março 05, 2013

Afonso de Melo in O Benfica


A camisola do ridículo

"Ser árbitro em Portugal é bom. É mais do que bom, é óptimo. Ser árbitro em Portugal também roça, na maior parte das vezes, o ridículo. Mas aí a culpa não é do País, é dos árbitros. Os árbitros em Portugal estão acima da lei. Isto é, não têm de prestar contas a quem quer que seja pelas poucas vergonhas que cometem. Ou melhor, prestam contas a si próprios o que vai dar no mesmo. Há países em que os árbitros vêm a público falar dos seus erros. São países onde não fica bem a um árbitro visitar um presidente de clube na véspera de arbitrar um jogo desse mesmo clube. São países onde não fica bem a um árbitro frequentar as casas dos presidentes ou dirigentes de clubes e ponto final. Em Portugal os árbitros não têm vergonha. Não têm vergonha de, em pleno relvado, tirarem as insígnias da FIFA para oferecerem ao treinador de uma das equipas que acabaram de dirigir.
O recato não é palavra importante. Pelo contrário, é o exibicionismo que lhes marca a existência. Em qualquer país civilizado, um árbitro teria vergonha de beijar os pescoços dos jogadores no final dos jogos. É uma questão de decoro. Em Portugal, o mais barato dos árbitros faz gala em abraçar jogadores (sempre os da mesma equipa) e ser fotografado com eles exibindo sorrisos macabros. É uma questão de decência. Neste caso, de falta dela. Poderíamos ter visto tudo, mas não. Em Portugal, os árbitros fazem sempre questão de nos surpreender. Por isso até já vimos um árbitro tirar a camisola no final de um jogo e, como se fosse um jogador, oferecê-la ao público. É por isso que ser árbitro em Portugal é bom. Mas mete nojo."

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