11 outubro 2009

Crónica Semanal do Ricardo Araújo Pereira

In Abola

Desta vez Pinto da Costa tem razão


É muito raro, e portanto trata-se de um facto que merece ser celebrado: Pinto da Costa tem razão. Nos intervalos de receber árbitros em casa para fornecer aconselhamento matrimonial aos seus paizinhos e de atropelar fotógrafos do JN, Pinto da Costa consegue além disso tirar algum tempo a esta vida preenchida para enriquecer o País com declarações. As declarações costumam ser de dois tipos: ou são declarações de José Régio que chegam ao domínio público em segunda mão, habitualmente em cerimónias especiais, através daquilo que Pinto da Costa julga ser declamar (um castigo que nem os versos de Nel Monteiro mereciam, quanto mais os do pobre Régio), ou são declarações da lavra do próprio Pinto da Costa — que são frequentemente mais poéticas. As últimas, pelo menos, soaram-me a poesia.
No aniversário do Futebol Clube de Infesta, o presidente do Porto tomou a palavra para falar, evidentemente, do Benfica. É o tema que vem mais a propósito, até porque, para dizer a verdade, o Benfica vem sempre a propósito. E foi nessa altura que Pinto da Costa proferiu as palavras a que qualquer pessoa de bom senso, não sendo sectária, deve dar razão: «Ao contrário do que alguns dão a entender, o grande adversário do Porto no campeonato é o Braga, e não o Benfica». Há muito tempo que venho dizendo o mesmo: é com o Braga que o Porto vai ter de discutir o segundo lugar do campeonato. Com cuidado, porque o Nacional (e até, quem sabe, o Sporting) pode intrometer-se nesse interessante combate, mas sobretudo será uma luta a dois entre o Braga e o Porto. Que isto seja óbvio apenas para mim e para Pinto da Costa é que eu acho estranho. Em abono da verdade, devo dizer que Pinto da Costa percebeu tudo isto primeiro do que eu. Quando, por exemplo, agradeceu Falcão ao Benfica, estava já a planear esta estratégia de confronto com o Braga: recrutar um reforço que estaria bem no banco do Benfica (marca quase tantos golos como o Cardozo!) é o modo ideal de atacar o Braga. Para se superiorizar ao Benfica, teria de contratar um ponta-de-lança que marcasse mais do que o titular do Glorioso, claro. A aposta de Pinto da Costa no segundo lugar é, portanto, correctíssima, e comprova-se a toda a hora: a notícia segundo a qual o presidente do Porto vendeu mais de 15.000 acções da SAD do Porto indica justamente que o futuro não é tão risonho como nos anos anteriores. É melhor vender tudo enquanto ainda vale alguma coisa e, quem sabe, investir em títulos que valham mais que os do Sporting e Porto juntos. Eu sei de uns que correspondem à descrição, e até tenho alguns. Mas não estou vendedor.

09 outubro 2009

07 outubro 2009

À Lei da Bola _ Pedro Ribeiro

In Sapo Videos

Terapia da Azia

Crónica Semanal do Ricardo Araújo Pereira

In Abola

Força, Sporting

Tenho constatado, com a repugnância que o leitor imagina, que vou desenvolvendo uma simpatia crescente pelos adeptos do Sporting. Ou sou eu que cada vez mais me pareço com eles, ou são eles que cada vez mais se parecem comigo. Seja como for, é horroroso — mas os sportinguistas e eu estamos perto de sermos almas gémeas. Repare o leitor: quando o Sporting perde, os adeptos assobiam; quando o Sporting ganha, como na quinta-feira, os adeptos voltam a assobiar. Esta vontade de, em todas as ocasiões, assobiar o Sporting, é-me tão familiar e natural que me sinto, julgo que com razão, vilipendiado pelos sportinguistas. Eu gosto muito de insultar o treinador dos adversários (é das coisas lindas que o futebol tem), mas não tenho imaginação nem vontade de chamar ao Paulo Bento o que oiço da boca de sportinguistas. Aprecio, tanto como qualquer pessoa, um bom comentário depreciativo acerca dos jogadores rivais, mas não sou faccioso a ponto de ver, nos futebolistas do Sporting, a falta de categoria que os sportinguistas identificam e publicitam em coro. De duas, uma: ou os adeptos do Sporting adoptam comportamento diferente do meu e começam a apoiar o seu clube, ou vejo-me forçado a, por razões de higiene, apoiá-lo eu.

