04 novembro 2010

Crónica Semanal de Leonor Pinhão


Do pior que se pode imaginar
 
O presidente do FC Porto não é um literato, nem um actor, nem um historiador, nem nada que se pareça com uma figura de intelectual ainda que lhe gabem muito, no círculo provinciano onde pontifica, os méritos de recitador de poesias.
Em momentos de maior deslumbramento, o presidente do FC Porto já produziu alguns recitais que foram vistos em todo o país graças à invenção da televisão. Tratando-se de um amador, sem outras credenciais que não sejam a da sua celebridade como dirigente desportivo, deve poder dizer-se que como declamador de poesia o presidente do FC Porto é, para quem nunca tenha assistido, do pior que se possa imaginar.
Mas não é justo criticar alguém por não exibir qualidades que não são tecnicamente as suas. No entanto, já é digno de nota o descaramento com que se abalança a essas exibições confrangedoras e muito aplaudidas no seu tal círculo restrito de admiradores.
Não sendo também um literato nem um historiador, no último fim-de-semana o presidente do FC Porto abalançou-se, com o mesmo descaramento que o leva a recitar como um inapto em público, a proferir uma palestra histórica sobre a conquista de Lisboa pelo nosso primeiro rei, primando pelas calinadas que, até ao momento, ficaram por corrigir.
Procurando uma analogia tão lamentável quanto serôdia entre a conquista de Lisboa e a rivalidade futebolística entre o seu clube e o Benfica, disse o presidente do FC Porto a uma plateia como sempre rendida, enfim, sem massa crítica: «Em 1134, o bispo do Porto, D. Pedro Picoas, exortou os cristãos a juntarem-se para ir a Lisboa para conquistar os mouros e expulsá-los de Portugal. Para além de um Santo, D. Pedro Picoas foi também um grande sábio.»
Ore o presidente do FC Porto não só não é um sábio como também é um pequeno ignorante atrevido, campo em que não está sozinho e até estará muitíssimo bem acompanhado por gentes com outras e maiores responsabilidades intelectuais, se é que isso serve a alguém de consolo.
A conquista de Lisboa não foi em 1134 mas em 1147, exactamente treze anos mais tarde do que a data catedraticamente apontada pelo presidente do FC Porto.
Mas este é um erro que se justifica vindo do presidente do FC Porto. Nem é bem um erro, é mais um vício, um tique compulsivo. É que também a data de fundação do FC Porto sofreu um desvio de 13 anos e, por bula papal, recuou de 1906 para 1893 sem que houvesse sequer discussão.

Proença e o SLbenfica

03 novembro 2010

Tempo Útil _ João Gobern



Fora de horas

O despedimento de Jesualdo Ferreira do Málaga está longe de ser o primeiro na longa carreira do técnico – infelizmente, o recurso à “chicotada” é a terapêutica mais fácil e mais repetida no mundo do futebol. Pode mesmo dizer-se que o melhor período da vida profissional do professor de Mirandela começou no dia em que foi despedido do Benfica, na sequência de uma eliminação vista como escandalosa da Taça de Portugal. Seguiram-se, no caminho de Jesualdo, as épocas que chegaram para solidificar o Braga como o quarto “grande”, lançando muitas das bases depois rentabilizadas por Jorge Costa, Jorge Jesus e Domingos Paciência, e os anos como treinador principal do FC Porto, onde alcançou a proeza de ser o único chefe técnico português a ganhar três campeonatos consecutivos, sem nunca conquistar os adeptos mais exigentes do clube.

Por tudo isto, será ridículo pôr em causa o valor profissional de Jesualdo Ferreira. Mas, acredito, soubesse ele o que sabe hoje, e talvez os euros andaluzes não tivessem falado mais alto do que a paciência – se estivesse livre ao tempo da caça a Queiroz, o “senador” Jesualdo teria argumentos suficientes para se bater (pelo menos) de igual para igual com os do candidato Paulo Bento. Assim, com estes três meses de atividade externa, corre-se o risco de uma mancha no último capítulo de alta competição de quem merecia outro desfecho. Resta saber se o professor está disposto a recomeçar… fora de horas. Já agora: para aqueles que propagandeiam o valor dos treinadores portugueses, este afastamento é um sério revés. Que deixa outra vez José Mourinho a “falar sozinho” o nosso Português, no que toca aos países realmente competitivos e à conquista de troféus de valor incontestado.
Ontem, na Luz, 15 minutos chegaram para passar do sublime ao susto. Depois da inesperada baixa de Aimar, valeu o jogo soberbo de Carlos Martins (a exibição mais completa que se lhe viu na Luz), seguido de perto por Fábio Coentrão, precisa e orgulhosamente os dois portugueses que se têm afirmado como mais-valias no plantel, e à distância por Javi García, Luisão e Kardec. Mais: o Benfica “ganhou” Salvio, repentista e craque, decisivo a lançar a jogada do segundo golo (passe milimétrico para Martins) e a ganhar de cabeça a bola que permitiu o contra-ataque do quarto.

