘gurus’ para aprender muito com esta epopeia chilena.
Espero que o SLBenfica, os seus atletas e profissionais bebam desta mesma fonte inspiradora. Organizados, com vontade e dedicação ao limite, com motivação e esperança os impossíveis acontecem.
Este sábado iniciamos um percurso que espero acabar em Maio a subir a escadaria do Jamor. Eu tenho esperança numa época de vitórias, eu sinto a vontade de um treinador e um grupo em alcançar essas metas.
O Arouca é um adversário perigoso, não ganhou no passado domingo à Académica (Taça da Liga) por mais um erro de Olegário (segundo as crónicas) e treinou com o FC Porto a meio da semana para que a motivação subisse ao limite. Mas o Arouca na Luz e Lyon em França serão dois degraus a mais na escada que estamos a subir.
Sinal dos tempos que merece reflexão o estado dos de Liverpool, um dos maiores clubes do Mundo em história e adeptos corre riscos que por cá poucos acreditam ser possíveis. Mas os clubes também acabam e os muito grandes não são excepção.


In ABola

09 outubro 2010

Artigo de Opinião _ Sílvio Cervan



Tinha saudades de protestar
FAOUZI ficou lesionado para mais de dois meses na sequência de uma entrada dura de Fucile. Também em Guimarães o Benfica ficou sem os três pontos mas foi até ao fim do campeonato na sequência duma arbitragem duríssima. A última vez que Villas Boas foi prejudicado pela arbitragem foi num torneio de pré-época em França, foi há tanto tempo que já tem vontade de protestar mesmo quando é beneficiado.
 
O FC Porto leva sete pontos de vantagem, e não há memória de algum clube perder um campeonato com tanta vantagem, mas que existe um nervosismo grande por aqueles lados, disso já ninguém duvida. Eu fico satisfeito ao ver o Benfica a ganhar os seus jogos, jogo a jogo e com serenidade. Se puder voltar aos resultados mais folgados da época passada julgo que os cardiologistas agradecem, caso contrário vitórias justas como a obtida contra o Sp. Braga também servem.

Este ano, o Benfica cria e desperdiça oportunidades de golo como há muito não se via, com um pouco mais de eficácia e já teríamos goleado várias vezes. Aimar contra o Sp. Braga voltou a deslumbrar, pelo que jogou, pelo que fez jogar, pela forma como se entregou ao jogo, como festejou, como defendeu, como correu, disputava em cima do minuto 90 o jogo como se fosse o último da sua vida. Aimar é dos meus eleitos, o futebol é bonito por existirem jogadores assim, nivelam por cima.

Feito digno de sublinhado o conseguido pelo basquetebol do Benfica, ao entrar na elite do basquetebol europeu com uma vitória na Ucrânia. Na tradição do inesquecível cinco de Lisboa: Vieira, Jean Jaques, Guimarães e Mike Plowden, das noites gloriosas do velhinho pavilhão da Luz, desejo que seja possível conseguir algo de aproximado. Para já estamos novamente nos grandes palcos e por isso parabéns ao Henrique Vieira e aos seus jogadores.

In ABola

Obrigado amigo Benfica 73 

04 outubro 2010

Artigo de opinião de Sílvio Cervan


Inversão de valores

O Benfica joga Domingo a sua hipótese de continuar a manter acesa a chama de revalidar o título. 

Embora já todos antecipem a vitória dos azuis e brancos, mais pela sua força fora das quatro linhas do que pela espectacularidade dentro delas, a verdade é que uma vitória domingo poderia pôr o Benfica no segundo lugar à sétima jornada.
Ser segundo pode até nem ser famoso, sobretudo pela diferença pontual, mas seria um tónico óptimo para que o campeonato não tivesse sido decidido pela «fraude» arbitral das primeiras jornadas. A construção pacóvia dum discurso legitimador para aquilo que se passou teve o seu momento mais alto nas críticas ao responsável máximo da arbitragem. Agora parece que o grave não são os erros sistemáticos e unidireccionais, parece que o grave é reconhecê-los de forma honesta.

