abril 05, 2012

O Voo da Águia_ Marta Rebelo


Acreditar

O sonho durou seis minutos. Entra o Nuno Gomes e azarou-nos a vida. Já não acredito no campeonato. Não consigo. O ano passado perdemos cinco a nada com o Porto, esta época perdemos cinco pontos. Começámos a perder o campeonato na Cidade Berço. O carrasco é meu amigo, treina em Guimarães mas um dia o Glorioso, o Rui Vitória. Mas ali foram três pontos. A arbitragem mais um quantos. Mas os golos que consentidamente sofremos, todos os que não marcámos, as substituições que eu não soube perceber, a teimosia do míster em defender os indefensáveis? Passei um ano a descrever as inqualificáveis misérias do César Peixoto. Mal sabia eu a desgraça desgraçada que nos ia calhar: um tal de Emerson, que nem num clube de fim de tabela teria direito à titularidade. Que o Ramires tão bem descreveu esta semana como “o lado mais fraco do Benfica”.

Mas depois veio o Bruno César. Aos 90’ e uns segundos a bola voltou a entrar no galinheiro do Quim. Caramba, saltou-me o coração. Esqueci-me que não gostei do Witsel a maestro, marcou o penálti (e naquele momento quis lá saber se era – e foi – penálti). Senti saudades do Cardozo (embora saiba Deus se ele teria marcado o penálti).

Perdoei o jogo do Rodrigo, que o arruaceiro do Bruno Alves estragou. Quis as luvas do Artur, assistir como o Gaitán, quis as chuteiras laranja do Chuta-que-chutou, o futuro do Nélson, os títulos do Cap, a esperteza do Javi, a cura do Miguel Vítor, a garra do Super Maxi, a camisola do Capitão. Eu só quero o Benfica campeão.

Com raça, com garra, querer, ambição. E acredito.

Quem entra na Luz e tenta o empate perde.


In Record

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