11 outubro 2010

Carta de Luís Filipe Vieira aos sócios


Presidente do Benfica


O presidente do Sport Lisboa e Benfica, Luís Filipe Vieira, escreveu uma carta aos sócios do Clube. Leia na íntegra a mensagem enviada esta segunda-feira aos associados.
 
“Quando o Presidente do Clube escreve a todos os Sócios isso significa que considera o momento tão importante que justifica um contacto mais próximo com aqueles que, verdadeiramente, se interessam pela vida, pela imagem e pelo futuro do nosso Benfica.

A delicadeza da situação impõe que se fale com clareza, sem que a verdade das palavras possa ser interpretada como justificação para uma época que não começou como todos desejaríamos, ou desculpa para culpas próprias que possam ter influenciado resultados abaixo das expectativas de um bom começo de época, que eram inteiramente legítimas tendo em conta o valor dos nossos profissionais.

A vitória no campeonato da época passada, as excelentes exibições e a valia da equipa causaram preocupação a muita gente. Acreditávamos que começavam a ser criadas condições para o regresso a um clima de boas práticas, em que os resultados desportivos fossem o espelho do valor das equipas e do desempenho no terreno de jogo. Mas, o que se passou neste início de campeonato faz-nos temer - ao contrário - que o futebol português esteja, de novo, a ser armadilhado por jogadas de bastidores.

Lamentavelmente, já se registaram atropelos demasiado graves e abusos demasiado evidentes para que possam passar sem uma reacção enérgica. O Director Desportivo, o Treinador e eu próprio, denunciámos o embuste que está a atraiçoar a prática desportiva e voltaremos a fazê-lo tantas vezes quantas as necessárias para que a mentira não seja a regra do nosso futebol e para que os seus autores e aliados sejam desmascarados. Porque é de mentiras que estamos a falar!

O prestígio do Benfica é um valor demasiado sério para que alguém se atreva a brincar com o interesse da instituição. O nosso protesto foi o adequado às circunstâncias e o convite que fizemos aos nossos adeptos, para não comparecerem nos estádios dos nossos adversários, é a medida justa para que sejam todos, e não apenas o Benfica, a reagir para pôr fim a uma situação insustentável. Movem-nos razões de legítima defesa.

Compete aos Sócios e adeptos ajudar esta Direcção a lutar pela verdade e pela transparência no futebol português. Comparecer aos jogos fora significa pactuar com o actual estado do futebol português!

Os dirigentes, a equipa técnica e os atletas não vacilam na vontade de contribuir para que a verdade desportiva prevaleça. Estamos determinados a fazer tudo o que seja necessário para que o clube não seja mais prejudicado. Acima de tudo, exigimos respeito!

Os meus votos são os de que este assunto não me obrigue a voltar a contactar os Sócios do clube, mas não hesitarei em fazê-lo caso não se ponha um ponto final na sucessão de atropelos a que temos vindo a assistir.”

10 outubro 2010

Está tudo na mesma _ por Fernando Guerra


Está tudo na mesma

MAIS escutas sobre o processo Apito Dourado entram no circuito público por bênção de novas tecnologias de comunicação. Em rigor, a única novidade prende-se com os diálogos. No resto, tudo como antes, com os artistas habituais. Apenas os actores secundários se revezam, naquele papel de coitados, qual deles mais se curva no pedido de protecção no apelo aos bons desempenhos dos homens do apito. Dá a ideia de algum poder insondável, que ninguém com atribuições para tal é capaz de identificar, acusar e condenar: se uma pessoa de muitas e ricas influências, se uma organização secreta, se um sistema clandestino. Ou… se é tão-somente a fervilhante imaginação de um pequeno país, onde todos se conhecem e se invejam e em que as discussões no quintal do vizinho são o bálsamo que alivia as dores que atormentam a nossa própria casa.
Vivemos num estado de direito, como insistente e pedagogicamente ouço dizer a propósito de tudo e de nada, não vá o cidadão comum, pouco identificado com a complexidade das leis, pensar que este rectângulo na ponta ocidental da Europa se orienta ainda pelas regras do distante far west, em que no acto de julgar, apurados os factos, depois de pesadas circunstâncias agravantes e atenuantes, se absolvia o autor do disparo e se condenava a vítima pelo crime de intromissão abusiva na trajectória da bala.
Tornou-se uma inutilidade desperdiçar tempo com as escutas a partir da altura em que meia dúzia de tribunais a sério, como lhe chama Miguel Sousa Tavares, as ouviram, analisaram e decidiram: não valem nada. O problema é que quem se considera minimamente identificado com as questões do futebol português, e não tem a sua capacidade auditiva prejudicada, identifica facilmente os intervenientes e percebe, mesmo através de frases tolamente criptografadas, o alcance dos diálogos, não no acessório, mas no essencial: O esquema, o arranjo, o estratagema, a batota…

