15 fevereiro 2011

Aqui á Gato _ Miguel Góis


Aristoleões

Vimos a assistir, nos últimos tempos, a inúmeros alertas em relação ao perigo que o populismo representa para o Sporting. Compreende-se a preocupação, uma vez que o clube se tem dado tão bem com o elitismo. Afinal, o que seria hoje do Sporting, se não tivesse sido gerido por gestores de topo? Provavelmente, acumularia um passivo preocupante, ou implementaria uma lógica completamente irracional na contratação e demissão em série de altos funcionários. Tudo isto de acordo com os mais modernos princípios de gestão (inclusive aquele que defende que uma empresa deve estar plenamente satisfeita por ser a segunda do seu sector com mais quota de mercado, em vez de almejar a liderança). Com aristocratas destes, quem é que precisa do povo?

Dito isto, começa a instalar-se junto de alguns sócios a sensação de que as eleições no clube (um mecanismo legal de exceção que é acionado quando a sucessão e a cooptação falham) não serão inteiramente livres, e o pior é que parece estar muito longe um 25 de Abril no Sporting – razão pela qual não se compreende de todo a fuga de Liedson para o Brasil.

Algo vai mal numa instituição desportiva, quando até o relvado do estádio é demitido. A última cabeça a rolar foi a do diretor para o futebol. Só agora, quase um ano depois de tomar posse, é que se percebeu por que razão Costinha terá elaborado um severo código de conduta, que desencorajava os jogadores do Sporting a lerem jornais desportivos e a verem programas de desporto na televisão: no fundo, era para os proteger das suas declarações bombásticas em programas da Sport TV. Por outro lado, assiste-lhe alguma razão. Antes da entrada de José Couceiro, Costinha continuava a ser conhecido como “o Ministro”. Depois da entrada do diretor-geral, passou a ser “o Ministro sem pasta”.

In Record

Época 2010/2011 SLBenfica _ Guimarães


Benfica de luxo vence V. Guimarães (3-0)

O Benfica alcançou a 16.ª vitória consecutiva em provas nacionais num jogo em que terá realizado uma das melhores exibições da época. Em noite de alto voo da águia, destaque para Sidnei.

O jovem substituto de David Luiz, transferido para o Chelsea, abriu o caminho para a vitória do Benfica. Foi aos 27 minutos que o brasileiro subiu no terreno num pontapé de canto. Ganhou posição ao primeiro poste e, de cabeça, bateu Nilson.

Antes já o Benfica tinha estado por várias vezes perto de chegar ao golo, valendo por várias vezes a qualidade de Nilson ao Vitória de Guimarães.

O 1-0 com que o jogo chegou ao intervalo era pouco para exprimir a diferença de rendimento entre as duas equipas.

Acabou o segundo golo do Benfica por surgir cedo na segunda parte. Aos 49 minutos, Sidnei transportava a bola na defesa quando viu um espaço no ataque, onde se desmarcava Aimar. Com um passe longo, colocou a bola nos pés do argentino. Aimar, com classe, dominou a bola, entrou na área e rematou para o 2-0.

O Benfica não tirou o pé de acelerador, marcou mais duas vezes (nenhuma valeu pois Cardozo estava fora de jogo, primeiro e Saviola terá tocado a bola com a mão depois) e viu ainda o paraguaio Oscar Cardozo falhar uma grande penalidade.

Em noite de grande exibição, tempo ainda para um terceiro golo, mais que merecido. Foi de Carlos Martins, chegou aos 90+4 minutos, e muito bonito. O médio encarnado fez um chapéu a Nilson e colocou selo de qualidade numa grande vitória da águia.

O Benfica prossegue a senda vitoriosa em território nacional e mantém o ritmo na perseguição ao FC Porto. O Sporting, terceiro classificado, é que ficou mais para trás: agora está a 12 pontos das águias.


In Abola

Por força da lei _ Ricardo Costa


O grito de Moniz Pereira

1_ Ainda que com oscilações, o desporto português cresceu e ramificou-se no cerne da nossa sociedade à custa da disseminação e do labor dos três grandes clubes de massas. Muitas vezes vivendo em oligopólio; outras vezes mesmo em duopólio; até, numa ou noutra modalidade, durante mais ou menos anos, em monopólio de títulos. Houve modalidades em que, desaparecendo a tríade, outros clubes emergiram com força e se impuseram. Houve outras em que a manutenção da tríade tornou ainda mais valiosa a ascensão de “intrusos”. Quando (modestamente) nadava no Fluvial Portuense, percebia que o meu clube não poderia competir com as mesmas armas; teríamos medalhas, mas nunca tantas e tantas vezes como os “grandes” (na altura ao mesmo nível e apostando forte na modalidade). Mas eram eles que nós perseguíamos quando treinávamos. Eram eles que nos faziam crescer.