Vivemos a inversão total de valores no nosso futebol, é preciso ganhar de qualquer maneira que depois sempre haverá quem se disponha a escrever argumentários.
Se na última época a recepção ao Sp. Braga foi o jogo do título, na presente temporada a visita dos arsenalistas significa o direito de poder manter a esperança.
A derrota na Liga dos Campeões não traz nenhuma complicação pontual, nem na Alemanha nem em França haveria a obrigatoriedade de pontuar. A qualificação depende da vitória nos três jogos em casa e na deslocação a Israel. Isso será suficiente mas muito duro de obter.

Absolutamente notável pelo mérito e pela forma, a conquista da Supertaça de hóquei patins no passado domingo em Coimbra.
Notável pelos números com que foi obtida, e notável também pela qualidade do adversário.

O Prof. Luís Sénica, com a conquista consecutiva da Taça de Portugal e da Supertaça, devolveu o Benfica ao topo do hóquei patins português.


In ABola

Obrigado amigo Benfica 73 

27 setembro 2010

Artigo de Opinião _ Sílvio Cervan


Que os erros não se repitam

O Benfica ganhou ao Sporting porque é muito melhor que o rival. Não fez mais que a sua obrigação. O campeonato do Sporting pode ser ganhar ao Benfica, mas o nosso objectivo é ganhar o campeonato, não é ganhar ao Sporting.
Vítor Pereira disse coisas sérias e coisas óbvias, o que sendo raro no nosso futebol, já é motivo para lhe agradecer.

Nós também já sabíamos que sem erros de arbitragem estávamos em primeiro, ainda bem que há responsáveis que também o sabem.
Mais que ter árbitros na ‘jarra’ seria bom não ter árbitros a decidir campeonatos. Tenho de Vítor Pereira a imagem de um homem sério e isso basta-me para preferi-lo a outros protagonistas, sinto tristeza por não poder pensar o mesmo de todos quantos ele dirige.
Que os erros não sejam repetidos, que não sejam sempre no mesmo sentido e que não tenham sempre o mesmo resultado final.
O futebol viciado mantém uma cleptocracia no poder, enquanto aliena espectadores e arruína o espectáculo. A médio prazo, até para quem ganha é mau.
Paulo Bento foi escolhido para seleccionador nacional. Aquele que foi treinador do Sporting com melhores resultados dos próximos 10 anos é uma escolha acertada que espero e desejo que tenha excelentes resultados. Não será nada fácil porque herda uma tarefa ciclópica.

Depois duma tradicionalmente muito difícil deslocação à Madeira, contra um Marítimo treinado por um amigo a quem desejo sorte só depois de sábado, espera-nos a sempre mortífera deslocação à Alemanha. Terra maldita onde nunca ganhámos um jogo, seria pois a altura ideal para Jorge Jesus fazer história com o Benfica e dar o passo decisivo para uma qualificação para os oitavos-de-final da Liga dos Campeões. A almofada de conforto que as arbitragens construíram aos nossos adversários não nos vai estragar a época. Jorge Jesus terá alma para inverter o rumo.
Alea jacta est…