Por força da lei _ Ricardo Costa


Pequenos e médios

1. Tal como para o país se pedem reformas, também no futebol se sente a necessidade do país. Sentir não é sinónimo de ter vontade de fazer ou, até, de fazer mesmo: no futebol, é igualmente endémica a distância entre o que deve ser feito e o que é feito. No contexto do que é estrutural, alguns problemas (desafios) surgem aos meus olhos como mais evidentes. Um deles é o fosso entre os clubes grandes e os pequenos e médios clubes (PMC).

2. É pernicioso para o futebol profissional não termos uma “classe média” de clubes, forte e sustentada. Temos exemplos de médios que chegaram a ser “grandes” e até campeões e vencedores de competições. Mas não temos, nem nunca tivemos, um conjunto considerável de clubes que se desenvolvessem continuadamente, que, com estabilidade, trouxessem adeptos e receitas, que brigassem com os grandes por posições e lhes retirassem os protagonismos. Clubes que fidelizassem simpatias regionais – como acontece de há muito com o Vitória de Guimarães – e concentrassem os investidores económicos. Alguns desses de que nos lembramos foram até projetos “pessoais” que arrastaram a convicção dos adeptos, projetos assentes na capacidade económica e/ou carismática do “presidente” (e seus próximos), bem como do apoio das autarquias. Com a sua queda ou saída e as dificuldades financeiras dos municípios, alguns ficaram clubes “órfãos”, “adiados” ou “perdidos”. Outros resistiram e, diferentes, seguiram por outro lado. O caminho não é, a meu ver, por aí. Hoje por hoje, a fórmula é adeptos e receitas, com dirigentes capazes em diferentes valências e credibilidade na relação com terceiros e na obtenção de fatores críticos de sucesso nas competições. E, na rubrica das receitas, o papel central cabe sempre, ainda que num mercado exíguo, aos dinheiros da televisão, alavancados na paixão pelo jogo. 

3. Uma Liga atenta ao que se faz lá fora e apostada em “criar valor” com a globalidade dos clubes tem que meter as mãos nesta massa, liderar os que não têm a voz dos grandes e revolucionar o aproveitamento do mercado (não só nacional) e do audiovisual em favor dos PMC. Por uma razão simples: os três grandes têm poder negocial e institucional próprio; todos os outros só o terão verdadeiramente em conjunto. 

4. Mas não só. Há uma teia de medidas que deveriam constituir um verdadeiro programa de emancipação dos PMC. Algumas ideias para a Liga: (a) mobilizar por região a exploração comercial das provas, sustentando parcerias em “cluster” cujos resultados fossem repartidos pelos “pequenos e médios” da região: vejam, no Algarve, as sinergias do Portimonense e do Olhanense; (b) empenhar-se na redução de custos, associando-se com as entidades prestadoras de serviços típicos da atividade desportiva; (c) cooperar com as universidades e os institutos superiores para instituir cursos de formação de dirigentes desportivos, no direito, na gestão, no “marketing”, no agenciamento, etc., que atribuíssem as ferramentas necessárias para uma “nova geração”.

5. E, para grande parte desse programa, é preciso vencer a oligarquia dominante? É, claro! Talvez mesmo o mais difícil.

In Record

Aqui á Gato _ Miguel Góis


Rui e André

Recentemente, até os mais renitentes adeptos do FC Porto começaram a ter razões para acreditar que o futebol português é um caso de polícia. Na segunda à noite, foi uma grande penalidade que não apareceu. Na terça à noite, foi um comentador que desapareceu. Do ponto de vista dos protagonistas, o descontrolo emocional adquiriu diferentes contornos: enquanto André Villas-Boas queria falar de uma coisa que não aconteceu (costuma-se dizer, e agora confirma-se, que os mais novos têm muita imaginação), Rui Moreira recusava-se a falar de uma coisa que aconteceu.

