29 outubro 2009

Cartoon

Entrevista LFVieira e DSOliveira ao Diário Económico

In Diário Económico

“Benfica aumentou receitas em 30% com as goleadas”


Em entrevista ao Diário Económico, o presidente do Benfica fala sobre o treinador, a venda de jogadores e as acções em bolsa.

O presidente do Benfica, Luís Filipe Vieira, e o administrador da SAD, Domingos Soares de Oliveira, estiveram duas horas à conversa com o Diário Económico. Contas, futebol, jogadores, novo fundo, bolsa e o futuro do clube foram os grandes temas abordados ao longo da entrevista.

O Benfica ultrapassou a meta dos 200 mil sócios. Qual é agora o objectivo e em quanto tempo pretendem alcançá-lo?
Luís Filipe Vieira:
A estratégia utilizada, desde que chegámos a esta casa, está focada nos sócios do Sport Lisboa e Benfica. Pensamos que iremos conseguir cumprir o novo objectivo que é atingir os 300 mil sócios.

Tem algum objectivo definido em termos de ‘timing' para atingir os 300 mil sócios?
LFV:
Não tenho uma meta temporal, apenas o objectivo final. Confesso que tinha uma determinada expectativa que não foi cumprida. Gostaria de estar já a celebrar os 300 mil, mas fui demasiado ambicioso. Agora, alcançámos os 200 mil sócios, o que não deixa de ser notável. Não em seis ou sete meses. Sinceramente não sei em quanto tempo, mas da forma como a equipa se está a aproximar dos sócios chegaremos lá em breve.

Destes 200 mil sócios, quantos são pagantes?
LFV:
Mais de 60% têm débito directo. E fomos o último clube a fazer uma renumeração de todo o universo de sócios. Foi em 2005. Isso significa que todos aqueles que já não reuniam as condições foram "limpos" da base de dados.

Como estão as negociações para o ‘naming' do estádio?
Domingos Soares de Oliveira
: Continuamos em negociações. Ainda não está fechado o processo. Este é talvez o projecto mais difícil em termos de venda.

Difícil porquê?
DSO:
Difícil porque é um valor elevado, embora não seja mais caro do que as camisolas. Enquanto o patrocinador das camisolas tem uma visibilidade diária, o patrocinador do estádio não tem essa mesma visibilidade. Continuamos com propostas activas e acreditamos que, a curto/médio prazo, vai ser possível fechar esse patrocínio.

E estamos a falar de empresas nacionais que já apresentaram propostas?
DSO:
Estamos mais a falar de empresas internacionais, do que nacionais. Sim, já apresentaram propostas. Para uma empresa internacional, a sua associação ao Benfica é muito forte. O melhor exemplo é o caso da Repsol. A frota de clientes/sócios do Benfica é hoje o primeiro, ou o segundo, melhor cliente da Repsol.

E quais são as grandes prioridades para este mandato?
LFV:
A herança que recebemos foi muito pesada. Ainda hoje temos de responder por erros e irresponsabilidades de um determinado período da nossa história. Durante a campanha eleitoral, assumi que a prioridade seria a vertente desportiva. Queremos deixar o museu concluído e fazer a revisão de estatutos.

A casa está arrumada?
LFV
: Sim, a casa hoje já está arrumada. O que nos tem faltado são os resultados desportivos, sobretudo porque tínhamos outras prioridades.

Está de tal forma apetecível, que receia uma nova Oferta Pública de Aquisição?
LFV:
Não, não receio. O maior accionista da SAD Benfiquista vai ser sempre o clube. Esse perigo não existe.

Noutras SAD, o presidente é bem remunerado. No Benfica, o presidente não é pago. Qual é a lógica?
DSO:
Nenhum dos Órgãos Sociais eleitos pelos sócios é remunerado. É a lógica de quem serve o Benfica, serve com espírito de missão e não de qualquer remuneração. E não creio que haja intenção de alterar essa situação.

As goleadas já estão a reflectir-se nas receitas de bilheteira?
LFV:
As receitas de bilheteira são compostas por duas vertentes. Aquilo que são as receitas dos bilhetes de época, cativos e camarotes cresceu face aos últimos anos. E depois temos uma segunda vertente de jogo a jogo que, tipicamente, é mais comprado por adepto do que por sócio. Nesta vertente, estamos com o triplo da facturação, em relação ao ano passado. No campeonato nacional e nas competições europeias estamos com o volume de receitas 30% acima do valor do ano passado.

