29 agosto 2010

Aqui á Gato _ Miguel Góis


SL Bipolar
 
Há umas semanas, fez-me alguma confusão ouvir Rui Oliveira e Costa no “Trio de Ataque” responder à pergunta sobre como tinha assistido à estreia de João Moutinho com a camisola do FC Porto da seguinte maneira: “Eu, nessa matéria, não tenho estados de alma”. É uma resposta política, bem sei. Mas quando os adeptos – e é nessa condição que Rui Oliveira e Costa se encontra no programa – começam a falar como os presidentes dos conselhos fiscais, sinto que se está a deixar de falar de futebol (não deixa de ser curioso, em todo o caso, que o Sporting tenha nesse programa um adepto que fala como um dirigente, e tenha na presidência um dirigente que fala como um adepto). 

Eu admito que, no que diz respeito ao futebol, a única coisa que tenho são estados de alma. Quando o meu clube ganha, tenho um estado de alma. Quando perde, tenho, feito parvo, outro estado de alma. Se o Nuno Gomes se transferisse para o FC Porto, era capaz de ter uns quinze ou vinte estados de alma ao mesmo tempo. Numa duvidosa opção, guardo a frieza emocional para matérias como o preenchimento do modelo B do IRS. Se bem que até isso consegue ser, para o meu contabilista, uma montanha-russa de emoções.

Se há coisa com que nós, benfiquistas, não pactuamos no futebol é a temperança. No seguimento das últimas quatro derrotas seguidas do Benfica, comecei outra vez a dormir à noite agarrado a um urso de peluche, e sempre com uma luz de presença. A facilidade com que no Benfica um estado de profundíssima euforia dá lugar a um estado de profundíssima depressão é um dos grandes patrimónios do Clube, que deve ser preservado. Por outro lado, é mais fácil manter-se a serenidade em Alvalade e nas Antas, cujos estádios costumam estar às moscas, do que na Luz. Toda a gente sabe que é mais comum instalar-se o pânico onde há multidões.

 In Record

Obrigado amigo Benfica 73 

Liga Zon Sagres SLBenfica _ Setubal


Roberto decisivo no triunfo do Benfica sobre V. Setúbal (3-0)

A vitória sorriu ao Benfica à terceira jornada da Liga. Os encarnados voltaram a triunfar para a Liga esta noite, frente ao V. Setúbal, depois de duas derrotas seguidas na prova. Roberto foi decisivo. O guardião espanhol saltou do banco para defender o penalty que daria o empate aos sadinos.

Recorde aqui as incidências da partida.

Óscar Cardozo abriu as hostilidades logo aos quatro minutos. No primeiro lance de perigo da partida, o paraguaio respondeu da melhor forma a um excelente cruzamento da esquerda de Gaitán.

À passagem do minuto 22, aconteceu o momento decisivo do encontro. Júlio César foi expulso, por falta sobre Zeca na área encarnada. O brasileiro deixou-se antecipar pelo adversário devido a passe arriscado de Maxi Pereira.

Roberto entrou em campo. Os adeptos deram-lhe confiança com um forte aplauso e o espanhol acabou por defender o penalty que devolveria a igualdade ao marcador. Foi um impulsionador para a turma da Luz que, mesmo com menos um elemento, procurou alargar a vantagem.

E a dilatação do resultado aconteceu mesmo e ainda antes do intervalo. Aos 44, Luisão, como um autêntico “capitão”, subiu à área adversária para fazer o 2-0, após um canto muito bem marcado por Pablo Aimar.

O mesmo Aimar viria a selar o resultado final aos 57 minutos. Novamente Gaitán – que também foi ovacionado pelos adeptos – desceu pelo corredor esquerdo e cruzou tenso, mas rasteiro. Diego Costa fez uma defesa incompleta para a frente, onde apareceu o 10 benfiquista a encostar para o fundo das malhas sadinas.

O V. Setúbal nunca conseguiu criar grande perigo ao longo do encontro, sendo que a grande penalidade falhada por Hugo Leal foi o ponto mais alto do ataque da formação do Sado.

Equipas:
BENFICA: Júlio César; Maxi, Luisão, David Luiz e Fábio Coentrão; Javi García, Eduardo Salvio, Gaitán e Aimar; Saviola e Cardozo.
Suplentes: Roberto, César Peixoto, Sidnei, Rúben Amorim, Salvio, Franco Jara e Weldon.

V. SETÚBAL: Diego Costa; Ney, Ricardo Silva, Anderson do Ó, Collin e Miguelito; José Pedro, Hugo Leal, Zeca e Silva; Sassá.
Suplentes: Getúlio Vargas, Michel, François, Regula, Jaílson, Pimenta e Henrique. 