Em termos comparativos, o pungente pedido do técnico do FC Porto à TVI é mais maquiavélico. Procurar um penálti não assinalado contra o FC Porto é uma tarefa para a qual basta um estagiário. Já mandar um estagiário procurar um penálti não assinalado a favor do FC Porto não é uma tarefa, é uma praxe: é a caça ao gambozino dos tempos modernos.
Seja como for, Rui Moreira venceu André Villas-Boas no capítulo da ambivalência. Por um lado, é contra a prática pidesca das escutas; por outro, é a favor da prática pidesca de tentar condicionar os assuntos sobre os quais os outros querem falar. Mas desdramatizemos: sem Rui Moreira, “Trio D’Ataque” melhorou substancialmente. Se Rui Oliveira e Costa também tivesse abandonado o estúdio, aí então teria sido um programa genial. Mas compreendo que tenha que ficar alguém para defender o ponto de vista do FC Porto. E não só: Rui Oliveira e Costa representa também no programa um terceiro grupo, o dos portugueses sem qualquer tipo de escolaridade: quando, por exemplo, se dirige ao moderador para lhe dizer “explicitastes claramente” e “fostes exemplar”. Enfim, as coisas são o que são. Uma laranjeira não dá nêsperas.

In Record

09 outubro 2010

Crónica Semanal do Ricardo Araújo Pereira


António Araújo e judeus do século XVII: vítimas diferentes, a mesma ignomínia

“Obviamente, o João pode ser o João não podia ter sido nomeado para este jogo

RUI MOREIRA
A Bola, 13 de Agosto de 2010
EMBORA quase ninguém tenha dado por isso, há cerca de dois meses foi cometido um crime nestas mesmas páginas. Não é segredo para ninguém que a divulgação do conteúdo das escutas é proibida. Ora, quando usou a expressão o João pode ser o João, Rui Moreira estava, como se sabe, a citar propositadamente uma escuta em que intervém o presidente do Benfica, publicitando o seu conteúdo. Trata-se de um comportamento completamente inaceitável e extremamente pidesco. E vice-versa. Pela minha parte, devo dizer que não participo em autos de fé, e não poso continuar a colaborar passivamente num jornal que se transforma num auto de fé. Não tenho, por isso, outra alternativa senão abandonar esta crónica durante dois parágrafos.
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Creio que a minha posição ficou clara, e espero que esta atitude simbólica contribua para moralizar o debate futebolístico e o próprio mundo em geral. Lamento ter chegado a este ponto, mas o caso é mais grave do que parece: Rui Moreira é reincidente neste tipo de conduta vergonhosa. No dia 26 de Fevereiro de 2010, o jornal i colocou a várias personalidades a seguinte pergunta: Depois dos episódios recentes relacionados com as escutas e o caso Face Oculta, mantém a confiança no primeiro-ministro? A resposta de Rui Moreira foi: «O primeiro-ministro tem que ser um factor de confiança perante o exterior e agora acho que passou a ser um factor de desconfiança perante o exterior». Sei que o leitor está tão chocado como eu. Rui Moreira não faz qualquer comparação entre a Santa Inquisição e as escutas (que todos os historiadores acham parecidíssimas), não condena os bandidos que as publicaram, nem se demarca da porcaria, da canalhice e da insídia. Não só conhece as escutas como as comenta, tendo mesmo o descaramento de tirar conclusões com base no seu conteúdo. Repugnante. Quando é que esta gente compreende que, nisto da escutas, tudo é indigno (menos o que lá é dito)?

ENTRETANTO, parece que houve problemas no Trio d’Ataque, da RTPN. Não costumo assistir mas, ao que me disseram, um dos representantes do Porto no programa abandonou o estúdio – o que acabou por beneficiar o clube. Segundo ouvi dizer, a cadeira vazia revê, no resto do debate, uma postura mais sensata e digna do que o seu ocupante habitual costuma ter. Até nisto têm sorte, os portistas. Evidentemente satisfeitos com a nova representação, os responsáveis da SAD do Porto emitiram um comunicado no qual afirmam que o clube «não apoiará qualquer sócio ou adepto que venha a ser enquadrado como representante do clube, nem lhe prestará qualquer tipo de informação, pelo que todas as suas posições serão sempre pessoais». Na tentativa de manter a excelente cadeira como representante, o Porto decreta um blackout preventivo a um possível futuro comentador. Percebo a intenção, mas gostava que a RTPN arranjasse um substituto. Sem desprimor para os porta-vozes oficiais, seria refrescante ver um comentador do Porto cujas posições fossem, desta vez, sempre pessoais.


