novembro 18, 2011

Tempo Útil _ João Gobern



Coelho na cartola

Pouco importará investigar quem primeiro reconheceu, e em público, que a crise económica não vai poupar o futebol e vai empurrar os clubes, de acordo com as respetivas dimensões, para um desinvestimento considerável – se quiserem sobreviver sem hipotecar drasticamente o futuro… ou o presente. Da mesma forma, pouco renderá o voluntarismo desta análise se quem a assumiu não tiver a compreensão e a concordância, prática e efetiva, dos seus pares. É um daqueles casos em que a salvação de um, por bom senso, pode ser a escapatória para os outros e em que um naufrágio poderá arrastar os parceiros para o desastre coletivo. E será uma ocasião para se medir se prevalece a racionalidade ou se a pressão tresloucada das massas ululantes leva a melhor.

Para já, os sócios e adeptos do Benfica não podem alegar desconhecimento – foram formal e atempadamente prevenidos pelo seu presidente. O que parece exagerado é ligar diretamente este pré-aviso de rigor e contenção ao que já é tratado como “caso Saviola”. O avançado argentino tem, ao longo da presente época, enfrentado dois obstáculos com que talvez não contasse, pelo menos para já. Por um lado, a adesão de Jorge Jesus a uma variante do duplo pivô (por hábito Javi García e Witsel), com Aimar a jogar atrás do único avançado de raiz no onze. E que pode ser Cardozo, pelas suas características. Mas que também tem sido Rodrigo, o jovem espanhol de origem brasileira que explodiu e tem marcado presença de mérito mais rapidamente do que muitos esperavam, acabando por remeter, mais vezes do que seria imaginável, El Conejo para o banco de suplentes.

Significa isto que Javier Saviola arrumou as botas no Benfica e que o clube pode e deve vendê-lo sem remorsos na janela de mercado de Janeiro? Não me parece nada evidente esta ideia. Se não houver surpresas, o Benfica ainda estará na Liga dos Campeões quando estrearmos 2012 e vai continuar envolvido na disputa pelo título. A juntar aos castigos e às lesões, haverá inevitavelmente quebras de forma e necessidade de rotação. Saviola pode passar de ativo evidente a arma secreta. Ao que se sabe, Jesus conta com ele, Aimar gostava de manter a dupla, todos os ligados à equipa sentem que a fonte está longe de secar. Os adeptos do futebol, clubismos à parte, gostam de ter craques por perto. Pelo que a guia de marcha a Saviola seria um erro a viajar muito além do simbolismo da austeridade. Há outras frentes de fogo a combater primeiro.PS – Com mais ou menos dificuldade, Portugal chega à sétima fase final consecutiva em Europeus e Mundiais. Foi o último a apurar-se? Há que aprender a lição mas, em hora de festa, vem-me à ideia a velha frase de que os últimos podem sempre ser os primeiros…


In Record

2 comentários:

Jotas disse...

Gobern é sempre muito lúcido no que diz, não vê como muita gente fantasmas nem imagina cenários em palavras que querem significar o que realmente significam.
Revejo-me no texto.

Sakana disse...

AS CAMISINHAS LAMPIONAS
http://sakanagem69.blogspot.com