2_ Essa tríade sufocou demasiadas vezes a disseminação dos médios e dos pequenos. A história está aí para o provar. Mas sem os três grandes num patamar próximo, o nosso desporto fica mais pobre. Em todas as modalidades. Como se tem visto. É por isso preocupante a erosão do Sporting, talvez o clube que, desde a sua origem, mais significado deu ao sentido de ser um “clube” de “desporto”. O FC Porto correu o risco de se desintegrar no início da década de 80. O Benfica esteve perto da extinção com o “valeazevedismo”. E, em tempos distintos e com percursos diferentes nos últimos 30 anos, ficaram e lutam pelo domínio. Parece que, entretanto, o Sporting de inspiração “roquettiana” abdicou. Desapareceu de muitos pavilhões, deixou de ter quem o simbolizasse nas pistas, apostou tudo num “modelo” para o futebol, potenciador de tudo o resto. Hoje não sabe se o abismo é ali ou se a salvação é acolá: vive-se a fronteira. A tríade está ameaçada e, com isso, ameaçado está o vigor do nosso desporto.

3_ Prova? “Se aparecer uma pessoa que diz ‘eu só quero o futebol aqui’, eu peço a demissão de sócio”. “Se alguém conhece o Sporting, sou eu e pouca gente mais. Muitos que lá estão a trabalhar sabem muito de contas, de bancos, de contratos, mas de desporto não”. Quem o diz? Porventura algum candidato às próximas eleições pós-Bettencourt? Não. É o sócio n.º 2 do Sporting e tem 90 anos. Viveu 66 anos no Sporting e para o Sporting: “Dei sempre o exemplo e nunca pedi para fazerem nada que eu não fizesse primeiro”. Chama-se Moniz Pereira. E, para mim, que ouço sempre com multiplicada atenção as palavras de quem já viveu muitas vidas, este é o grito que faltava para se perceber que a angústia do Sporting pode ser o epitáfio de uma crise da “ideia” de desporto deste país.

PS – O Ministério Público instalou uma “tenda” na “praça” do futebol. Está a ver se espicaça os “mubarakes” que ali habitam. Da FPF dizem que por agora avançam os advogados. Não sei o que isso significa. Mas está bem. Enquanto isso lembrei-me do grande Nanni Moretti e de uma personagem por ele inventada para uma película anti-Berlusconi. Dizia, enquanto nadava, que, sempre que se atingia o fundo do buraco, havia sempre alguém que continuava a escavar e a escavar…

In Record

10 fevereiro 2011

Benfica foi o 26.º clube que mais facturou em 2009/2010


Benfica foi o 26.º clube que mais facturou em 2009/2010


O Benfica foi o 26.º clube que mais facturou a nível mundial na temporada 2009/2010, que consagrou os encarnados campeões nacionais.

O clube da Luz, o único português a figurar nas contas finais do estudo promovido pela empresa de consultoria e auditoria Deloitte, facturou um total 98,2 milhões de euros na época transacta, ocupando a 26.ª posição na lista liderada pela sexta vez consecutiva pelo Real Madrid, com 438,6 milhões de euros.

A posição dos encarnados melhora no capítulo das receitas de bilheteira, ocupando o 11.º posto com 40,2 milhões de euros.

As águias surgem ainda na 17.ª posição da contabilidade das receitas comerciais, tendo arrecadado 41,2 milhões de euros.

Total de receitas:
1. Real Madrid, 438,6 milhões de euros
2. Barcelona, 398,1
3. Manchester United, 349,8
4. Bayern, 323
5. Arsenal, 274,1
6. Chelsea, 255,9
7. Milan, 235,8
8. Liverpool, 225,3
9. Inter Milão, 224,8
10. Juventus, 205
(...)
26. Benfica, 98,2

Receitas de bilheteira:
1. Real Madrid, 129,1 milhões de euros
2. Manchester United, 122,4
3. Arsenal, 114,7
4. Barcelona, 97,8
5. Chelsea, 82,1
(...)
11. Benfica, 40,2

Receitas comerciais:
1. Bayern, 172,9 milhões de euros
2. Real madrid, 150,8
3. Barcelona, 122,2
4. Manchester United, 99,4
5. Schalke 04, 79,0
(...)
17. Benfica, 41,2.



