maio 01, 2012

Um velho conhecido no sistema do fcporto

 António Garrido: “Marquei penalties quase sem ter visto”

O ex-árbitro, considerado o melhor árbitro português de todos os tempos, conta as aventuras de uma carreira ímpar. Confessa que a principal mágoa foi ter falhado por um triz a final de um Campeonato do Mundo, ao mesmo tempo que revela que esteve para abandonar a arbitragem, quando lhe incendiaram o carro em Guimarães no quente ano de 1975.

E pensar que detestava árbitros...

É verdade! Era correspondente na Marinha Grande do jornal Mundo Desportivo e se o Marinhense não ganhasse, atirava-me a eles. Tenho a noção que era a pior coisa que podia haver. Não gostava mesmo, posso dizer que era o seu maior inimigo.

Mas acabou por ir lá parar...
Fui dirigente do Marinhense durante vários anos e tinha um amigo que era o presidente da Associação de Futebol de Leiria, o saudoso Vieira Ascenso, que me convenceu a frequentar o curso. Continuei a não querer ser árbitro e estive um ano sem pegar no apito. Até que um dia fui experimentar - a fiscal-de-linha - e gostei. Comecei a sentir um carinho muito grande pela arbitragem e vi que se chegasse ao topo podia aproveitar para fazer aquilo que mais sonhava: viajar. Assim foi.

Como é que um árbitro reage quando tem a noção que errou?
Na minha carreira houve penalties que marquei quase sem ter visto(devem ter sido todos para o clube da corrupção). E outros que não marquei e que foram. Há aquele momento exacto, aquela fracção de segundo e o apito sai ou não sai. Se não sai, já não há nada a fazer. Mas se apitamos e ficamos a pensar que se calhar não foi, é seguir o jogo e nada de entrar na lei das compensações. Isso é o pior que pode acontecer a um árbitro. Pressentir que errou e depois procurar emendar o erro com outros erros.

Há algum momento na carreira que tenha sido particularmente difícil?
Tive um único momento grave na minha carreira. Foi em Guimarães, numa partida entre o Vitória e o Boavista que decidia a presença de uma das equipas na Taça UEFA. No final do jogo, estava nos balneários, e deram-me conhecimento que me tinham incendiado o automóvel. Foi um momento difícil e deram-me inclusive o telefone para me despedir da família, porque aquilo estava efervescente. Estávamos em 1975, um momento muito conturbado, e acredito que foi mais por causa da época que se vivia do que do jogo em si que aconteceu aquilo.

Pensou deixar a arbitragem?
Pensei. Estive mesmo para abandonar, mas consegui resistir e pensar que se o fizesse seria um cobarde. Acreditei que se conseguisse ultrapassar aquilo é porque não havia limites para a minha carreira.

Alguma vez sentiu algum tipo de pressão para favorecer quem quer que fosse em todos aqueles anos de carreira?
Nunca senti pressão nenhuma, de clubes, dirigentes ou treinadores(pressão não existe, só em mentes perversas, então não). Talvez por eu estar num patamar superior, que fazia com que as pessoas me encarassem como uma figura do jogo em si.

Qual era a sua principal característica?
Era um árbitro muito ambicioso. Se dirigia a final da Supertaça Europeia, a seguir tinha de arbitrar a final da Taça dos Clubes Campeões Europeus. Se ia a um Europeu, tinha de ir a um Mundial. Se ia a um Mundial, então tinha de ir a um segundo e dirigir a final. Não tinha limites. E se tivesse apitado a final do Mundial, pensava que a seguir só na Lua...

Falhou por pouco essa final do Campeonato do Mundo...

É um dos grandes desgostos da minha carreira. Estava programado que iria fazer o jogo da final entre o Brasil e a Alemanha, só que com surpresa geral, a Itália eliminou o Brasil que era, de facto, a melhor equipa. Tive de ir fazer o jogo de atribuição dos terceiro e quarto lugares e quem foi arbitrar a final foi o brasileiro Arnaldo Silva Coelho.