Os resultados de amanhã vão ser elucidativos da ausência de venda de jogadores?
LFV
: Os resultados vão reflectir a estratégia. Para além disso, se uma liga dos Campeões vale cerca de 15 milhões de euros... é uma questão de fazer contas. Mas repito, sabemos exactamente o terreno que estamos a pisar. A conta de resultados será influenciada de forma significativa mas, do ponto de vista financeiro, temos a capacidade para aguentar esse impacto de não vender jogadores. Toda a gente reconhece que os activos, os jogadores, valem muitíssimo mais hoje do que valiam há um ano atrás.

Durante dois anos?
LFV
: Durante dois, se for necessário. Se isso é algo que queremos manter ‘ad eternum', depende também do que queremos fazer em termos de investimento. Hoje temos o melhor plantel dos últimos anos.

Quando vão dar lucros?
DSO
: Evidentemente que não vamos dar prejuízos ‘ad eternum'. Acreditamos que conseguiremos voltar aos lucros e ter os capitais recompostos no espaço de três ou quatro anos.

Quando conseguirão ter os capitais próprios repostos?
LFV:
A meta definida é o ano de 2013. E este projecto desportivo tem de ser sustentado ao longo dos próximos três a quatro anos. Se conseguirmos renegociar os contratos, colocamos o Benfica num patamar completamente diferente.

A crise financeira também teve impacto no Benfica?
LFV:
Teve impacto no Benfica, como em todo o lado. Mas apesar de tudo não nos podemos queixar muito. Como em qualquer outra empresa, tivemos maior dificuldade de acesso ao crédito. Posteriormente, reflectiu-se também no aumento dos ‘spreads'. Já do ponto de vista de receitas, não sentimos impacto. Assinámos contratos, que melhoraram os valores que vinham do passado. O potencial de valorização da marca Benfica foi positivo.

Segundo as contas da SAD, basta vender seis jogadores para cobrir todo o passivo bancário.
Luís Filipe Vieira garante que o Benfica "não está vendedor, mas comprador", mas ainda assim admite a venda de um jogador. Quanto ao negócio, revela ainda que a incorporação do Estádio na SAD será apresentada na próxima assembleia-geral, marcada para 19 de Novembro.

O investimento é uma estratégia assumida esta época?
LFV: Esta época e a anterior. Desde que o entrei na SAD em 2001 foi tomada uma primeira opção estratégica que condicionou todas as outras, a construção do Estádio. Digo que condiciona todas as outras, porque custou - com todas as infra-estruturas adjacentes - 160 milhões de euros e obviamente que a vida do Benfica do ponto de vista financeiro passou ser regulada pelo cumprimento do Project Finance associado.

Ainda é possível melhorar os patrocínios?
DSO: É. Falta vender o ‘naming' do Estádio, que pode ser complementado com a melhoria do patrocínio das camisolas, das bancadas e dos pavilhões. As receitas de quotização estão a subir. Passar de 200 mil para 300 mil sócios, na prática significa cerca de sete milhões de euros.

Estão disponíveis para investir mais?
LFV: Ainda estamos disponíveis para investir mais nesta equipa em termos de jogadores, essa é uma garantia que posso deixar. Os investimentos começaram mais estruturadamente em 2008 e continuaremos até 2010.

Consideram que de alguma forma estão a hipotecar ou a diminuir a margem de manobra da próxima direcção?
LFV: Pelo contrário. Quando chegámos a esta casa já estava tudo hipotecado. Agora, há um futuro e risonho. Para terem uma ordem de grandeza, imaginem que queríamos cobrir o passivo bancário. Garanto que bastava vender seis jogadores e cobríamos o passivo bancário.

É difícil não cair em tentação?
LFV: De facto as propostas são tantas que vamos ter de saber resistir, porque o nosso objectivo passa por ganhar o campeonato e isso só se consegue mantendo os nossos activos, mas admito que iremos vender um jogador. Vou-lhe dar apenas um exemplo de valorização - e não estou a dizer que o vamos vender - o caso de Di Maria, que está avaliado em 22 milhões de euros no Fundo. E ainda ontem soubemos quanto vale Di Maria no mercado e posso garantir que vale muito mais.