In ABola  

Tempo Útil _ João Gobern



A remodelação

Longe vai a época em que o cidadão guindado a uma pasta ministerial se sentia no direito de arquitetar um telefonema público para a paternidade, dando conta da comoção e do orgulho. Se o protagonista deste episódio já nem mora por cá, preferindo climas menos agrestes, é duvidoso que os progenitores não tomem conhecimento deste passo dos filhos sem franzirem os sobrolhos e sem pensarem que, com os tempos difíceis que atravessamos, mais vale isto do que desempregado… Mas é um facto que a coisa não anda de feição para os senhores ministros – primeiro foi Jorge Lacão, rapidamente abafado pelos amplificadores partidários. Agora, foi Costinha.
O antigo jogador do FC Porto e hoje diretor de qualquer coisa no Sporting tem consciência que, com a entrevista de anteontem à Sport TV, rasgou em pedacinhos ininteligíveis a folha de papel em que estava contemplada a hipótese contratual da sua continuidade a partir da chegada do próximo presidente. Assumiu outro papel, o de justiceiro que, solitário, tenta defender à espadeirada e aos gritos a honra do castelo – contra a administração, que mente aos sócios, que subscreve negócios ruinosos (Liedson), que lhe exige rendimento de milhões em troca de tostões, que não assume responsabilidades e “sacode a poeira dos ombros”; contra o seu superior direto, José Couceiro, que “não vai resolver nada”; contra jogadores, como João Moutinho, “que não teve comportamento digno”.
Costinha pode ter razão em múltiplos aspetos do que afirmou, mesmo que lhe seja mais fácil ensaiar a defesa de Maniche do que explicar a “normalidade de relações” com Izmailov. A questão é mais complexa: ele é tão escasso no tempo de permanência ao serviço do Sporting como abundante é a sua coleção de episódios infelizes, de declarações embaraçosas e de atos falhados. O que significa que não se encontrava na melhor posição para, com uma precisão cerebral e impressionante, desatar a partir a pouca loiça que ainda restava intacta nas vetustas vitrinas de Alvalade. Chama-se “autoridade moral” a essa qualidade que legitima ou que, ao menos, desculpa um desabafo desta grandeza na escala de Richter – neste caso, ela não existia. Embora o silêncio da SAD, na resposta, também seja ensurdecedor.
Será um mal português, este de olhar primeiro os autores, e só depois as obras. Mas é um dado adquirido, que permite dizer que Costinha se autoexcluiu de qualquer futuro em Alvalade, a menos que uma qualquer administração vindoura acredite na regeneração ou se divirta a dar tiros no pé. Por mim, como adepto do futebol, preferia ter guardado a imagem do Costinha rigoroso e discreto, mas influente ou decisivo. Assim, confesso, vou ter mais saudades dos fatos que dos factos.

In Record

08 fevereiro 2011

O Voo da Águia_ Marta Rebelo


O 15.º

NO RESCALDO, NÃO FAÇO PARTE DO NOVO CLUBE DE FÃS DE CÉSAR PEIXOTO

Porque será que para o FCP-Rio Ave o arbitro é do Porto, e para o V. Setúbal-Benfica vem um árbitro de Braga? Depois da expulsão infame de Coentrão na meia-final da Taça, por favor expliquem-me porque é que aos 57’ Miguelito nem amarelo viu, ao ensaiar um estaladão a Aimar. Começa a ser difícil encontrar neutralidade nestas nomeações e sobretudo nestas arbitragens.

E ao 15.º jogo, ainda me cheira a vitória no campeonato. No Dragão, com trinco e meio, começou a vingança. A criatividade de Jesus foi bem direcionada e não comprometeu as nossas aspirações. No rescaldo, não faço parte do novo clube de fãs de César Peixoto – nem “patinho feio” nem “menino bonito”. Mas ontem à noite, num jogo indefinido, denso e nervoso, Coentrão fez falta. Entrámos no campo do Vitória com os titulares habituais e com um Cardozo que nunca sai, e ultimamente serve mais para entreter e deter o adversário do que para marcar golos. A verdade é que os setubalenses deram-nos cabo do juízo. A primeira metade só se salvou pelo pé de Gaitán – que Jesus colocou a recuar no auxílio iminente a Peixoto, e o argentino foi tão lento a descer o terreno. Foram raros os momentos em que conseguimos desestruturar a defesa vitoriana. Eles deram tudo por tudo. Já são clássicas as nossas dificuldades no Bonfim. Só aos 71’, quando Jesus substitui em piloto automático, começa a sentir-se o sossego. Jara entra e aos 78’ a textura indefinida do jogo ganha as cores das águias.

Fomos eficazes. Lá para o fim até jogámos bonito. Javi García jogou muito, e foi o melhor. Salvio deixou tudo em campo, e Gaitán foi massacrado com faltas. Foram assinaladas 23 faltas ao Benfica, contra apenas 8 do Vitória. É de gargalhar. Com um FCP atormentado, entediante e a vencer pela margem mínima, parece que os 11 pontos encolheram. O que é que Villas-Boas terá a dizer agora?

