fevereiro 21, 2012

Futebol á Portuguesa _ José António Saraiva



Amar Aimar

Todas as massas associativas têm os seus bem-amados e os seus mal-amados. Na Luz, Oscar Cardozo, mesmo quando marca golos, é criticado – e Aimar, mesmo quando comete erros, é endeusado.

Sou vizinho de Aimar, pelo que posso testemunhar que é um homem simpático, afável e bom chefe de família. Tem três filhos pequenos, aos quais dá atenção. Dentro do campo, como todos veem, é um senhor. Mas já tem 32 anos e é fisicamente frágil, precisando de ser gerido com pinças. É capaz do melhor e do pior: tanto pode pôr ordem na equipa e lançá-la para a vitória como pode perder bolas em zonas perigosas.

Entretanto, o nome de Aimar no Benfica vai ficar ligado a outro, não argentino mas bem português: Jorge Jesus. Quando Jesus chegou à Luz, Aimar era um jogador em fim de carreira, que parecia já não ter muito para dar. Ora Jesus deu-lhe uma segunda vida.

Como deu uma nova vida ao Benfica – que em 2009 era uma equipa em trajetória descendente, com o desgaste de muitas épocas com péssimas classificações (apenas um título conquistado em 10 anos, vários terceiros lugares e um sexto), e hoje é uma equipa alegre, pujante, capaz de exibições sublimes.

Aimar, que agora renovou, já não vai ficar muito tempo na Luz. Mas Jesus pode ficar. Independentemente do que suceder esta época, já se viu que o Benfica com ele é outra loiça. Jesus já ganhou 100 jogos, tornando-se o melhor treinador da história do Benfica, com 71% de vitórias nos jogos disputados, à frente dos lendários Bela Guttmann (70%), Eriksson (68%) e Otto Glória (65%). Luís Filipe Vieira deveria, pois, fazer com ele um contrato a longo prazo – tornando-o, como um dia escrevi, o Ferguson do Benfica.


In Record

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