É uma gestão financeira que se consegue mesmo sem ir à liga dos campeões?
DSO: O nosso plano prevê que o Benfica eventualmente não vá à Liga dos Campeões todos os anos, mas tem todas as condições para estar regularmente na Liga dos Campeões. O plano aguenta isso. Agora pode colocar-se a questão ao contrário: será que todos os planos de todas as sociedades aguentam não ir, eventualmente, um ou outro ano à Liga dos Campeões?

Para quando a incorporação do estádio na SAD?
DSO: A intenção é apresentar essa operação aos sócios e accionistas das duas instituições entre Novembro e Dezembro.

Em 2013 terão outro tipo de receitas?
DSO: Sim, relacionadas com os direitos televisivos. Daqui até lá, teremos de pontualmente procurar as melhores soluções. A solução da venda de jogadores é uma possibilidade. Os contratos que vão terminar nessa altura, como o das camisolas, a Adidas, a própria situação do contrato do nosso canal, serão alvo de negociação, não será global, mas faseada. Tudo isso será alvo de uma negociação que será desenvolvida neste mandato.

26 outubro 2009

Liga Sagres SLBenfica_Nacional


In Abola

Benfica goleia Nacional (6-1) e é primeiro na liga

O Benfica impôs esta noite uma pesada goleada ao Nacional e subiu ao primeiro lugar da Liga, graças à melhor diferença de golos sobre o Sp. Braga.

A equipa de Jorge Jesus sabia à partida para este jogo que em caso de vitória atingiria o topo da classificação e a verdade é precisou de apenas 16 minutos para se colocar em vantagem.
Num jogo marcado pela lesão de César Peixoto durante o aquecimento, foi o seu substituto, Fábio Coentrão, quem abriu caminho para a vitória.

Na condução de um rápido ataque, Coentrão colocou, aos 16 minutos, a bola no pé de Cardozo, para o paraguaio marcar o primeiro golo da partida.
As águias soltaram-se e mostraram apetite pela baliza, mas seria o Nacional, através de Edgar Costa a marcar (28). 11 minutos depois, novamente Coentrão a brilhar, com cruzamento perfeito para a cabeça de Saviola, que aproveitou para fazer o 2-1.

A segunda parte começou praticamente com o terceiro golo do Benfica. Aos 48 minutos, Cardozo aproveitou uma grande penalidade «cavada» por Aimar para fazer o 3-1.

Em noite de festa, Saviola voltou a marcar aos 63, fazendo o quarto golo dos encarnados, após nova jogada em que Coentrão teve papel decisivo.

Nos últimos 10 minutos o Benfica marcou mais dois golos. Primeiro por Nuno Gomes, depois por Cardozo, de novo na conversão de uma grande penalidade.
O Benfica igualou o Sp. Braga na liderança, mas ocupa a primeira posição por ter 30 golos marcados contra cinco sofridos enquanto a equipa minhota tem 13 marcados e quatro sofridos.

Estádio da Luz
Árbitro: Vasco Santos

BENFICA - Quim; Maxi Pereira, Luisão, D. Luiz e Fábio Coentrão; Ramires, Javi Garcia, Pablo Aimar e Dí Maria; Saviola e Cardozo.

Golos: Cardozo (16, 48, g.p., 90+1, g.p.), Saviola (39, 63),Nuno Gomes(86)