In Record

Email Aberto _ Domingos Amaral


A ferida

From: Domingos Amaral
To: André Villas-Boas

Caro André Villas-Boas
Nos últimos vinte e cinco anos, só me lembro de ganhar três vezes ao FC Porto em sua casa. A vitória de César Brito e Eriksson, a vitória de Koeman e Nuno Gomes, e agora a vitória de Jesus e os seus apóstolos. São, é verdade, poucas vitórias, mas é exatamente a sua raridade que lhes dá um valor extraordinário e inesquecível. Rebentei de alegria na quarta-feira, e se Cardozo tivesse metido o terceiro teria tocado no céu. Por todas as razões: pelo gozo que dá vencer em casa do rival maior, pelo orgulho que tive no meu Benfica, mas sobretudo porque era uma vitória essencial para que o impossível passasse a ser mais possível.

É verdade: a vitória do Benfica mudou, para já, a narrativa da época. Até aqui, tínhamos um Braga dececionante, um Sporting em calvário, e um Benfica que começara muito mal e fora derrotado por ti duas vezes, uma das quais de forma humilhante. A narrativa era a de um FC Porto praticamente imbatível, que a irrelevante derrota com o Nacional não afetara. Agora, a narrativa mudou. Ao vencer-te em casa, o Benfica retirou-te a vantagem psicológica que tinhas, e introduziu as dúvidas no teu universo. Agora, serás tu a jogar sobre brasas, a temer, a cada momento, a perda de pontos.

Agora, serás tu a recear a desestabilização da defesa, a falta dos talentos, a ansiedade no grupo. Por mais que tentes negá-lo, há uma “ferida” sim, e só Deus sabe se vai sarar ou abrir mais. Daqui para a frente ninguém sabe o que irá acontecer, mas tenho a certeza que, a partir de agora, todas as noites antes de adormeceres te vais lembrar que, até ao fim da época, ainda vais ter de jogar na Luz duas vezes...

In Record

07 fevereiro 2011

Por força da lei _ Ricardo Costa


O Cairo está próximo

1. Talvez devesse falar da assembleia geral estatutária da FPF. Talvez devesse falar, portanto, do litígio entre o “passado” e o “futuro”. Talvez devesse falar, por isso, de coerência e de luta pela sobrevivência. Mas, como aqui escrevi em jeito de prognóstico mais do que uma vez, nada de novo se passou no “29 de janeiro”. Logo, não vale a pena.

2. Talvez devesse falar de todos os processos que a Comissão Disciplinar da Liga não instaurou ao longo desta época e deveria ter instaurado. Diz a imprensa que este ano os processos são abertos apenas com queixa – ficando tudo o resto por averiguar, a não ser o que vem nos relatórios dos jogos. Talvez devesse falar, portanto, dos critérios legais e regulamentares de abertura de processos disciplinares na Liga, sem esquecer esse novo critério, desconhecido até agora e ausente na “lei”: a turbulência pública. Mas também não vale a pena.

3. Também devesse ainda falar das conferências da Comissão de Arbitragem da Liga sobre as atuações dos árbitros. Corajosas e pedagógicas, tratando os árbitros com a maturidade que o futebol profissional exige. Mas não vale a pena também. Os que sempre navegaram na opacidade e na falta de transparência, assim como os que prezam o “recato” dos bastidores, nunca gostarão da prática inovadora de Vítor Pereira e da sua equipa.

4. Antes valha a pena discutir os próximos cenários: o cancelamento da utilidade pública desportiva da FPF e, depois, a possível constituição de uma nova federação de futebol. De facto, não parece que Pedro Silva Pereira e Laurentino Dias, depois de esticarem a corda toda na suspensão que por ora afeta a FPF, tenham outra alternativa: cancelar e acabar com o futebol na FPF. Qualquer outra decisão – como voltar a suspender a utilidade pública por mais um ano a partir de Abril – é perder em definitivo a credibilidade, nomeadamente perante todas as outras federações desportivas que cumpriram a lei para organizar e regular os seus campeonatos. Se, até Abril, nada mudar na FPF, o não cancelamento da utilidade pública instalará a Praça Tahrir do Cairo no desporto português. A não ser que a previsível intervenção da FIFA tenha algum efeito substancial antes de abril. E já sabemos que é essa última cartada que o ministro e o secretário de Estado esperam. Enquanto isso, é tempo de pensar na “revolução de Abril” de 2011. Cancelada a utilidade pública e criado o cenário para a eventual extinção da FPF nos tribunais, será a hora de colocar as flores nas espingardas e começar de novo. Será a hora de saber quem está disponível para constituir uma nova federação, reconhecê-la junto da FIFA e da UEFA, respeitar a lei e adquirir a utilidade pública junto do Estado. E começar uma nova era a partir de Julho de 2011. Veríamos, então, quem são as associações – e os clubes – que fariam parte da nova federação e as que ficariam de fora. E veríamos quem se ordenava nesse ato de superação. Talvez não se chegue lá. Mas convém ter a noção que o fim da linha da FPF já esteve mais longe.

In Record
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