junho 24, 2011

Futebol á Portuguesa _ José António Saraiva




Fim da linha

O fim da carreira de um jogador é sempre doloroso – para o próprio e para o clube que representa, sobretudo se for uma referência. O grande Eusébio, quando deixou de ser utilizado no Benfica, recusou-se a deixar o futebol e foi para o União de Tomar. Mais recentemente, Jorge Costa, eterno capitão do FC Porto, teve de emigrar perto do final da carreira para um clube inglês. Agora, é a vez de Nuno Gomes partir, deixando atrás de si um travo de amargura.


Mas as coisas são o que são. Talvez já não se justificasse Nuno Gomes ter ficado no Benfica a época passada – e isso só aconteceu pelos laços afetivos que ligavam o jogador ao clube e vice-versa. Mas a saída teria de acontecer um dia.

Nunca fui um fã incondicional de Nuno Gomes. O elogio que mais frequentemente lhe faziam era, simultaneamente, a maior crítica que lhe poderiam fazer: “É o avançado que melhor joga de costas para a baliza.” Ora um avançado-centro deve jogar de frente e não de costas para a baliza...

Julgo que a importância de Nuno Gomes não estava tanto no seu talento futebolístico mas mais no seu talento humano. Era mais culto, mais educado e mais ponderado do que a média. E isso, num meio como o futebol, é importante. Cabe notar que, embora Nuno Gomes tenha sido pouco utilizado na última época, foi quase sempre convocado. E isso só se explica pela sua influência positiva no grupo.

Criticou-se o treinador por, em igualdade de circunstâncias, ter preferido sempre Kardec. É natural, até pelo seguinte: Kardec é um jovem, e o Benfica tinha de o testar para perceber se poderia ou não contar com ele no futuro. Ora Nuno Gomes, sendo um veterano, já não tinha nada para testar...


 In  Record

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