Não houvesse Dragão no próximo domingo e estou convicto de que o peso dos números seria forçosamente outro – sem aquela tremideira “fora de horas” que vem relançar algumas dúvidas sobre o banco do Benfica. Filipe Menezes, Weldon e Jara ficaram muitos furos abaixo dos antecessores. Mas, em boa verdade, já não contava – o primeiro passo benfiquista deste novembro “tudo ou nada” foi mesmo de gigante.

In Record

O Voo da Águia_ Marta Rebelo



Aimar, ir e voltar

O Benfica espetáculo da época passada já lá vai. Depois da corrida de obstáculos no início da Liga, o SLB 2010/2011 pode levar cinco vitórias consecutivas, mas a Vitória já voou mais alto. Jorge Jesus passou de Mister-Maravilha a um vencedor pragmático, que nos impôs uma dieta de golos racional e que nos deixa muito espaço na barriga depois de marcarmos apenas um ou dois.

O Paços de Ferreira não é pera doce. Aliás, já deu a provar o seu amargar a vários e honrados clubes desde agosto. E foi com o mesmo espírito de combate que se apresentou na Luz, numa noite de temporal e de muita magia argentina. Há jogos que não têm história. E temo que o Benfica, 2 - Paços de Ferreira, 0 fosse mais um, não tivesse Pablito Aimar construído um golo do início ao fim, aos 14’ da primeira metade, e deixado de cara à banda os pacenses e os colegas de equipa. Já aqui escrevi muitas vezes que Aimar joga que é uma beleza, mas em raras ocasiões faz bonito para lá dos 45’. As pernas costumam faltar-lhe. Pois na sexta-feira nada lhe faltou, desbloqueou um jogo que poucas vezes passou de morno e deixou-nos esquecer César Peixoto; que Gaitán não sabe tomar posição defensiva no terreno após um ataque; que o David Luiz está como este outro Benfica de JJ: pragmático mas sem a magia na ponta dos caracóis; e que Coentrão está em desperdício, sem conquistar rotinas de jogo, a oscilar entre a defesa e o extremo do corredor esquerdo. No Dragão, não há espaço para defesas de aprendiz. Tal como contra o Braga, Fabito tem de regressar à defesa.

E para a semana, temos greve de árbitros. Se viesse um espanhol arbitrar o FCP-Glorioso talvez não fosse má ideia, pois as probabilidades de a Associação de Futebol do Porto o homenagear nos próximos dias são escassas. Mas nunca se sabe.

In Record

02 novembro 2010

Liga dos Campeões SLBenfica _ Lyon


Benfica derrota Lyon com Carlos Martins a brilhar

 O Benfica somou, esta noite, a segunda vitória na Liga dos Campeões. Os encarnados receberam o Lyon e venceram por 4-3 na quarta jornada do Grupo B da prova. Destaque para Carlos Martins, pois os quatro golos da turma da Luz saíram dos pés do médio.

Clique aqui para consultar a ficha de jogo, as incidências da partida e os comentários dos leitores.

Ao intervalo, as águias já venciam por 3-0 e estavam a realizar uma exibição brilhante a todos os níveis. Alan Kardec inaugurou o marcador, Fábio Coentrão e Javi García alargaram a vantagem. Três golos também com a marca de Carlos Martins.

O médio internacional português marcou o livre para o primeiro golo, centrou para o segundo e cobrou o canto do terceiro. E voltaria a assistir Coentrão no segundo tempo, num contra-ataque rápido.

Nos últimos 15 minutos, o Lyon fez três golos, aproveitando algum adormecimento do Benfica, que se encostou à margem de quatro golos alcançada antes e reduziu o ritmo quando Martins, o dínamo benfiquista, foi substituído. Gourcuff, Gomis e Lovren assinaram os tentos dos gones na Luz.

Volta a estar tudo em aberto nas contas do Grupo B, já que Schalke 04 e Hapoel empataram a zero em Telavive. O Benfica é terceiro classificado, com seis pontos, a três do Lyon e um do Schalke e com mais cinco de a formação israelita. 


In ABola 
 
Ai Jesus não inventes, faz o que fizeste a época passada.

