julho 30, 2010

Crónica Semanal de Leonor Pinhão

In ABola

Fatos são fatos e factos são factos

Costinha confessou numa entrevista ao Expresso que é desde sempre «sportinguista», «anti-benfiquista» e que tem mais de 50 fatos completos. São três excelentes notícias. Embora no que diga respeito aos 50 fatos às riscas tenha ficado incompleta a boa-nova, visto que era importante ficarmos a saber se Costinha também tem as respectivas 50 camisas aos quadrados para combinar em conjunto.
Quanto ao sportinguismo de Costinha, nem se discute. Se fatos são fatos, factos são factos.

Já o anti-benfiquismo de Costinha deixa muito a desejar. É que ao longo da sua carreira de futebol lista ao serviço do FC Porto, nunca Costinha se atreveu a festejar um golo no Estádio da Luz dirigindo-se aos adeptos benfiquistas de modo menos próprio ou mesmo obsceno.

Enfim, já outros não tiveram a mesma sorte. Lembram-se?
Fraco «anti-benfiquista» este Costinha…

A CBF trocou Dunga por Mano Menezes e o novo seleccionador do Brasil não demorou a chamar David Luiz para o grupo que vai jogar um amigável com os Estados Unidos a 10 de Agosto, em New Jersey. É a primeira vez na sua curta carreira que David Luiz é convocado para os trabalhos do escrete e prevê-se sem grande esforço especulativo que o jogador do Benfica reúna todas as condições para se estabelecer em regime de longevidade na selecção brasileira.
Só quem nunca o viu jogar pode ter dúvidas. E foi precisamente, isso que deve ter acontecido com Dunga, o que carece de explicação porque a um seleccionador exige-se o perfeito conhecimento de todas as perfeições que tem ao seu dispor.


Mano Menezes chamou também Ramires, outro benfiquista, para o jogo com os EUA. Dunga já tinha levado Ramires até à África do Sul mas não confiou nele ao ponto de o fazer jogar a efectivo, com prejuízo para o Brasil que teve sentado no banco um dínamo do mais alto quilate. No que diz respeito a Ramires, resta saber se com Mano Menezes será ou não titular, ou seja, fica apenas por avaliar se o novo seleccionador brasileiro é tanto ou menos conservador que o seu predecessor.

Quanto a Hulk, Dunga e Menezes, para já, têm a mesma opinião sobre o avançado do fc porto. Hulk volta a não constar da lista dos eleitos canarinhos mas a culpa, agora, é do fc porto que não deixou transmitir pela televisão o seu jogo de apresentação com a Sampdória e, assim, poucos foram os que viram o tiraço do meio da rua com que o jogador brasileiro brindou a plateia no Dragão.

Precisamente no mesmo dia em que o histórico Raúl abandonou o Real Madrid da sua vida, também Vítor Baía abandonou as funções que desempenhava na SAD do fc porto da sua vida. Raúl vai jogar na Liga alemã pelo Schalke 04 e Baía vai dedicar-se, segundo as suas palavras, a um «projecto pessoal». Perante a opinião pública, os contornos da saída do jogador madrileno ficaram bem explícitos do que os contornos da saída do jogador com mais títulos conquistados ao serviço do fc porto.
Raúl não cedeu à tentação de uma excepcionalmente bem paga experiencia final no estrangeiro, ainda que tenha confessado a sua hesitação perante a insistência de José Mourinho em tê-lo no grupo. No caso de Vítor Baía, ninguém confessou nada, é um facto.

A imprensa nacional, com a delicadeza que lhe merece a figura do ex-capitão do FC Porto e com o temor reverencial pela figura dos seus ex-patrões, limitou-se a intuir que o facto de Baía ter pouca ou nenhuma intervenção na área do futebol – que é a sua – o poderá ter levado a cansar-se de uma inactividade operacional forçada.

Na época passada todos vimos, com frequência, Vítor Baía em representação do FC Porto em sorteios e noutras ocasiões oficiais. Algumas vezes foi visto ao lado de Rui Costa, que desempenha funções de responsabilidade na SAD do Benfica, e ambos, com a cordialidade que se lhes reconhece, não recearam esse convívio e essa urbanidade. Aparentemente, estávamos no dealbar de uma nova era no futebol português, em que a eterna rivalidade no campo desportivo se sobreponha, com bons modos e com bom aspecto, à grunhice decadente e aos seus tiques de ódio.

A não ser que Vítor Baía se deixe transformar no candidato escondido do fc porto à substituição de Gilberto Madaíl na FPF, agora há que esperar outra vez pela imposição da nova geração nos lugares que lhe pertencem.

E talvez o fc porto, de momento, não precise do capital de bom aspecto de Vítor Baía. Ou, melhor, julgue que não precise. Quem tem um André Villas Boas tem tudo. Um fato é um fato.

O Secretário de Estado da Juventude e Desportos viu «factos graves» no episódio covilhanense entre Carlos Queiroz e a brigada da Autoridade Antidopagem do Instituto do Desporto em Portugal pelo que não hesitou em abrir um inquérito «e despachá-lo para a Federação Portuguesa de Futebol». O assunto veio a público de modo mesquinhamente festivo. Se Carlos Queiroz insultou, de facto, os funcionários de Estado da antidopagem, ora aqui está uma belíssima maneira de o despedir sem ter de lhe pagar a avultada indemnização defendida no seu contrato!

Madail e Queiroz, os dois principais interessados no assunto, continuam em silêncio expectante. Sem expectativas nenhumas de vir a suceder a Queiroz está Manuel José que, sempre no seu jeito directo, aconselhou já o presidente da FPF a evitar aborrecimentos e a contratar Luís Aragonés, o homem que levou a Espanha ao triunfo no Europeu de 2008. Isto se ninguém muito acima vetar o espanhol, claro está…

Tal como no Verão passado, o Benfica lá vai ganhando todos os torneios da pré-temporada. Na terça-feira, em Albufeira, os campeões portugueses desembaraçaram-se do Sunderland com uma facilidade só a espaços complicada pelo excesso de pormenores artísticos exibidos na hora de rematar. Mas como o Benfica tem um plantel equilibrado os golos acabaram por surgir graças a Cardozo e a Carlos Martins que, felizmente, parecem não ter qualquer razão de queixa da bola Jabulani. Para Cardozo e Martins, bola é bola e é para dentro da baliza.

Também para Fábio Coentrão, bola é bola. Ainda agora chegou das férias pós-Mundial e já é o rei das assistências para golo. Antes de ser o lateral-esquerdo mais cobiçado do futebol europeu, Coentrão já era o ponta-esquerda mais promissor do futebol português. Lembram-se?

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