fevereiro 10, 2012

Tempo Útil _ João Gobern


Novos objetivos


Em consciência, aplicado o realismo necessário para temperar desejos e esperanças, são poucos os que acreditam que o Sporting – este Sporting carregado de dúvidas e ansiedades, este Sporting em que ainda não se percebeu se contam mais as limitações ou os fantasmas, este Sporting que tão depressa passou de aflito a empolgante e daqui saltou para uma confrangedora banalidade – possa ganhar a Liga Europa. Tratando-se, ainda por cima, de uma prova a eliminar e com adversários poderosos, pode aspirar-se ao prolongamento de uma aventura. Mas a expedição pode desfazer-se já na próxima esquina.

Depois há o campeonato. Aí, num par de meses, o Sporting passou de candidato-sombra (esteve a um ponto dos comandantes, recorde-se) a uma posição em que o seu combate parece confinado a Sporting de Braga e a Marítimo, na corrida pelo último lugar do pódio, o tal que avaliza a participação na pré-eliminatória da Champions. A cinco pontos dos minhotos, que o precedem, joga no próximo sábado uma cartada muito importante, quando fizerem nos Barreiros o segundo jogo do périplo madeirense, então com o surpreendente Marítimo de Pedro Martins. Em caso de derrota, recorde-se, baixa a quinto lugar.

A Taça da Liga ajudou os leões a mergulharem na depressão. Apesar de ser uma competição geométrica e ideologicamente desenhada para os grandes, o Sporting não fez o que lhe cumpria, não ganhou nenhum jogo e acabou atrás de Gil Vicente e Moreirense.

Mais logo, tudo ficará decidido quanto à Taça de Portugal que, depois dos brindes do FC Porto e do Benfica, o Sporting “tem obrigação de ganhar”. Claro está que a ideia de que este passou a ser o grande objetivo da época tem duas leituras. Por um lado, o Sporting precisa do Jamor como de pão para a boca, pelo reencontro festivo dos seus adeptos, pela proximidade a que fica de regressar a um título. Mas, confesso, deixa-me a pensar eu seja o treinador – não o adepto – a definir a Taça como o grande objetivo da temporada quando, em termos futuros, o tal terceiro lugar no Campeonato será seguramente mais útil e mais agradável (do ponto de vista financeiro, no que toca às eventuais contratações). A Taça vale currículo e alguma mobilização. A “medalha de bronze” na Liga vale futuro e desafio. É por isso que podemos questionar-nos se, com a sua escolha clara, inequívoca, Domingos Paciência dá sinais de uma personalidade romântica ou se, pelo contrário, quer ganhar a Taça por saber ou intuir que, na próxima época, já não estará no comando técnico do Sporting. Quero acreditar na primeira hipótese. Além do mais, se o Sporting chumbar logo na Choupana, parece que fica despido, vazio, de outros objetivos. E isso não augura nada de bom.

In Record

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