Arbitro: Vasco Santos

In Abola

28 agosto 2010

Simão não voltará a representar a selecção


Em carta enviada à Federação Portuguesa de Futebol (FPF), o internacional português anunciou que não voltará a vestir a camisola da selecção nacional.

A selecção perde assim um dos seus capitães e um dos atletas mais internacionais no activo. Simão já não participará nos jogos de qualificação para o Euro 2012.
Leia a carta enviada por Simão Sabrosa à FPF:

"Exmo. Senhor Presidente,
Dr. Gilberto Madaíl,

Venho, pelo presente, e formalmente, comunicar junto de V.Exa. que, a partir desta data, e em virtude de motivos de ordem pessoal, não poderei estar disponível para representar oficialmente, e como jogador profissional, a Selecção Nacional de Futebol.
Na verdade, e após uma profunda reflexão, acredito que chegou o momento de colocar um termo à minha presença enquanto jogador profissional a representar a nossa Selecção dentro de campo, dando assim espaço também a que novos valores possam fazer o seu percurso de sucesso, tal como também a mim no passado me foi dada essa oportunidade.
Recordo ainda hoje com muito orgulho o dia em que, com 15 anos,  representei Portugal pela primeira vez, e desde essa data outros fantásticos momentos como ter sido Campeão Europeu de Sub16, a minha primeira internacionalização A contra Israel jogo em que marquei também um golo, ter sido Vice-Campeão Europeu em 2004 naquele que foi considerado o melhor Europeu de sempre e organizado pelo nosso País, bem como ainda o Mundial de 2006 em que vivi os melhores momentos que jamais esquecerei.
Foi uma tremenda honra e prazer vestir a camisola da Selecção Nacional e representar e servir Portugal durante todos estes anos, e estou extremamente orgulhoso por ter feito parte de equipas tão extraordinárias que conquistaram tantas vitórias neste mundo do futebol.
Estou igualmente agradecido a todos com quem vivi os meus momentos na Selecção Portuguesa de Futebol, designadamente, colegas, médicos, massagistas, seleccionadores, treinadores, corpo técnico e dirigentes, por todo o apoio, formação, experiência e conduta que me transmitiram e que partilharam comigo ao longo de todos estes anos.
Aproveito esta oportunidade para partilhar que continuarei sempre a apoiar a Selecção de todos nós fora das quatro linhas, e ainda para desejar a todos os maiores sucessos futuros.
Com Amizade,

Simão Sabrosa"

In Sapo Desporto

Crónica Semanal do Ricardo Araújo Pereira



Agora sem mãos
 
É a questão que os benfiquistas mais descrentes colocam a si próprios por estes dias: o Benfica já perdeu o campeonato em Agosto ou os quatro pontos de atraso para o Braga ainda são recuperáveis? É uma inquietação legítima, mas temo que o verdadeiro alcance deste início de época não esteja a ser compreendido por todos.
O problema é este: um campeonato até Jaime Pacheco ganha. Mas ganhar um campeonato à Benfica, às vezes nem o Benfica consegue. O último campeonato foi ganho à Benfica. Com grandes exibições, goleadas, enfrentando o melhor Braga de sempre e um Porto orientado por um treinador tricampeão. Este ano parece-me que faltava alguma motivação. O Braga, desfalcado e empenhado nas competições europeias, aparenta estar menos capaz de suportar uma prova tão longa, e o Porto passou a ser treinado pelo Mourinho de pechisbeque. Era óbvio que o Benfica precisava de um desafio. Daquela emoção que o artista do poço da morte procura quando grita: «Agora mais difícil: sem mãos!» Que se passou, desde há três meses? Jesus é o mesmo. Os jogadores também, quase todos. O que equivale a dizer que o poço é o mesmo e a mota também. Um aborrecimento. As cabriolas do ano passado já não nos impressionariam. Era altura de gritar: «Agora mais difícil: sem vitórias até 28 de Agosto!» O campeonato começa hoje, meus amigos.