In ABola

Obrigado amigo Benfica 73 

18 setembro 2010

Artigo de Opinião _ Sílvio Cervan



O sistema existe e revolta-se


Depois do Vitória de Guimarães – Benfica, Olegário Benquerença foi arbitrar o Manchester United - Rangers para a Liga dos Campeões. Em Manchester, à cautela ninguém marcou golos (0-0), com medo de levar um amarelo igual ao do Cardozo. A este nível estudam-se todos os pormenores.
Em Guimarães, o Benfica foi estrategicamente mais afastado do título, Roberto esteve bem melhor que Nilson, mas Olegário foi intransponível, em gíria futebolística diria «foi gigante», julgo mesmo ser merecida outra homenagem já. Parabéns aos promotores de homenagens, aqueles que sabem lidar com os «pobres de espírito».
O único caminho que depende só do Benfica, é neste momento, o de tentar melhorar cada vez mais o seu jogo, e deixar que o futebol, alguns dos seus protagonistas e a muita fruta que ainda sobra não consigam decidir tudo. O caminho é estreito e está «Xistrado», mas é o único. A nomeação para o ‘derby’ mostra que «o sistema» existe, é o mesmo de sempre, e se revolta contra quem o põe em causa.
No jogo Europeu de terça-feira, o Benfica cumpriu aquilo que se exigia no regresso à Liga milionária. Ganhou e luta por um apuramento que vai ser apertado e disputado a quatro.

Aimar foi o melhor em campo, fez 70 minutos de delicioso futebol e no fim já na zona de entrevistas deu o mote para o que falta da época. Foi excelente perceber o espírito daquele profissional e eleição.
O Sp. Braga no Dragão escorregou a tempo do Porto não perder pontos e em Londres fez parecer bons os resultados dos azuis e brancos contra os ‘gunners’ nos últimos anos. É bom ter clubes amigos.
Neste momento resta-nos confiar na competência de Jorge Jesus e na qualidade inegável de um plantel que poderá minimizar o embuste que nos preparam com zelo e eficácia. Só um Benfica «do outro mundo» poderá inverter o rumo deste campeonato.

In ABola

Obrigado amigo Benfica 73 

10 setembro 2010

Artigo de Opinião _ Sílvio Cervan


Benfica sem piloto automático

Sobre a confusão geral em torno da Selecção Nacional recuso-me a gastar uma linha mais. Escrevi na semana passada, antes dos dois jogos disputados aquilo que me parecia ir acontecer. Infelizmente aconteceu. 

Espero pois um Benfica em Guimarães sem piloto automático, com energia para manobras difíceis e agilidade para contornar obstáculos. Os êxitos não aparecem nunca por acaso requerem sacrifício e competência.
A ausência de Fábio Coentrão em Guimarães será compensada por dedicação redobrada de quem entrar. Guimarães é um campo tradicionalmente difícil e a vontade de vencer tem que ser ilimitada. Eu acredito numa recuperação consistente. O Benfica joga cada vez melhor e terá cada vez melhores resultados.
Na próxima terça-feira o Benfica volta aos palcos que o tornaram ‘enorme’, a Taça dos Campeões, agora Liga dos Campeões, frente a uns matreiros israelitas. Ganhar será o único pensamento. Teoricamente os mais acessíveis do grupo são, por isso, e na Luz os adversários ideais para o regresso que tanto desejava-mos. É importante aumentar o prestígio Internacional com boas campanhas europeias, e este ano, esse é também um objectivo.

Nuno Gomes sintetizou tranquilamente esta semana que «o que interessa é como as épocas acabam e não como começam».
Concordo e a nossa vai acabar muito bem.
José torres é para a minha geração, que não o viu jogar, já um mito. Faz parte da lenda no Benfica e na Selecção, são impressionantes os registos individuais e colectivos. Golos e títulos como quase nenhum outro jogador conseguiu. É obrigatório lembrá-lo, respeitá-lo mas sobretudo homenageá-lo com o testemunho sempre presente do seu exemplo. O Bom Gigante era bom como pessoa e gigante como jogador.