Nesse jogo das meias-finais estava a torcer pelo Brasil?
Olhe, tenho um episódio muito engraçado para lhe contar. Estávamos os dois reservados para a final e para o jogo dos terceiro e quarto lugares. Vimos o jogo no quarto do hotel e enquanto eu pugnava pelo Brasil, ele pugnava pela Itália. No final fiquei bastante aborrecido e ele contente. É normal, um árbitro arbitrar a final de um Campeonato do Mundo é o máximo que se pode atingir na carreira.

Também se falou muito de uma atitude que teve na final da Taça dos Clubes Campeões Europeus que dirigiu...
Especulou-se bastante. Toda a crítica foi unânime em considerar que fiz uma arbitragem impecável, mas quando o jogo terminou cerrei os punhos e fiz um gesto de contentamento. O gesto foi apreciado por um lado, por outro foi muito criticado, porque dizia-se que teria ficado muito contente por o Nottingham Forest ter ganho. Nada disso, aquilo foi apenas uma forma de descarregar os nervos. Tinha cumprido e estava naturalmente satisfeito.

Teve muitos problemas com jogadores?
Posso dizer que fui um privilegiado. À medida que a cotação de um árbitro sobe, um jogador também acaba por ter mais confiança no seu trabalho. Nunca fui de mostrar muitos cartões – nos últimos quatro anos da minha carreira não mostrei nenhum cartão vermelho – raramente mostrava amarelos porque dava prioridade ao diálogo. Hoje é mais difícil, por causa das televisões, mas eu tinha sempre um diálogo com os jogadores, procurava aconselhá-los e por isso os jogadores respeitavam-me. O jogador olhava para mim, não como um inimigo, mas como um amigo que conversava com ele. Quando um jogador se aproximava de mim, para protestar, dizia sempre: ‘falem comigo mas não me levantem os braços’. Houve um jogo, no Torneio da Corunha, em que expulsei o Cruijff. No dia seguinte foi ter comigo ao hotel para pedir-me desculpa. Tinham-me muito respeito.

Tratava os jogadores pelo nome?
Sempre. Sabia o nome de todos os jogadores, fossem das 1.ª, 2.ª ou 3.ª divisões. Sempre fui um estudioso dos jogadores, das suas características e isso dava confiança na relação.

“Posso dizer que hoje sou portista”


Em Portugal também era respeitado como no exterior?
Sim. Fazia quase todos os jogos entre o Benfica e o FC Porto. Naquela altura os árbitros de Lisboa e do Porto não podiam dirigir essas partidas. Como era de Leiria tinha a facilidade de poder fazer esses encontros todos.

Do Sporting não dirigiu porque se declarou sportinguista...
Todas as pessoas têm uma predilecção por um clube. Podemos ser do Marinhense ou da União de Leiria, mas também de um a nível nacional e, nessa altura, ou se era do Sporting ou do Benfica. Tínhamos de dizer qual era o clube da nossa simpatia e eu disse que era do Sporting. Houve quem dissesse que era do Oriental... A Comissão de Árbitros não me nomeava para o Sporting e só por uma vez dirigi um FC Porto-Sporting, um jogo decisivo para o título, e as direcções dos dois clubes entenderam que eu era a pessoa indicada.

Ainda é o seu clube do coração?
Hoje, não. Vamos lá ver. Uma pessoa acaba por se sentir bem onde nos tratam bem. Não é que o Sporting ou o Benfica não me tratassem bem. Acompanhei os árbitros nos jogos desses clubes, mas também da União de Leiria e do Boavista, mas comecei a sentir-me acarinhado, principalmente quando terminei a carreira, pelo FC Porto. Acabei por ganhar uma simpatia pelo FC Porto e posso dizer que hoje sou portista.