“ (…) se, como eu prevejo, o Braga, ficando em segundo lugar, não sobrevive às eliminatórias da Champions, isso significa que o Benfica faz sua toda a receita dos direitos televisivos, sem ter de a dividir a meias com outro clube português participante na competição. Há que estar atento, Sr. Vítor Pereira”
MIGUEL SOUSA TAVARES
6 de Abril de 2010

QUANDO se percebe de futebol é outra coisa. Há quatro meses, o Braga estava a ser beneficiado pela arbitragem – o que, surpreendentemente, favorecia o Benfica. O mesmo Braga que só perdeu o campeonato na última jornada, o mesmo Braga que amealhou pontos suficientes para ser campeão em vários dos últimos campeonatos, estava a ser beneficiado para ajudar o clube cujos calcanhares andou a morder até ao fim. O raciocínio, chamemos-lhe assim, era simples: como, depois de apurado para a Champions, o Braga não passaria à fase de grupos, o Benfica receberia a totalidade dos direitos televisivos, perante a passividade do desatento Sr. Vítor Pereira. Talvez fosse útil a publicação de um manual de instruções para teorias de conspiração. O primeiro mandamento estipularia: se a teoria não tiver pés nem cabeça e se basear apenas numa previsão com a pujança premonitória das do professor Bambo, abandone-a. Aí está uma obra que evitaria alguns embaraços, uma vez que a realidade se encarregou de demonstrar que, tal como pensavam todos os que não estavam de má-fé, este Braga ficou em segundo lugar porque era mesmo superior ao plantel mais caro de sempre do futebol português. Que o Sporting de Braga seja, então, bem-vindo à Liga dos Campeões, até porque não é todos os dias que se consegue ver um Sporting nesta competição.
 
In ABola

Obrigado amigo Benfica 73 
 

27 agosto 2010

Artigo de Opinião _ Sílvio Cervan


Ignorar não é resolver o problema

IGNORAR o problema não é resolve-lo. O Benfica tem o melhor plantel da Liga, tem o melhor treinador e tem ainda todas as condições para revalidar o título se não ignorar aquilo que se tem passado.
Independentemente do seu valor, Roberto não pode neste momento ocupar o lugar de guarda-redes do Benfica. Júlio César e Moreira dão garantias e não causam alarme. Nenhum benfiquista se preocupa com qualquer um dos dois na baliza.
Mas convém não esconder o essencial: Roberto pode ter custado ao Benfica três pontos neste campeonato mas os erros de arbitragem já custaram quatro. Roberto ocupa capas de jornais e os erros que nos prejudicaram são notas de rodapé. Roberto é alto e tem ‘costas largas’.
Para ganhar o Benfica terá que ser incomensuravelmente superior, caso contrário o Benfica é aquilo em que na gíria futebolística se chama de ‘traçado’.
Só por inveja ou mesquinhez se pode tirar o mérito a uma equipa que entra na Liga dos Campeões depois de ficar melhor classificada que FC Porto e Sporting no último campeonato e eliminar Celtic e Sevilha. Parabéns ao Sp. Braga, que teve ontem um sorteio simpático na Champions… ao contrário do Benfica.
Detestei o sorteio do Benfica. No pote 1 tivemos o nome menos sonante (Lyon) que é tão difícil como os outros. No pote 3 tivemos em sorte a equipa melhor (Shalke 04) e mais difícil que nos poderia sair, acrescida da maldição alemã: o Benfica nunca ganhou na Alemanha. Do pote 4 recebemos uma viagem longa (Televive), com tantas peras doces aqui tão perto. Não gostei nada do destino, mas estou desejoso que o destino me mostre que estou completamente errado. Espero esta época ter muito mais sorteios para ficar amuado.
Este Agosto nunca mais acaba, e bem que podia acabar com uma vitória sobre o Setúbal, de preferência tranquila.

In ABola

Obrigado amigo Benfica 73 

26 agosto 2010

Crónica Semanal de Leonor Pinhão

Até 19 de Setembro, que ninguém se enerve!