Confesso que nem será difícil: as exibições do Sporting até me têm agradado bastante.
O Leixões, que no ano passado desempenhou aquele papel de equipa revelação que faz um brilharete nas primeiras jornadas e depois cai a pique até ao fim (um papel este ano reservado ao Braga), foi à Luz perder por 5-0. Até aqui tudo muito bem. Acabou o jogo com nove e, como foi referido na generalidade dos jornais, podia ter acabado com menos um ou dois jogadores em campo e com mais um ou dois penalties no bucho. Tudo bem, também. Interessante foi a conferência de imprensa de José Mota. Desde que abandonou o Paços de Ferreira, José Mota apresenta-se aos jornalistas sem o elegante boné amarelo de outros tempos — mas ainda assim consegue dar espectáculo. Desta vez, lamentou que o árbitro não tivesse tido em conta, na hora de expulsar os seus jogadores, que estava perante futebolistas jovens e inexperientes. O rapaz que tentou remover a tíbia ao Di María com os dois pitons da frente deveria ter sido aconselhado.

O jovem que decidiu cortar o Aimar pela raiz a três metros da baliza merecia uma conversa amiga e apoio psicológico. E, segundo José Mota, ninguém deveria ser expulso à meia hora de jogo. Quando é que a FIFA acrescenta à regra das faltas a adenda sobre o minuto do jogo em que são cometidas e a idade do infractor? Julgo que o espectáculo sairia beneficiado se as equipas pudessem entrar em campo com dois ou três delinquentes menores de idade que, depois de terem feito os seus estragos, pudessem ser substituídos a meio da primeira parte. Tudo o que sirva para aperfeiçoar o jogo.

06 outubro 2009

SLBenfica _ P.Ferreira 7ª Jorn.


In Abola

Benfica triunfa na Mata Real ante P. Ferreira (3-1)

O Benfica foi ao reduto do P. Ferreira vencer por 3-1, somar a sexta vitória consecutiva na Liga, em jogo da sétima jornada da prova, e manter a perseguição ao líder, o Sp. Braga.
Os «encarnados» resolveram o encontro ainda na primeira parte. David Luiz abriu logo o marcador aos três minutos, na sequência de um canto convertido por Carlos Martins.

O médio assinou o segundo golo benfiquista, através de um remate de longe, aos 22 minutos. Cardozo fechou a contagem para o lado do Benfica, aos 40 minutos. O paraguaio, através de livre directo, rematou muito forte ao canto superior esquerdo da baliza de Cássio. O guardião pacense não teve nenhuma hipótese.
O Paços ainda reduziu, aos 68 minutos, por Maykon, numa jogada onde David Luiz facilitou e Cristiano aproveitou para assistir o companheiro.

Na primeira parte o Benfica mostrou-se mais sólido e coeso e só não aumentou ainda mais a vantagem devido a duas boas intervenções de Cássio. Durante os primeiros 45 minutos houve pouco Paços de Ferreira.
No segundo tempo a história foi outra. Os ‘castores’ voltaram a mostrar o seu real valor e se não fosse Quim, poderiam mesmo ter igualado o marcador.

Com este resultado a turma da Luz mantém-se como segundo classificado, a dois pontos do Sp. Braga, que lidera a Liga com 21 pontos. Já os pacenses quedam-se pelo décimo posto, com sete pontos.

Ficha técnica:

Árbitro:
João Ferreira (Setúbal), assistido por Pais António e Luís Ramos.

Estádio: Mata Real, em Paços de Ferreira.

Resultado: 1-3.