OS adeptos de futebol assistiram, na semana que passou, a um fenómeno meteorológico interessante. Todos conhecíamos o fogo-de-santelmo, uma luz provocada por descargas eléctricas na atmosfera, observada frequentemente pelos marinheiros. Parece mesmo fogo, mas não é. «Vi claramente visto o lume vivo», diz Camões n’Os Lusíadas. Esta semana, Portugal conheceu o penalty de Santelmo. Vi claramente visto o penalty nítido, teria dito o poeta, se tivesse escrito a epopeia do futebol português (e em hendecassílabos). De facto na segunda-feira, o penalty era claríssimo. «São muitos dos meus jogadores a dizerem que é demasiado claro», declarou Villas Boas. Apelou a que toda a gente metesse pressão na TVI para mostrar as imagens que, por capricho ou conspiração, se recusava a transmitir. «77:53!», bradava o director de comunicação, sem que se percebesse ao certo se estava a indicar um minuto do jogo ou um versículo da Bíblia que anunciava que o fim estava próximo para todos os que não vissem o penalty.

Artigo de Opinião _ Sílvio Cervan



Tinha saudades de protestar
FAOUZI ficou lesionado para mais de dois meses na sequência de uma entrada dura de Fucile. Também em Guimarães o Benfica ficou sem os três pontos mas foi até ao fim do campeonato na sequência duma arbitragem duríssima. A última vez que Villas Boas foi prejudicado pela arbitragem foi num torneio de pré-época em França, foi há tanto tempo que já tem vontade de protestar mesmo quando é beneficiado.
 
O FC Porto leva sete pontos de vantagem, e não há memória de algum clube perder um campeonato com tanta vantagem, mas que existe um nervosismo grande por aqueles lados, disso já ninguém duvida. Eu fico satisfeito ao ver o Benfica a ganhar os seus jogos, jogo a jogo e com serenidade. Se puder voltar aos resultados mais folgados da época passada julgo que os cardiologistas agradecem, caso contrário vitórias justas como a obtida contra o Sp. Braga também servem.

Este ano, o Benfica cria e desperdiça oportunidades de golo como há muito não se via, com um pouco mais de eficácia e já teríamos goleado várias vezes. Aimar contra o Sp. Braga voltou a deslumbrar, pelo que jogou, pelo que fez jogar, pela forma como se entregou ao jogo, como festejou, como defendeu, como correu, disputava em cima do minuto 90 o jogo como se fosse o último da sua vida. Aimar é dos meus eleitos, o futebol é bonito por existirem jogadores assim, nivelam por cima.

Feito digno de sublinhado o conseguido pelo basquetebol do Benfica, ao entrar na elite do basquetebol europeu com uma vitória na Ucrânia. Na tradição do inesquecível cinco de Lisboa: Vieira, Jean Jaques, Guimarães e Mike Plowden, das noites gloriosas do velhinho pavilhão da Luz, desejo que seja possível conseguir algo de aproximado. Para já estamos novamente nos grandes palcos e por isso parabéns ao Henrique Vieira e aos seus jogadores.

In ABola

Obrigado amigo Benfica 73 

08 outubro 2010

Tempo Útil _ João Gobern


As dependências

O jogo que levou o líder do campeonato a Guimarães – na semana em que chegaram à Internet novos “capítulos” das escutas do Apito Dourado, que a justiça desportiva optou por desconsiderar, porventura chocada com o estilo do Português que por ali se pratica – chegou para provar várias coisas. Numa vertente exterior à partida, ficou patente a facilidade com que André Villas-Boas muda de tom e de discurso, consoante a sua equipa chega ou não ao triunfo. Acontece que os tiros do treinador do FC Porto foram todos de “pólvora seca” – ele viu (ou diz que os seus jogadores viram) um penálti “claro” contra o Vitória. Azar: foram poucos os comentadores que vieram dar-lhe razão. Ignorou um penálti, quase unanimemente reconhecido, de Fucile sobre Edgar. E lançou-se numa exaltada diatribe contra tudo e contra todos. Ora, se muito nos motiva a todos o direito à indignação, convém que este seja exercido em nome de factos visíveis – e não de fantasias moldadas pela conveniência do momento. Mais pedagógico teria sido ver Villas-Boas ter reconhecido que o FC Porto perdeu os primeiros pontos “por preguiça, por arrogância, por falta de atitude”, expressões escolhidas por Miguel Sousa Tavares para caracterizar a ocorrência. Infelizmente, a cultura de vitória não está, por imaturidade ou deformação, ao alcance de todos. Pena que o técnico portista se reclame discípulo de Sir Bobby Robson, que nunca se prestou a espetáculo semelhante, numa carreira longa e preenchida. Pode ser que aprenda.