NÃO é a primeira vez nem será, porventura, a última que as circunstâncias me obrigam a partilhar com os caríssimos leitores algumas noções que me foram ensinadas na infância pelo meu avô, um grande educador no que diz respeito ao comportamento minimamente exigível ao mais comum dos adeptos do Benfica, quer em público quer em privado.
Ora aprendam, se quiserem, com este episódio ocorrido há muitos, muitos anos, quando a CUF do Barreiro militava na divisão principal e, pelo final de uma tarde cinzenta de domingo, o bordo de um barco fervilhante de indignação, regressávamos os dois a Lisboa depois de uma derrota do Glorioso no campo da CUF.
A falange benfiquista lotava o cacilheiro e tal como as águas de Tejo espelhavam o céu, as conversas, em tom alto e desabrido, espelhavam o desânimo, a revolta, a intolerância dos passageiros esbaforidos perante o resultado do jogo.
Sentados lado a lado, ouvíamos o troar dos debates exaltados e de tal modo que o barco parecia navegar por vontade própria, abafado que fora pela barulheira o roncar do motor. O chinfrim, a mim, não me dizia nada. Naturalmente o que eu queria, naquele instante confuso que precede todas as crises de fé, era ouvir a opinião do meu avô.
- Foi muito mau perder, não foi? – perguntei-lhe em voz baixa.
- Quanto mais o Benfica perde mais eu gosto do Benfica – respondeu-me num tom peremptório e suficientemente alto para que os passageiros mais próximos o ouvissem e se calassem, momentaneamente embaraçados pela tirada do ancião que não admitia discussões. Mesmo assim, passado o pasmo inicial, houve logo quem pretendesse arrastar o meu avô para concordâncias fáceis.
- Mas não acha que Fulano não jogou nada? E que Sicrano está gordo? E que Beltrano não tem categoria para vestir a nossa camisola?
À espera da resposta, cravaram-se no velho uma dúzia de pares de olhos espevitados pela curiosidade que não foi satisfeita.
- Olhe, amigo, para mim dizer mal de qualquer jogador do Benfica é mais feio do que cuspir na sopa.
E acabou-se ali a conversa. Pelo menos naquele recanto daquele cacilheiro naquela viagem depois de uma derrota do Glorioso no campo da CUF do Barreiro.

25 agosto 2010

Tempo Útil _ João Gobern


De mãos a abanar

Nem os portistas mais convictos nem os benfiquistas mais céticos, do alto das suas conjeturas e adivinhações, poderiam prever que os do Norte consumassem, ao encerrar da sua jornada, uma vantagem pontual que já pode considerar-se bastante interessante (seis pontos é mais coisa de segunda metade de campeonato), e que os do Sul contabilizassem já – nos mesmos dois jogos – um número de derrotas semelhante ao de toda a prova a época passada. Se a dupla vitória do FC Porto nada tem de anormal, até porque Villas-Boas parece gozar da estrelinha dos predestinados para começar a ganhar ainda antes de mostrar serviço (exceção feita à Supertaça, em que manietou o Benfica), a dupla derrota do campeão nacional veio lançar nuvens sobre “o novo ciclo” e dúvidas sobre algumas das mudanças operadas por Jorge Jesus.
É verdade que Gaitán e Jara (este um jogador de fibra e de combate, como qualquer adepto gosta de ver) ainda estão longe de fazer esquecer Di María e Ramires. Não é menos certo que, até à próxima terça-feira, 31, ainda pode haver quem sonhe com outras paragens e, fundamentalmente, com outros ordenados, acabando por se deixar afetar. Depois, há que ter em consideração as novidades (um sistema 4x3x3 mas à moda de Jorge Jesus) e as falhas (a pressão alta que tantos frutos deu no passado recente) da responsabilidade de Jorge Jesus. Dirão os mais entusiastas que o fator sorte não tem ajudado e que as bolas que entravam antes ficam agora “à porta”. Pode, também, começar a fazer-se coleção dos penáltis que ficam por marcar a favor do Benfica, enquanto são assinalados a favor dos rivais.
Com tudo isto, o alvo mais imediato para o “tiro ao boneco” é mesmo Roberto. Quero acreditar que uma gestão vitoriosa e corajosa não teve um assomo de loucura quando decidiu pagar 8,5 milhões por um guarda-redes. Acredito que, com tempo e com muito trabalho nos treinos, Roberto possa ainda vir a “justificar os cacaus”. Acontece que não só foi a contratação mais cara da época benfiquista como lhe cabe em sorte a substituição de Quim, que (injustamente) nunca terá sido um bem-amado mas soube ir conquistando o respeito até dos que não eram seus fãs. A comparação é desastrosa para o espanhol, que grita de mais, treme de mais, hesita de mais, enerva-se de mais, enerva de mais os outros, paralisa de mais… e sofre golos a um ritmo insuportável para o Benfica. Que, como já se percebeu, não tem mais tempo para o levar ao colo, sob pena de todos os prejuízos com os insucessos da época se juntarem à fatura do guardião.
A ideia de um empréstimo de Roberto com regresso lá mais para diante e a descoberta de um experiente que dê garantias imediatas parece a melhor solução. Mas ainda será possível?

In Record

24 agosto 2010

Com amigos assim quem precisa de inimigos!!!!!!


