julho 21, 2011

Futebol á Portuguesa _ José António Saraiva


Transferências

Muita gente espanta-se com a quantidade de jogadores que os clubes grandes contratam todos os anos. Há épocas em que o recorde pertence ao FC Porto, outras ao Sporting e outras ainda ao Benfica – como sucede agora.

Tem-se dito que os clubes, em vez de comprarem uma dúzia de jogadores “verdes”, deviam comprar dois ou três consagrados. Quem o diz ainda não percebeu a única forma de gestão sustentável dos clubes portugueses. O Benfica ou o Porto não são o Real Madrid ou o Manchester United: não têm condições para comprar grandes estrelas mundiais. Assim, precisam de fazer exatamente o contrário: comprar em mercados baratos muitos jogadores que ainda não desabrocharam – tentando depois valorizá-los para os vender caro.

E é preciso comprar em quantidade porque, para aparecer um Hulk, um Di María ou um David Luiz, é preciso contratar 10. Não basta ter bons olheiros. Há jogadores ótimos nos seus campeonatos que depois não se adaptam às exigências e competitividade do futebol europeu.

Para a aposta resultar, é preciso ainda outra coisa: ter uma equipa técnica capaz de potenciar os jogadores. Jesus já mostrou talento para isso (catapultou Di María, “inventou” Coentrão, potenciou Salvio), Paciência tem condições para o fazer (espremeu ao máximo os jogadores do Braga) e Vítor Pereira não se sabe.

O negócio do futebol mudou. Comprar jogadores em mercados baratos, valorizá-los, mostrá-los ao Mundo e vendê-los caro é a estratégia de sobrevivência possível dos clubes portugueses. Nesta lógica, só não percebo a contratação de Eduardo e a possível troca por Urreta.

   In  Record

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