Há, no entanto, outro sinal a explorar pelos adversários: a dependência que a equipa vem revelando face a Hulk. É evidente que o brasileiro foi, ao longo deste arranque de época, o jogador mais explosivo e gerador de desequilíbrios a atuar em Portugal. Mas fazer dele o “sentido único” fragiliza o coletivo. Hulk, sendo pontualmente arrasador e brilhante, ainda está longe da consistência – e, insisto, isso também passa pela forma como se desgasta em quezílias e reclamações. Neste jogo em particular, com Varela e Belluschi muitos furos abaixo do que já se lhes viu, com Falcão sem serviço e com Fucile a deixar-se dominar pela tremideira, Hulk ficou com todo o peso sobre os ombros. Respondeu bem na jogada do golo e em mais meia dúzia de lances. Mas desperdiçou muito, errou demais, deixou à mostra o seu exasperante egoísmo. Culpa própria? Claro que sim. Mas também responsabilidade de quem o elevou a herói por causa de duas sentenças distintas – mas ambas condenatórias – à saída… de um túnel. 

Já se sabia da perene dependência que o FC Porto mantém relativamente a Jorge Nuno Pinto da Costa e aos seus contactos. Mais uma dependência pode ser perigosa, ou mesmo fatal, para quem quer  ganhar tudo.

In Record

Comunicado do SLBenfica


A verdade da mentira

Em reacção à entrevista do Presidente do Sport Lisboa e Benfica, Luís Filipe Vieira, à Antena 1, o sr. Pinto de Sousa – arguido do processo Apito Dourado – reagiu em comunicado enviado para as redacções dos principais jornais diários.

Como o mesmo contém algumas incorrecções, outras falsidades e outros tantos lapsos de memória, o Sport Lisboa e Benfica vem esclarecer que:

a) O senhor Pinto de Sousa está ligado a um dos períodos mais negros do futebol português, em que o tráfico de influencias, a corrupção e o compadrio foram prática corrente aceite e promovida por alguns dos principais responsáveis do nosso futebol.

b) O facto da justiça ainda não ter condenado o sr. Pinto de Sousa não significa que ele seja inocente. As provas existem, a sua evidência é indesmentível e só um formalismo jurídico ainda não permitiu a sua condenação. É bom recordar que o processo não terminou, está pendente de recurso no tribunal da Relação.

c) O Presidente do Sport Lisboa e Benfica – ao contrário do que foi afirmado pelo senhor Pinto de Sousa – não almoçou com ele “diversas vezes”, jantou duas, a pedido de um amigo comum e – facto relevante – antes de serem conhecidos os contornos e o envolvimento do senhor Pinto de Sousa no Processo Apito Dourado.

d) A verdade nunca pode ser considerada uma manobra de diversão, e só pela cumplicidade de alguns agentes judiciais é que a justiça ignorou a evidência das provas, como bem recentemente ficou provado.

e) O Sport Lisboa e Benfica, efectivamente, nada tem a ver com as amizades do Senhor Pinto de Sousa, mas tem a ver com a transparência e a verdade no futebol português e o facto deste ter voltado a contactar árbitros no activo e a movimentar-se para colocar o senhor Paulo Costa como presidente do futuro Conselho de Arbitragem da FPF. Sinal preocupante de que há quem queira que as velhas práticas voltem a fazer parte do nosso quotidiano.

f) Já agora, e como a memória é curta, convém lembrar que foi o senhor Pinto de Sousa que quis impor – seguramente por indicação de alguém – o senhor Martins dos Santos para a final da Taça de Portugal da época 2003/2004.

h) O senhor Pinto de Sousa pode ainda não ter sido condenado pela justiça, mas não é por isso que voltou a fazer parte dos homens sérios deste país.



In SLBenfica
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