Um aviso aos benfiquistas

A recente publicação - como sempre anónima - de um post, num outro blogue benfiquista, sobre a forma como alegadamente o presidente do Benfica não consegue separar negócios pessoais com interesses do clube, leva-me a contar um episódio, que se passou, num dos últimos dias, que antecederam a realização do anterior acto eleitoral do Benfica. Se bem se lembram, uma decisão de um Tribunal da Comarca de Lisboa, decretou uma providência cautelar que impedia que o presidente recandidato se apresentasse a eleições. Nessa mesma noite, o Movimento Benfica Vencer Vencer, que já tinha tomado a decisão de não se apresentar a eleições, pelas razões que todos conhecem, reuniu-se para debater a situação no clube e, sobretudo, a iminência de Bruno Carvalho se apresentar sozinho a eleições.

O mesmo Bruno Carvalho que, meses antes, suplicara pelo apoio de algumas das figuras emergentes do Movimento e que, depois, em campanha, acabou por escarnecer de algumas delas, para ganhar os votos fáceis de meia dúzia de apaniguados. O que é verdade é que a situação chegou a parecer assustadora, porque, no limite, escolher entre Luis Filipe Vieira e Bruno Carvalho, por muito que isso pudesse doer a alguns dos integrantes do Movimento, nem devia ser motivo para hesitar.

Acontece, porém, que essa reunião, mais do que qualquer outra, foi, para mim e outras pessoas que iniciaram o Movimento, esclarecedora. De um lado, os que defendiam, como eu, que tínhamos de avançar, se o tribunal confirmasse a impossibilidade de Vieira se recandidatar e, do outro, todos aqueles que estavam no Movimento, por ressentimento puro, contra o presidente do clube.

Como sabem, nunca escondi que não simpatizo com Luis Filipe Vieira. E até tenho razões pessoais para não simpatizar. Quando fui director de comunicação do Vitória de Guimarães, cheguei a pedir ao presidente do clube, autorização para não estar presente no jantar de direcções, num jogo entre ambos os clubes, para não ter de cumprimentar o presidente do Benfica. Fi-lo, porque não sou hipócrita e porque sei que a antipatia é mútua e, portanto, não gosto de disfarces de circustância.

Mas não confundo as coisas. O facto de não gostar pessoalmente de Luis Filipe Vieira, não pode legitimar qualquer espécie de ataque ao Benfica. E o que se discutiu, nessa noite, insisto por ressentimento puro, foi um ataque ao Benfica, porque algumas dessas pessoas, achavam que o Movimento não devia fazer nada, deixando que Bruno Carvalho se candidatasse sozinho e até apoiando juridicamente a insistência do candidato em ganhar as eleições na secretaria, permitindo que um novo aventureiro chegasse à presidência do Benfica, depois de Vale e Azevedo.

Recordo nessa noite a intervenção de Fernando Tavares, sempre uma das pessoas mais lúcidas do Movimento, ameaçando que ele próprio terminaria a sua intervenção ali mesmo, nessa noite, se algumas pessoas insistissem em confundir estratégia eleitoral com vinganças pessoais. Outras pessoas, como o médico João Varandas, o juiz Rui Rangel, alertaram para os perigos que seria deixar Bruno Carvalho sozinho, nas eleições. Pelo que, pela noite dentro, foi fácil encontrar uma larga maioria de benfiquista que decidiu ir a votos, se se confirmasse, no dia seguinte, a indisponibilidade de Vieira.

Conto isto, porquê? Porque Vieira tem muitos inimigos, demasiados inimigos. Muitos deles, por culpa própria, porque não dá valor às pessoas e a uma coisa que dificilmente se perdoa...lealdade. E muitos desses inimigos não lhe perdoam, até ao dia em que o virem sair do clube. Para mim, como sabem, isso pode nem ser uma tragédia, desde que o clube fique em boas mãos. E por isso é que os benfiquistas devem ser cuidadosos com a leitura que fazem do muito que é escrito, na imprensa e sobretudo nos blogues.

E principalmente, devem manter o sangue-frio, porque, curiosamente, estas coisas só acontecem quando o Benfica perde. E quando acontecem, tudo parece concertado. Há demasiados interesses à volta do Benfica, há demasiado ressentimento à volta do presidente do clube e, no meio, os benfiquistas que são muitos, são intolerantes com a derrota e influenciáveis com o desânimo.

Para tudo isto, há um remédio. É fazer o que eu faço e outros benfiquistas que conheço. Apoiar a equipa, apoiar o treinador, os jogadores e acreditar que ninguém perde campeonatos em Agosto. Quanto ao resto, acreditem no que vos digo, não se metam numa guerra que não é vossa. E nunca perder de vista que o adversário está situado a Norte e está a recuperar forças, enquanto os benfiquistas se divertem com este actual espectáculo fracticida, que ameaça dividir o clube e estagnar as conquistas.
José Marinho 

Obrigado especial ao  'Mágico SLB'

Photobucket