abril 18, 2012

Crónica de João Malheiro


 Metamorfose

Vítor Pereira era contestado, Jorge Jesus era idolatrado, Domingos Paciência era venerado. Chegou a ser assim ou não? E ainda nesta temporada. O FC Porto apartou-se precocemente da Europa da bola e pareceu soçobrar na Liga nacional, o Benfica deu colorido na Champions e pareceu espairecer em triunfo no Campeonato, o Sporting jogou alto no exterior e pareceu jogar crescido no domínio interno. Chegou a ser assim ou não? E ainda nesta temporada.

As contas estão quase saldadas. Vítor Pereira reabilitou-se, Jorge Jesus enterrou-se, Domingos Paciência demitiu-se. O futebol tem destas coisas, tem mutações imprevistas, tem nuances esquisitas. Dois ou três jogos mudam cenários, alteram atmosferas, provocam metamorfoses. A bola não é uma certeza, nunca será. A bola é uma incógnita, sempre será.

A um mês do termo da competição, Vítor Pereira resulta, Jorge Jesus não exulta, Domingos Paciência nem resulta. O FC Porto vai ser campeão, o Benfica vai ser frustração, o Sporting só vai ser consolação. Vítor Pereira é melhor treinador do que Jorge Jesus? Vítor Pereira é melhor treinador do que Domingos Paciência? Não é certamente. Mas vai ganhar o que os outros se propunham ganhar. Nem sempre ganha o melhor? Mas quem ganha, ganha sempre melhor.

Esta temporada tem tido muito de atípico, de anómalo. Campeonato para o FC Porto, Taça da Liga para o Benfica, talvez Taça de Portugal para o Sporting de… Sá Pinto. Satisfação a três? Nem pouco mais ou menos. Aprazimento portista, desagrado benfiquista, talvez alívio sportinguista. Esta temporada vai provar que a bola, se dúvidas houvesse, é ainda mais redonda que as precipitadas contas redondas de muita gente redonda em matéria de futebol.

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