agosto 23, 2011

Por força da lei _ Ricardo Costa


A "bolha" cresce

Neste verão, o mercado português do futebolista continua a animar o mercado global. Em pequenos, médios e grandes negócios, temporários ou definitivos. Com uma novidade. Portugal deixou de ter só clubes que vendem no patamar dos “grandes negócios” (vamos delimitar: aqueles que ultrapassam os € 10 milhões) e passou a ter um clube que participa de forma não ocasional como comprador nesse patamar: a SAD do FC Porto. Um estatuto, aliás, compatível com uma sociedade desportiva que: (1) só em 2011 já investiu mais de € 60 milhões em “direitos económicos” de jogadores; (2) sem deixar de continuar predisposto a ouvir propostas de igual calibre, acabou de fechar um negócio (habilmente montado) de 45 milhões! E, por fim, um estatuto adequado ao orçamento para a presente época desportiva: escreve a imprensa, entre € 90 a € 95 milhões! Tanto (ou mais) que a soma dos orçamentos das SAD de Sporting e Benfica. Definitivamente, portanto, a SAD do FC Porto “descolou” das demais no “campeonato” das transferências e do “dinheiro”. O “campo” será naturalmente o reflexo.

Seja como for, a salubridade financeira das grandes SAD s portuguesas está excessivamente alavancada na valorização dos “passes” dos jogadores e nas subsequentes receitas “extraordinárias”. Nunca se sabe se um jogador de 5 milhões pode vir a gerar encaixe positivo no futuro; pode confiar-se que uma boa evolução do atleta e a participação numa boa “montra” podem ajudar decisivamente. Ainda assim, é preciso uma conjuntura favorável, como sejam a conjugação de necessidades e dinheiro alheios – como tem havido, por ex., no Chelsea ou no Real Madrid ou, agora, no Atlético. É na expectativa dessa conjuntura que se pode confiar que um jogador de 5 milhões, que se valorizou até aos 40 milhões, pode vir a compensar a impossibilidade de valorização (ou até a desvalorização e a “venda” em perda) de 4 ou 5 jogadores de 5 milhões. E fazer girar a “empresa”.

É nestes fatores aleatórios de base que muitos vão refletindo. Será que o futebol, depois da adaptação a que Bosman obrigou, não está a viver hoje a sua própria “bolha”? Comprando por X o que pode não vir a valer mais do que X ou, até mesmo, algo perto de X? Será que, se isso acontecer difusamente, o futebol tem fundos disponíveis para suprir as perdas do rebentamento da “bolha”? E se isso suceder com os principais clubes que hoje injetam dinheiro no mercado, através de magnatas russos e asiáticos que viraram “donos” desses clubes, de sociedades “offshore” de agentes e dirigentes que viraram “comproprietários” de passes de jogadores, de fundos de “terceiros” interessados em circular dinheiro de outros “negócios” ou (muito menos agora) através do endividamento bancário? Se isso acontecer em vários mercados ao mesmo tempo, o que poderá significar para os montantes – cuja grande parte se disponibilizam faseadamente ao longo do tempo – de que o mercado nacional é devedor e credor?

Se esta “bolha” for como as outras “bolhas” que andamos agora a pagar, conviria pensar nisto a sério antes que o dique transborde. Nas leis e fora delas.

In Record

1 comentário:

Sakana disse...

QUEM FOI ... QUEM FOI ... ??? ADIVINHEM LÁ....

www.sakanagem69.blogspot.com