Assistência ao Jogo: 47 011 Espectadores

25 outubro 2009

Crónica Semanal de Ricardo Araújo Pereira

In Abola

Jorge Jesus não tem mão na Equipa

Lamento muito, mas um adepto não deve apenas dizer bem. Sobretudo quando é fácil. Apesar do bom futebol, das vitórias, do imenso receio que o Benfica inspira aos adversários, da profunda satisfação que todos os benfiquistas sentem quando vêem a equipa jogar, nem tudo corre bem. Um treinador deve exercer um controlo perfeito sobre a equipa e Jorge Jesus, por muito que me custe admiti-lo, não consegue. São já várias as conferências de imprensa em que o treinador do Benfica lembra que a equipa não pode golear sempre. Os jogadores, num acto de indisciplina recorrente, e que mereceria castigo sério, continuam a desmenti-lo. Quando chegou ao Benfica, Jorge Jesus disse que os jogadores iriam jogar o dobro do que haviam jogado no ano passado. Neste momento, os jogadores jogam o quádruplo do que Jorge Jesus pensava que eles iam jogar. É muito feio faltar ao prometido.
As falsas expectativas que o treinador do Benfica lançou no início da época tiveram efeitos muito negativos até na minha vida pessoal. Quando soube que o Benfica jogaria o dobro do que havia jogado no ano passado fiquei contente, mas não demasiado. O Benfica não jogava assim tanto para que a perspectiva de passar a jogar apenas o dobro fosse especialmente apelativa. Por isso, cometi a imprudência de marcar compromissos profissionais para dias de jogo do Benfica. Não pude ver no estádio a goleada ao Everton e fui forçado a acompanhar a goleada ao Belenenses apenas na televisão. Tivesse Jorge Jesus sido rigoroso e eu teria metido licença sem vencimento até ao fim da época.
Muito embora o Benfica seja, neste momento, uma máquina de triturar equipas e fazer golos, muita gente adverte ainda para os perigos que podem resultar do entusiasmo dos benfiquistas. Pelos vistos, o entusiasmo benfiquista é perigoso. Quando as outras equipas perdem, o adversário joga melhor. Quando o Benfica perde, a culpa é do entusiasmo dos sócios. Não se percebe a razão pela qual os outros treinam: segundo esta curiosa teoria, basta entusiasmarem-nos o terceiro anel para estarmos em apuros. O mais interessante é que o mesmo entusiasmo, tão contraproducente, também é apontado como um factor que nos beneficia. Sportinguistas e portistas queixam-se de que a onda de entusiasmo contagia os jornais e empurra o Benfica, o treinador do Braga lamenta que o Benfica seja levado ao colo pela euforia dos seus próprios adeptos. Em Portugal, ser levado ao colo pelo entusiasmo dos adeptos é crime, ser levado ao colo pela arbitragem é dirigismo brilhante. O treinador do Braga, por exemplo, nunca se queixou disso. Calha sempre estar a olhar para o chão.

22 outubro 2009

Liga Europa _ SLBenfica - Everton


In Abola

Goleada das antigas (5-0) com magia de Dí Maria

O Benfica goleou o Everton (5-0) e subiu à liderança do grupo I da Liga Europa. Num jogo disputado a ritmo intenso, a águia foi mais eléctrica e contagiou os adeptos nas bancadas.

Depois da derrota na Grécia e frente ao líder do grupo o Benfica estava proibido de deslizar. E se não deslizou, fez ainda melhor: reduziu o Everton a cinzas, graças a uma exibição endiabrada de Dí Maria e ao grande acerto ofensivo de Saviola (dois golos) e de Óscar Cardozo (outros dois).

Jorge Jesus manteve a lógica de dar a titularidade nos jogos europeus ao guarda-redes brasileiro Júlio César e a verdade é que o ex-belenense não teve muito trabalho.

Permitindo que o jogo assumisse um ritmo à inglesa, o Benfica chegou à vantagem logo aos 13 minutos, através de Saviola, após um incrível cruzamento de Dí Maria.

Até ao intervalo o Everton ainda deu sinais de tentar mudar a sorte da partida, investindo num tipo de jogo que o favorecia: parada e resposta. Ainda assim, o resultado permaneceu inalterado.

À entrada para a segunda parte a águia voltou a abrir as asas. De novo Dí Maria em destaque. Aos 46 minutos, assistência do argentino para Cardozo que, na pequena área, só teve de empurrar a bola com o pé para o fundo da baliza.

No minuto seguinte foi a vez de Saviola, de novo pela esquerda, cruzar com conta, peso e medida, para a cabeça de Cardozo, de onde saiu o terceiro golo do Benfica.

Mantendo um ritmo rápido, o Benfica chegou ao quarto golo aos 51 minutos, desta vez através de cabeçada certeira de Luisão, na sequência de um pontapé de canto.

