fevereiro 09, 2012

Email Aberto _ Domingos Amaral


"Haircut"

From: Domingos Amaral
To: Godinho Lopes

Caro Godinho Lopes
Aguiar Branco, ministro da Defesa, declarou esta semana que as Forças Armadas, que ele tutela, são “insustentáveis, tal como estão”. Podia estar a falar da Madeira, da banca, do Metro, da CP, da Carris, de Portugal ou da Grécia. Ou do seu Sporting, cuja auditoria mostrou em “falência técnica”; mas também de muitos clubes europeus, que a UEFA considerou recentemente à beira do abismo.

Curiosamente, à nossa volta quase tudo parece hoje “insustentável, tal como está”. E o que fazer? Fecha-se a Marinha e a Força Aérea, o Sporting ou o Metro? Fecha-se a maioria dos clubes de futebol europeus? Fecha-se a Grécia? Claro que não. Há três caminhos. O primeiro é o “merkeliano”, aplicado na Grécia. Viu-se o resultado: a austeridade gerou uma profunda recessão, e os credores vão digerir 70 por cento de perdas. Ou seja, perderam todos. Num clube de futebol, este é o caminho do fim. Lembre-se que, no Sporting, a contenção de custos já derrotou Franco e Bettencourt.

O segundo caminho é o milagre dos “petroeuros”, provavelmente angolanos. É tentador, mas perigoso. Vende-se o clube, mas quem paga manda, e os sportinguistas passariam a andar a toque de caixa de Luanda. É isso que deseja, tornar-se um pau mandado?

Resta a terceira via: reestruturar a dívida com um “haircut” (perdão parcial) e um plano financeiro de longo prazo, credível e ambicioso. Eu ia por aí. Ao contrário da Grécia (e de Portugal), o Sporting ainda pode evitar o ciclo infernal e depressivo da austeridade. Faça isso e continue a construir uma boa equipa, como fez Vieira no Benfica. É difícil e demorado, mas vale a pena.

In Record

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