Ou começo eu a ficar passado..........

Supertaça Basquetebol : SLBenfica vence Porto

 
 O Benfica impôs-se ao FC Porto por 66-63, na decisão da Supertaça disputada, esta segunda-feira, em Albufeira.

Frente a frente, o campeão nacional e o vencedor da Taça de Portugal. Sem surpresa, águias e dragões protagonizaram duelo pautado pelo equilíbrio, levando até ao fim a incerteza quanto ao resultado final.

O Benfica, que entrou para o quarto e último período a perder por 52-53, acabou por vencer por 66-63. A equipa de Henrique Vieira soma, assim, o 9.º título na Supertaça, desempatando com a Ovarense.

Lançamento triplo de Sérgio Ramos, a 32 segundos do fim, colocou as águias a vencer por 64-60. Carlos Andrade respondeu na mesma moeda e pôs o resultado em 64-63, quando havia 20 segundos para jogar.

Ben Reed – eleito MVP da partida – sentenciaria o triunfo encarnado, com dois lançamentos livres.

In ABola
 

SLBenfica _ Museu a todo o vapor


O museu do Benfica vai tornar-se realidade no final de 2011 e tem como referência, entre outros, o do Manchester United. A sala onde os encarnados vão expor os troféus e as principais conquistas será um espaço multimédia.
Principal obra idealizada por Luís Filipe Vieira para o seu terceiro mandato como presidente das águias, o museu corre a todo o vapor. Ontem, no dia em que completou 7 anos da sua primeira eleição, abriu as portas do departamento de Reserva, Conservação e Restauro (RCR) e do Centro de Documentação e Informação a antigos jogadores e sócios fundadores. Para o dirigente, são “dois projectos inéditos na história do clube e que juntos servirão de alicerce ao museu”.

Goglioso
O RCR funciona no piso -2 do Estádio da Luz. Ali, uma equipa trabalha na preservação e manutenção das 20 mil peças que constituem a colecção encarnada. Nada falta: desde uma sala preparada para a conservação de materiais até um laboratório de intervenção em metais, passando por um espaço dedicado a desinfestações.
No segundo andar do estádio outra equipa dedica-se à preservação e classificação, em formato digital, de artigos de imprensa (do clube e não só), rádio e televisão. Como se exemplificou na ocasião, até um motor de busca foi criado para facilitar a pesquisa – o Goglioso, semelhante ao Google, ao Yahoo ou ao português Sapo. No futuro, estudantes, investigadores e sócios poderão consultar essa documentação. “Vamos disponibilizar a nossa documentação, a nossa história, às universidades de Portugal e do Mundo”, disse Vieira.

In Record

Email Aberto _ Domingos Amaral


Fracos arranques

From: Domingos Amaral
To: André Villas-Boas

Caro André Villas-Boas
Um dia destes, disseste que não havia campeões à 9.ª jornada e tinhas toda a razão. É uma daquelas coisas tão óbvias que parece uma verdade infantil. Contudo, lembrei-me de Steven Gerard, o jogador do Liverpool, que aqui há uns anos acrescentou a essa simples constatação um raciocínio mais complexo, mas também mais verdadeiro. Disse o inglês que “nas primeiras 10 jornadas não se pode ganhar um campeonato, mas pode-se perder um campeonato”. E, de facto, foi isso que se verificou este ano em Portugal.
Tanto o Braga, que tão bem jogou a época passada; como o Sporting, que tanto se reforçou em comparação com os tempos de Paulo Bento; como o Benfica, que vinha de uma época supersónica, onde fora campeão, e além disso constituíra, nas palavras do seu presidente, “a equipa mais cara de sempre”; arrancaram mal. À 9.ª jornada, perderam muitos pontos, demasiados pontos, e estão os três a uma importante distância da tua equipa, o FC Porto. Isto, é evidente, não tira mérito nenhum ao teu trabalho, nem desvaloriza as tuas vitórias.
Porém, tudo seria diferente se os adversários continuassem por perto. Não fosse a fraca partida de Braga, Sporting e sobretudo do Benfica, e outro galo cantaria. A pressão sobre a tua equipa seria outra, e a confiança dos teus jogadores estaria permanentemente a ser testada. Assim, não está. Ao contrário do Benfica, que o ano passado só ultrapassou o FC Porto nesta altura, e teve o Braga à sua frente até mais de metade do campeonato, este ano ninguém te tem dado luta. Tu ainda não és campeão à 9.ª jornada, mas Braga, Sporting e Benfica já praticamente perderam o campeonato.

In Record
 
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