Marcadores: David Luiz (3), Carlos Martins (22), Cardozo (40).

Benfica: Quim; Rúben Amorim (César Peixoto, 68), Luisão, David Luiz e Shaffer; Javi Garcia, Ramires, Fábio Coentrão e Carlos Martins (Felipe Menezes, 45); Saviola (Weldon, 77) e Cardozo.

Suplentes: Júlio César, Sidnei, Felipe Menezes, Nuno Gomes, Weldon e Keirrison.

05 outubro 2009

SLBenfica _ Stars Fund



In futebol finance

No passado dia 30 de Setembro, a Benfica SAD divulgou através da CMVM a criação do “BENFICA STARS FUND – Fundo Especial de Investimento Mobiliário Fechado”, no valor de 40 milhões de Euros, tendo, como principais activos percentagens dos passes de vários futebolistas que o clube vendeu ao referido Fundo. O Fundo será gerido pela “ESAF – Espírito Santo Fundos de Investimento Mobiliário, SA”, empresa do Grupo BES e tem como objectivo gerar mais valias através das percentagens dos jogadores que fazem parte do Fundo, quando estes se transferirem para outro clube.

Desta forma a Benfica SAD encontra mais uma solução de financiamento para a sua actividade desportiva, nomeadamente para o pagamento das avultadas aquisições de jogadores que nos últimos 3 anos ultrapassaram os 87 milhões de Euros, contra os 51 milhões de Euros gerados em vendas de jogadores. No entanto e no mesmo dia em que foi constituído este Fundo, terminou o prazo para a liquidação da dívida do Benfica à Euroarea, curiosamente no valor de 22 milhões de Euros, exactamente o montante recebido pela alienação dos jogadores ao “Benfica Stars Fund”.

BENFICA STARS FUND”:

Nome do Jogador Percentagem Adquirida Preço Pago pelo Fundo



David Luiz 25% 4.500.000 €
David Simão 25% 375.000 €
Di Maria 20% 4.400.000 €
Javi Garcia 20% 3.400.000 €
Lenadro Pimenta 25% 375.000 €
Miguel Vítor 25% 500.000 €
Nélson Oliveira 25% 2.000.000 €
Roderick Miranda 25% 2.000.000 €
Ruben Amorim 50% 1.500.000 €
Shaffer 40% 1.400.000 €
Urretaviscaya 20% 1.200.000 €
Yartey 25% 375.000 €



Principais notas sobre o “Benfica Stars Fund”:

  • 40 milhões de Euros é o capital inicial do “Benfica Stars Fund”, estando disponíveis 8 milhões de acções (unidades) destinadas a subscritores, tendo cada participação o valor de 5€, ajustados mensalmente consoante o valor líquido global do Fundo.
  • O Fundo não pode deter mais de 60% dos direitos económicos de cada atleta e a Benfica SAD terá sempre que deter 10% dos direitos de cada jogador.
  • Os jogadores elegíveis para fazerem parte do Fundo terão que ter entre 16 e 25 anos e o tempo de contrato a cumprir no clube nunca poderá ser inferior a 3 anos.
  • As percentagens dos passes adquiridos pelo Fundo ao Benfica, servem de referência para negócios futuros. Assim o Benfica fica obrigado a vender um jogador, sempre que a proposta seja igual ou superior ao valor de referência do Fundo.
  • Quando o Benfica receber uma proposta por um jogador, pode readquirir a percentagem do jogador alienada ao Fundo, pelo valor que lhe seria devido caso a proposta fosse aceite.

A constituição de Fundos de jogadores em Portugal não é nova, em 2001 e através da Orey Financial, Sporting, Porto e Boavista constituíram Fundos semelhantes apelidados de “First Portuguese Football Players Fund”.

