novembro 08, 2010

Aqui á Gato _ Miguel Góis


Fábio e César

Desde o início da época que se ouvem algumas vozes defender que, para o Benfica, este campeonato está perdido. E se partirmos do pressuposto de que, este ano, o principal adversário do Benfica tem sido o Benfica da época passada, estou disposto a concordar com o diagnóstico. Em rigor, o Di María, o Ramires e o Saviola de 2009/10 – hoje em dia, todos eles a jogar em clubes de dimensão mundial – não dão, por enquanto, qualquer tipo de hipótese ao Peixoto, ao Salvio e ao Saviola de 2010/11. Se, pelo contrário, olhámos para os nossos adversários reais, a conversa é outra.
Aos poucos, Jorge Jesus vai começando a fazer o luto da equipa do ano passado e a tomar-se mais pragmático. Até há bem pouco tempo, os leigos só concebiam duas variantes na utilização de Fábio Coentrão e César Peixoto na ala esquerda: Coentrão ataca mais/ Peixoto defende mais, ou Coentrão defende mais/ Peixoto ataca mais. Em boa hora, Jorge Jesus optou por uma alternativa, que não ocorrera a mais ninguém: Coentrão ataca mais e defende mais/ Peixoto ataca menos e defende menos. Se, à primeira vista, a opção parece ter uma ligeira natureza burlesca, não me parece, contudo, que os franceses do Lyon estejam nesta altura em casa a rir-se do facto de terem saído da Luz com quatro “baguettes”.
Ora, esta estratégia implica, como António Tadeia observou, que Coentrão passe variadíssimas vezes por Peixoto: à ida para a grande área adversária (e, como se viu contra o Lyon, Peixoto é só o primeiro de muitos por quem Coentrão passa, a caminho da baliza adversária) e no regresso para a sua grande área. Ou seja, Peixoto faz, em campo, o papel de pai do Coentrão: como já não tem idade para aquelas correrias, diz-lhe que ele pode ir brincar com os outros meninos na relva, mas que não se afaste muito, e que volte à hora combinada. Pode ser o início de uma bonita amizade.

 In Record

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