In ABola

Obrigado amigo Benfica 73 

27 agosto 2010

Artigo de Opinião _ Sílvio Cervan


Ignorar não é resolver o problema

IGNORAR o problema não é resolve-lo. O Benfica tem o melhor plantel da Liga, tem o melhor treinador e tem ainda todas as condições para revalidar o título se não ignorar aquilo que se tem passado.
Independentemente do seu valor, Roberto não pode neste momento ocupar o lugar de guarda-redes do Benfica. Júlio César e Moreira dão garantias e não causam alarme. Nenhum benfiquista se preocupa com qualquer um dos dois na baliza.
Mas convém não esconder o essencial: Roberto pode ter custado ao Benfica três pontos neste campeonato mas os erros de arbitragem já custaram quatro. Roberto ocupa capas de jornais e os erros que nos prejudicaram são notas de rodapé. Roberto é alto e tem ‘costas largas’.
Para ganhar o Benfica terá que ser incomensuravelmente superior, caso contrário o Benfica é aquilo em que na gíria futebolística se chama de ‘traçado’.
Só por inveja ou mesquinhez se pode tirar o mérito a uma equipa que entra na Liga dos Campeões depois de ficar melhor classificada que FC Porto e Sporting no último campeonato e eliminar Celtic e Sevilha. Parabéns ao Sp. Braga, que teve ontem um sorteio simpático na Champions… ao contrário do Benfica.
Detestei o sorteio do Benfica. No pote 1 tivemos o nome menos sonante (Lyon) que é tão difícil como os outros. No pote 3 tivemos em sorte a equipa melhor (Shalke 04) e mais difícil que nos poderia sair, acrescida da maldição alemã: o Benfica nunca ganhou na Alemanha. Do pote 4 recebemos uma viagem longa (Televive), com tantas peras doces aqui tão perto. Não gostei nada do destino, mas estou desejoso que o destino me mostre que estou completamente errado. Espero esta época ter muito mais sorteios para ficar amuado.
Este Agosto nunca mais acaba, e bem que podia acabar com uma vitória sobre o Setúbal, de preferência tranquila.

In ABola

Obrigado amigo Benfica 73 

21 agosto 2010

Artigo de Opinião _ Sílvio Cervan

O Benfica está Salv(i)o
HÁ coisas em que o Porto não mostra a mesma eficiência. Em condições normais não deixaria de ter desviado (termo normalmente usado pelos jornais afectos aos azuis e brancos) Salvio da rota da Luz. Desta vez além de perder o argentino, ainda deixou que a imprensa de ontem na sua esmagadora maioria desse a noticia do desvio, estando a massa associativa do Dragão a ler o jornal e a tomar o pequeno-almoço trocista, enquanto o jovem argentino assinava com o Benfica.
Há coisas hilariantes e há que ter esperança no James Rodrigues fera que 70% do passe custou tanto como Saviola. A mesma eficácia mantém-se contido dentro das quatro linhas, porque quando se joga mal e não se marca, sempre aparece uma mão amiga que resolve o que Hulk e outros incríveis não conseguem. O Porto sabe que neste inicio de época ganhar é o principal. Que o digam Benfica e Sporting que jogando até melhor que o rival, perderam aos seus jogos, sendo certo que não tiveram nem mão amiga nem apito devido.
Mas convém centrar no essencial que é não perder mais pontos e recuperar uma qualidade exibicional que nos ponha a salvo das arbitragens da meia dúzia que conhecemos. Precisamos do rolo compressor que cilindrou aspirações adversárias na última época e Jesus sabe disso. Na deslocação à Madeira encontraremos os perigos habituais e ainda não temos aquela confiança e rotina que nos dê absoluta garantia mas estou certo que conseguiremos manter a rota.
Agora que o Benfica está Salv(i)o vamos conquistar o título.
Vergonhoso todo o processo Carlos Queiroz, reflexo do nosso futebol, mas sobretudo do carácter (ou falta dele), e da forma de actuar que reina no nosso futebol. Se não contam com o seleccionador (e há varias razoes para existir descontentamento) sentam-se, negoceiam, pagam e honram o nome do País. Isto é pior dos exemplos no pior dos pântanos…
In ABola