Quais eram as suas funções enquanto colaborador do FC Porto? Há quem diga que teve tanta importância nos títulos conquistados como Pinto da Costa...
Nunca tive qualquer função. Passei a gostar do FC Porto devido ao carinho das pessoas, fiz uma ou outra palestra a nível dos jogadores, como fiz noutros clubes. Agora uma função, não. Passei a acompanhar o FC Porto e continuo a acompanhar os árbitros nas partidas internacionais do FC Porto porque sou nomeado pela UEFA através da Federação Portuguesa de Futebol. De resto, como já acompanhei os árbitros do Benfica e do Sporting.

Diz-se que a Marinha Grande é melhor madrasta do que mãe. Sente que o seu concelho o reconhece como merece?
Acho que sim. Nasci em Vieira de Leiria e aos 12 anos mudei-me para a Marinha Grande, que me reconheceu como uma figura do concelho e até me atribuiu a medalha de ouro(será que foi merecida). Mais do que isso não sei o que poderiam fazer. Quanto às pessoas em si, é bastante natural que existam algumas que não gostam de mim. Por terem simpatia por este ou aquele clube, mas sobretudo porque são bastante invejosas(invejoso deve ser para rir, deve pensar que é mais importante que os outros Marinhenses, vai dar banho ao cão).

E Portugal?
Olhe, o País reconheceu-me mais do que a própria terra. Fui reconhecido pelo Governo com a medalha de Mérito Desportivo e mais tarde fui agraciado pelo Presidente da República com o grau da Ordem do Infante D. Henrique. Quer dizer que Portugal viu em mim uma figura que merecia ser reconhecida. Por outro lado, depois de ter terminado a minha carreira como árbitro, fui durante 20 anos instrutor de árbitros da FIFA, observador da UEFA e comissário de árbitros em campeonatos do Mundo. Fui quatro anos membro do Conselho de Arbitragem a nível nacional e nunca fui dirigente da Associação de Futebol de Leiria.(Peça aos corruptos mais medalhas)

E como é que isso se explica?
Nunca tive aquele reconhecimento que penso que merecia. Nunca fui convidado para uma palestra, para nada! Talvez não fosse uma pessoa querida para muita gente. Não me cria uma mágoa muito grande, mas penso que não se coaduna com todo o reconhecimento que tive em Portugal e no estrangeiro.(Só se fosse para explicar como marcar penalties sem ver a falta)


“O futebol também vive dos erros dos árbitros”

Acha que a televisão complica muito o trabalho dos árbitros?
Antigamente havia televisão, mas muito menos câmara. Agora vão analisar com minúcia o eventual erro do árbitro através dos vários ângulos disponíveis. Vê-se de um lado, de outro e só ao sétimo ou oitavo é que se consegue perceber se acertou, se errou. Como à comunicação social interessam sobretudo os erros, vão especular sobre o que esteve mal. Penso, por isso, que a televisão prejudica mais do que beneficia.(Mostra a porcaria que fazem, já não podem esconder, bem a sportv ainda ajuda)

Concordaria se se utilizassem as novas tecnologias para auxiliar o trabalho do árbitro, de resto como se vê no basquetebol?
Sou contra. Apenas admitia o chip na bola para saber se entrou na baliza. Tudo que seja além disso é acabar com a modalidade, porque o futebol também vive dos erros dos árbitros. Imagine que paramos o jogo para ir ver as imagens. E depois, se não for grande penalidade, como reatamos a partida? Considero que está bem como está, as leis beneficiam o espectáculo.(Verdade Desportiva!!! nem pensar)

Os árbitros estão a sofrer as maiores críticas de sempre?
Hoje o futebol é uma indústria que envolve milhões e milhões e normalmente as críticas negativas acabam por cair na pessoa mais indefesa. Os clubes não vão acusar os próprios jogadores e normalmente quando se perde é porque o árbitro errou. As críticas até podem ser justas, mas são empoladas.

Aqueles programas de debate também não ajudam nada...
Também vejo esses programas e quando são à mesma hora até os gravo. Por vezes debatem problemas de arbitragem que não estão abalizados para o poder fazer.

