abril 26, 2011

Contra a Corrente _ Leonor Pinhão



Pela primeira vez ouvimos Antero sem ser nas escutas da Polícia Judiciária

O FC Porto está-se nas tintas para a arbitragem no último clássico mas, pelo
contrário, está muito empenhado no nível da que há-de ter na Luz no próximo jogo.


Com Pinto da Costa na qualidade de assistente com lugar na primeira fila da plateia, Antero Henrique deu-se finalmente a conhecer ao País para denunciar os quinze erros cometidos pelo árbitro Duarte Gomes, erros que lesaram o FC Porto não impedindo, contudo, a vitória dos novos campeões nacionais no Estádio da Luz.Do ponto de vista dos seus interesses, foi bem jogada esta iniciativa política do FC Porto que, a falar verdade, se está perfeitamente nas tintas para o Duarte Gomes e para o observador da Liga posto em causa. Mas que não se está nada, mas mesmo nada nas tintas, para o Benfica- FC Porto da meia-final da Taça de Portugal e para o árbitro e para o observador que irão estar na Luz na próxima quarta - feira.Antero Henrique é director-geral da SAD do FC Porto e está longe de ser aquilo a que se convencionou chamar uma figura mediática do universo portista. Até à última segunda - feira, Antero Henrique era praticamente um desconhecido do grande público.

E, por essa razão, a conferência de imprensa no Estádio do Dragão constituiu um momento histórico do regime. Pela primeira vez, todos tivemos a possibilidade de ouvir Antero Henrique falar sem ser nas educativas escutas da Polícia Judiciária.

Fernando Oliveira, o presidente do Vitória de Setúbal, está ofendido com o Benfica. Chega mesmo a insinuar que Jorge Jesus fez o que estava ao seu alcance para não ganhar o jogo com a Naval 1.º de Maio, o que atrapalha um bocadinho as contas do Vitória tendo em vista o seu legítimo propósito de manutenção na Liga principal. Parecendo não confiar muito na capacidade da sua equipa, que luta honestamente para não descer de divisão, o presidente do Vitória de Setúbal conhece bem o regime em que se vive e entendeu, a quatro jornadas do fim da prova, ser este o momento ideal para se indispor contra o Benfica.

E, consequentemente, fazer-se bem visto e estimado no Estádio de Dragão, recolhendo, de imediato, o elogio de Pinto da Costa, que lhe há-de valer de muito como teremos
oportunidade de comprovar.

Como convém, o presidente do Vitória de Setúbal não se limitou a condenar o Benfica como se esmerou em elogios ao FC Porto e ao seu treinador André Villas Boas, a quem
apelidou de «homem com H grande» porque, apesar de ter apresentado em Portimão uma equipa desfalcada de inúmeros titulares habituais, ganhou o jogo aos algarvios que lutam com o Vitória pela manutenção.

Triste e errada ideia esta de Fernando Oliveira pois, apesar de ser um dirigente experiente, parece acreditar que serão fenómenos do outro mundo a decidir quem desce
e.não desce à Liga Orangina. E, pelo sim pelo não, resolveu pôr-se a coberto nesta fase final da prova. Mas a coberto de quê e de quem?

Todos temos por certo que o presidente do Vitória de Setúbal é um homem ajuizado, em determinadas circunstâncias. Jamais se atreveria a espalhar -se ao comprido acusando, por exemplo, o guarda- redes do Portimonense, o jovem Ventura, de ter consentido de propósito aquele bonito golo de Hulk com o intuito de prejudicar a vida do Vitória.

E registe-se a contenção de Fernando Oliveira porque, na primeira volta do campeonato, quando o Vitória foi ao Dragão e Jailson, já em período de descontos, foi obrigado pelo
zelota Elmano Santos a repetir o pontapé de grande penalidade que daria o empate ao Vitória, o presidente dos visitantes nem se atreveu a discutir a decisão do árbitro.

Optou, como estarão recordados, por criticar o seu próprio jogador.
«Com um pontapé daqueles até parece que fez de propósito», disse. E disse tudo.

O «fazer de propósito» faz parte da cultura futebolística de Fernando Oliveira? Sem dúvida, o histórico Vitória de Setúbal merecia ter quem pensasse melhor em sua defesa. As coisas, no entanto, são como são e apenas há a estranhar o silêncio de Fernando Oliveira, até na sua condição de simples adepto vitoriano, quando, em 2009, o Público titulou a crónica do jogo FC Porto - Vitória de Setúbal assim: «O estranho caso do minuto 58».