Em vantagem, com a liderança do grupo assegurada e ciente de que segunda-feira há jogo de campeonato, o Benfica manteve-se dominador, mas permitiu finalmente que a velocidade da partida fosse reduzida, mas nunca tirou os olhos da baliza. Só esta atitude, aliás, permitiu que Saviola fizesse ainda o quinto golo, após nova assistência de Dí Maria.

Vitória mais do que justa, grande exibição e resultado histórico para a equipa de Jorge Jesus. Eis o balanço de mais uma jornada europeia.

Árbitro: Nikolay Ivanov (Rússia)

BENFICA: Júlio César; Ruben Amorim, Luisão, David Luiz e César Peixoto; Ramires, Javi Garcia, Aimar (Carlos Martins, 69) e Dí Maria; Cardozo (Fábio Coentrão, 77) e Saviola (Weldon, 84).

Suplentes: Quim, Maxi Pereira, Sidnei, Carlos Martins, Fábio Coentrão, Weldon e Nuno Gomes

Treinador: Jorge Jesus

Golos: Saviola (13, 84), Cardozo (46, 47), Luisão (52).

Assistência ao Jogo : 44.534 espectadores na Luz.

19 outubro 2009

À Lei da Bola _ Pedro Ribeiro

In Sapo Videos

A táctica do Batatal

Crónica Semanal do Ricardo Araújo Pereira

In Abola

A minha Pátria já está no Mundial

Bom, não estará completamente, mas para lá caminha. Não quero parecer demasiado optimista. É certo que faltam ainda uns dois jogos decisivos mas, em princípio, em breve fica tudo resolvido e a minha nação estará na África do Sul: Luisão e Ramires já se apuraram, Aimar e Di María (e, quem sabe, Saviola) também, Óscar Cardozo está igualmente qualificado, Quim, César Peixoto e Nuno Gomes podem estar quase, assim como Maxi Pereira, e o seleccionador de Javi Garcia já disse que o tem debaixo de olho. Vai ser um Mundial em cheio, talvez como o de 1990, em que também estivemos presentes. Decorria a fase de grupos quando o meu primo me telefonou: «Estás a ver o jogo do Benfica?» Claro que estava. Boa parte das pessoas chamava-lhe Brasil-Suécia, mas era o jogo do Benfica: Ricardo Gomes, Mozer, Valdo, Schwarz, Thern e Magnusson como titulares, e Glenn Stromberg ainda entrou, para dar ao jogo um cheirinho a velhas glórias. Foi um belo desafio dos meus compatriotas. Espero que o próximo Mundial me traga mais desses.
Talvez a maioria dos leitores não compreenda, mas sempre senti que o meu país é o Benfica. Sou português, claro, até porque o Benfica é português. Sou lisboeta, até porque o estádio da Luz fica em Lisboa. Mas a minha pátria é o Benfica. Sempre achei que pertencia mais ao país de Schwartz, Valdo e Filipovic do que ao de Fernando Couto, Jorge Costa e Sá Pinto. Os jogadores do Benfica são meus compatriotas; os da selecção nacional, nem sempre. Muito provavelmente, o leitor considerará que sou estranho, mas eu sinto-me muito mais compatriota de Ruben Amorim ou Fábio Coentrão do que de Liedson ou Pepe. É absurdo, eu sei, mas é assim.
Tenho estado a fazer uns tratamentos e aguardo resultados positivos em breve. Todos os dias, escrevo 10 vezes num caderno a frase «O Benfica não é obrigado a golear todos os jogos». E depois leio e finjo que acredito. Tudo isto serve para tentar moderar o entusiasmo, que é injustificado. O calendário tem sido favorável ao Benfica. Ainda não defrontou Porto, ou Sporting, o que já aconteceu com os outros. O Benfica limitou-se a dar três ao facílimo Paços de Ferreira (que empatou com o Porto) e dar quatro ao muito macio Belenenses (que empatou com o Sporting). Tudo jogos fáceis, claro. O avanço do Benfica não significa nada. Basta-me repetir esta frase um bom número de vezes e pode ser que passe a acreditar nisso. Os sportinguistas e portistas já conseguiram. Deve ser uma tarefa simples.
Photobucket