Concorda com o facto das nomeações terem passado a ser secretas?
Não. Não é por terem sido tornadas secretas que se vai dar mais garantias ou haver maior suspeição. O árbitro deve ser nomeado com antecedência, toda a gente deve saber quem é, acima de tudo não deve haver críticas dos dirigentes e treinadores antes dos jogos. Acredito que seja uma situação pontual, depois de todos estes problemas, mas para haver confiança deve ser tornada pública.(Secretas só para alguns, não foi)

Os árbitros fizeram bem em faltar àquele jogo do Sporting devido às críticas?
Na minha altura também houve greves, mas era por outros motivos. Eu nunca faltaria a um jogo para ir contra um clube.

Há corrupção na arbitragem?
Até ser provada não existe. ( Ainda mais, não chega o Youtube)

O homem do diálogo
António Garrido completa em Dezembro 80 anos e 30 que deixou a arbitragem. Nasceu em Vieira de Leiria e aos 12 anos mudou-se para a Marinha Grande. Detestava árbitros, mas acabou por ser o melhor deles. Começou como fiscal-de-linha num Peniche-Caldas de juvenis em 1964 e a estreia como árbitro foi num “Os Nazarenos”-Mirense no mesmo ano. Em quatro anos chegou ao topo da arbitragem portuguesa, mais três anos e chegou a internacional. “Foi uma carreira brilhante. Momentos bons foram incalculáveis, mas tenho de destacar as duas presenças nos campeonatos do mundo, em 1978 e 1982, o Europeu de 1980 e, para mim, um dos momentos altos foi a final da Taça dos Campeões Europeus de 1980, entre o Nottingham Forest e o Hamburgo”, diz com indisfarçável orgulho. Também arbitrou uma Supertaça Europeia em 1977, entre o Liverpool e o Hamburgo. Cumpriu o sonho de dirigir uma partida em Wembley, a final do campeonato britânico entre a Inglaterra e a Escócia. “Como um tenor sonha cantar no Scala de Milão, eu sonhava arbitrar em Wembley e consegui-o.” Contabilista de profissão, procurava ter o jogador na mão. “Às vezes dizia a um, que estava a perder, que faltavam três minutos e ainda tinha hipótese de marcar, e depois dizia ao adversário que faltavam três minutos e que tinha de aguentar. Sabia viver dentro do campo. Tinha grandes condições como árbitro, mas também como homem de diálogo.”


Entrevista ao Jornal de Leiria, a vermelho os meus comentários mais suaves....

3 comentários:

Manuel disse...

Este tipo é o arbitro mais corrupto na história do futebol em Portugal. Foi corrupto e andou toda a via a corromper os outros a favor do Porto!
Viciado em jogo, teve um clube que lhe pagou esse vício para proveito próprio, o Porto!

Uma personagem completamente detestável.

RAUL MEIRELLES disse...

SEMPRE A MESMA LADAINHA!!!!

QUANDO O EUSÉBIO, A SERVIÇO DO BEIRAMAR FEZ CORPO MOLE CONTRA O BENFICA, NINGUÉM FICOU INDIGNADO!!!!

QUANDO CALABOTE DE 15 MINUTOS DE COMPENSAÇÃO, NUMA ÉPOCA EM QUE NÃO HAVIA TEMPO DE COMPENSAÇÃO, NINGUÉM FICOU INDIGNADO!!!

Anselmo Damásio disse...

Eu prefiro estar calado e não falar acerca desse vigarista. Eu sou de Leiria, e o meu pai contou-me algumas histórias acerca acerca dessa espécie de matéria excrementícia, quando apitava nos distritais e não só. O meu pai foi dirigente do clube da nossa terra. Ele é vigarista e sogro de um vigarista, eu tb tenho algumas razões de queixa do olárapio e não começaram nos nacionais, mas quando ele ainda apitava nos distritais de Leiria. SÓ OS ÁRBITROS CORRUPTOS É QUE CHEGAM AO TOPO EM PORTUGAL.