Em 2003 o Fundo do Sporting atingiu o pico máximo de rentabilidade de 80% com a venda de Cristiano Ronaldo ao Manchester United. Embora muitos investidores tenham saído do Fundo com significativas mais-valias, desde então o valor da carteira foi caindo devido à falta de transferências da mesma ordem. O Fundo terminou em 2007, quando o Sporting comprou as percentagens dos passes jogadores ainda presentes por 3,2 milhões de Euros. Ainda assim a rentabilidade final do Fundo foi de 3%, num investimento inicial por parte do Fundo no valor de 12,4 milhões de Euros.

Em 2004 o FC Porto deu inicio ao seu Fundo com um encaixe financeiro de 6,1 milhões de Euros. Fruto da vitória na Champions League com Mourinho, o Fundo o FC Porto de onde faziam parte os passes dos jogadores Deco, R. Carvalho, P. Ferreira e P.Mendes, chegou a alcançar uma valorização de mais de 37%, no entanto tal como no caso do Sporting, o Fundo terminou em 2008 com a reaquisição dos passes dos jogadores presentes pelo Fc Porto, a troco de 1,7 milhões de Euros.

Desta forma acreditamos que o “Benfica Stars Fund” será um bom investimento para todos os intervenientes.

03 outubro 2009

Crónica Semanal do Ricardo Araújo Pereira

Peço desculpa pelo atraso mas por motivo profissional só hoje consegui colocar a crónica do sábado passado.
Assim que possível coloco a desta semana.

In Abola

Pedro Proença, um homem do avesso

Se alguma vez eu for, em tribunal, acusado de algum crime por uma testemunha ocular, espero sinceramente que essa testemunha seja o árbitro Pedro Proença.
Aquilo que Pedro Proença presencia é sempre o rigoroso oposto daquilo que ele pensa que presenciou – o que é extremamente curioso. As coisas acontecem de pernas para o ar à frente de Pedro Proença. O mundo, que está direito para nós, apresenta-se-lhe do avesso.
Repare o leitor: no ano passado, no estádio do Dragão, Yebda não cometeu qualquer falta sobre Lisandro López. Pedro Proença assinalou a respectiva grande penalidade. Na semana passada, Álvaro Pereira cometeu penalti sobre Alan. Pedro Proença, como é evidente, mandou seguir. Ambas as situações foram avaliadas ao contrário, e foi isso que me permitiu detectar aqui um padrão interessante.
Só há uma coisa que nunca se inverte: quem está de azul e branco, sai beneficiado; quem está de vermelho, sai prejudicado.
O lagarto e o dragão são dois bichos escamosos que largam gosma. Este é um primeiro ponto. O segundo ponto é este: Pinto da Costa e José Eduardo Bettencourt vão assistir ao FC Porto-Sporting juntos, na tribuna presidencial do estádio do Dragão.
Depois de ter assistido ao Nacional-Sporting junto do homem que prometeu ao seu clube o Paulo Assunção e, à última hora, o levou para o FC Porto, Bettencourt prepara-se agora para assistir ao FC Porto-Sporting junto do homem que recebeu o jogador que o seu clube estava quase a contratar. Os sportinguistas, que se saiba, não dizem nada.
A única vez que censuraram uma atitude do presidente do Sporting foi quando ele cometeu o gravíssimo delito de dizer que o plantel do Benfica era bom. Mas hoje, Bettencourt terá, enquanto estiver sentado ao lado do dirigente que está a cumprir pena de suspensão de dois anos por tentativa de corrupção, a admiração dos sócios do Sporting. A menos que elogie o Benfica, claro.
O FC Porto-Sporting de hoje é, não me custa reconhecê-lo, um duelo de titãs. A equipa à qual foi perdoado o penalti de Álvaro Pereira sobre Alan, em Braga, defronta a equipa à qual foi perdoado um penalti de Miguel Veloso sobre Toy, em Alvalade, e a favor da qual se marcou um penalti inexistente. Prevejo, portanto, um jogo com muito futebol por alto.
Quando duas equipas estão a ser levadas ao colo, não faz sentido jogar a bola pela relva. Ao colo do árbitro, os jogadores têm alguma dificuldade de chegar com os pés ao chão.
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