E explicava aos seus leitores o cronista de serviço: «De uma assentada, Leandro Lima e Bruno Gama foram substituídos por dois colegas de equipa. Coincidência ou não,
Leandro Lima e Bruno Gama, jogadores emprestados pelo FC Porto ao Vitória de Setúbal estavam a ser os jogadores mais perigosos dos sadinos.


Coincidência ou não, o jogo que estava empatado ganhou outra vida quatro minutos depois com o primeiro dos dois golos do FC Porto. O tiro no pé de Carlos Cardoso deu uma
segunda vida ao campeão nacíonal.»

Ora é nisto mesmo que Fernando Oliveira tem de se concentrar nesta fase aguda do seu campeonato: no futebol, em querendo, há sempre uma segunda vida ... e verá como
não desce de divisão.

Tem razão e bom senso Pablo Aimar quando diz que será «durissímo» jogar com
o Sporting de Braga na meia - final da Liga Europa, isto se os dois clubes portugueses
em questão conseguirem afastar hoje à noite o PSV Eindhoven e o Dínamo de Kiev, o que em nenhum dos casos está garantido.

Era bom que passassem os dois à meia-final. Trata-se de uma competição europeia, tem o seu prestígio ainda que nascente mas o melhor de tudo seria podermos assistir a dois jogos escaldantes de importância com organização competente e atenta da UEFA no lugar da organização complacente e distraída da nossa querida Liga portuguesa.

Garantido estaria, por exemplo, que a instalação sonora do Estádio Axa não transmitiria o Hino Nacional ao intervalo. Mas onde é que já se viu uma coisa destas?

Olegário Benquerença, a par de Carlos Xistra, está apontado para dirigir o Benfica - FC Porto da próxima quarta - feira. O tal jogo que vai decidir qual dos dois emblemas assegura a presença na final da Taça de Portugal.
Benquerença esteve anteontem em acção num palco importante. Em Inglaterra dirigiu o jogo entre o Manchester United e o Chelsea e podemos dizer que fez uma arbitragem ao
seu nível. Deve ter saído feliz de Old Trafford porque conseguiu, uma vez mais, expulsar um jogador do Benfica ... Sim porque Ramires, mesmo longe, continua a ser dos nossos.
Pelo menos é o que nós sentimos. E, certamente, é o que Benquerença sente também. Ramires foi muito mal expulso, o que foi pena.

Não foi há muito tempo que o semanário Expresso se enganou e deu a notícia
de que Pinto da Costa tinha sido internado de urgência no Hospital da Luz vitimado
por num ataque cardíaco. O jornal reparou o erro pedindo desculpas ao presidente do FC Porto e o presidente do FC Porto aproveitou o erro para se virar com vulgaridade e 
deselegância para o Benfica:

«Estava a caminho das urgências quando passei pela morgue e vi que lá estava grande parte do Benfica e aí melhorei», disse Pinto da Costa à revista Caras, como que provando a
sua excelente saúde física e mental, já para não falar da sua celebrada «ironia do costume».

Esta semana, desgraçadamente, um comentador da Benfica TV caiu na tentação de responder ao presidente Pinto da Costa utilizando a arma da «ironia do costume» e saiu-se mal da situação, como não poderia deixar de acontecer porque aconselha o bom senso a nunca, mas nunca na vida, respondermos em níveis retóricos, baixos ou altos, quando o interlocutor é mais experiente e qualificado, como é o baixo caso em questão.

Explicando melhor com exemplos à parte desta contenda mórbida: numa discussão entre idiotas, ganha sempre o idiota mais experiente e mais qualificado na área específica da idiotice. E numa discussão entre labregos vencerá sempre o maior labrego porque é o que está mais à vontade e domina na perfeição a arte da labreguice.

A Benfica TV é um canal de sucesso, uma alegria para os benfiquistas e tem produzido conteúdos próprios de qualidade que pede meças a outras estações televisivas igualmente
vocacionadas para o desporto. Faltará apenas umas horas extras de formação para os seus colaboradores.
Para não se repetirem coisas destas.

1 comentário:

Juris disse...

Mas, Ó Red, o amigo Pinhão desde que regressou do safari no Quénia, veio bastante combalido, nem ata nem desata.

PORRA...PORRA...

Assim, não vamos lá é preciso mais acutilância, uma linguagem mais vernácula para atiçar as tropas.