25 julho 2010

Artigo de Opinião _ Sílvio Cervan

In ABola

Ser ou não ser favorito ao título 

É péssimo para o Benfica ser o principal favorito ao título nacional. Nos últimos 20 anos sempre que fomos favoritos não conseguimos ganhar o campeonato. Os nossos últimos três títulos aconteceram sempre em circunstâncias especiais. Ganhámos depois de um Verão quente (1993) em que perdemos Paulo Sousa, Futre, Pacheco, onde o presidente Jorge de Brito fez ‘das tripas coração’ para manter uma base competitiva mas onde, por isso, os favoritos eram os nossos rivais. Ganhámos com Trapattoni depois de um FC Porto de Mourinho ser campeão europeu e também por essa razão ser novamente o favorito. Ganhámos na última época com a concorrência quase sempre a duvidar das nossas capacidades, e onde só em plena segunda volta fomos claramente reconhecidos pela crítica como os melhores, mesmo quando, desde a pré-época, jogávamos bem e marcávamos muito. Lembro mesmo que, no início da última época, o presidente portista anunciou que não estava a pensar no penta porque estava a preparar o hexa. Em vários outros anos em que tínhamos melhor equipa, (92/93 foi o mais flagrante), em que éramos favoritos, sempre houve ‘movimentos atempados’ nuns casos, e erros nossos noutros, que nos afastaram do objectivo principal.
Este facto seria o bastante para ter prudência na forma como encaramos o próximo campeonato. Ser bicampeão, que outrora foi a normalidade no nosso clube é coisa que o Benfica há muitos anos não consegue (e o Sporting também não).
Nos últimos três jogos marcámos respectivamente quatro, três e cinco golos, jogámos bem, e, mesmo sem alguns titulares importantes, mostrámos qualidade de jogo. Mas talvez por isso a notícia passou a ser o estado de forma de um novo guarda-redes.
O objectivo este ano passou, por isso, a ser o bicampeonato com um golo de Roberto no jogo do título. Eu não faço a coisa por menos…

16 julho 2010

Artigo de Opinião _ Sílvio Cervan

In ABola

Rumo de vitória

A Espanha é uma justa campeã do Mundo, como seria caso fosse a Holanda ou a Alemanha. Neste Mundial os melhores chegaram mais longe. Até aquele Uruguai cheio de alma onde rareava talento merece apreço e simpatia pela forma combativa com que brilhou neste Campeonato de Mundo. A pré-época domina agora o defeso por completo. Compras, vendas e romances. É irrelevante a distribuição aleatória de percentagens pelos candidatos, ou mesmo tentar encontrar campeões nas primeiras semanas de treino. Confesso-me surpreendido pela capacidade do Benfica em segurar no essencial toda a equipa campeã e ainda acrescentar reforços que prometem. Não quero ser campeão de pré-época mas quero ser campeão no fim da época. Este Benfica mostra fio de jogo, mostra ambição e parece exigente consigo próprio. A análise individual dos reforços é prematura mas Gaitán tem neste momento sinal mais. Contra a corrente e a generalidade das opiniões confesso que talvez tenha gostado mais do jogo que ditou a derrota frente ao Sion do que aquele em que goleamos o Aris de Salónica, mas como são as vitórias que ditam os estados de espírito é sempre melhor ganhar. Não tenho dúvidas de que no essencial o caminho está traçado e seremos capazes de lutar pelos nossos objectivos. Os próximos testes serão mais difíceis e poderemos elevar o nosso nível de exigência. A Supertaça será p primeiro verdadeiro teste e não será pelo jogo ser em Aveiro, a meia hora do Porto e 250 km de Lisboa, que me vou queixar do factor casa, como vejo outros fazerem noutras paragens. Aveiro será a nossa casa e não faltará apoio. Porque em Portugal ou onde houver portugueses não falta apoio ao Benfica, e essa é a maior riqueza do Benfica. Neste fim-de-semana, contra o Vitória, tentaremos manter o rumo da vitória.
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