fevereiro 16, 2011

Crónica de João Malheiro


Verde não é esperança

Liedson deixou o Sporting, foi comovente a despedida. Correram lágrimas em Alvalade. Por Liedson? Mais do que por Liedson, pelo Sporting. Numa altura em que o clube atravessa uma crise directiva, vive submergido em problemas múltiplos e transmite uma pálida imagem competitiva, a perda do grande goleador das últimas temporadas acentuou a angústia leonina e o afogo no horizonte mais próximo.

Quanto vale o Sporting da actualidade? Esse mesmo clube, ainda com estatuto aristocrático no futebol doméstico, que nos últimos 40 anos apenas venceu cinco Campeonatos? Esse mesmo clube que, há duas ou três décadas, exibia com orgulho a excelência do seu ecletismo vencedor? Que esgrimia com nomes da casta fabulosa de Joaquim Agostinho, Carlos Lopes, Fernando Mamede ou António Livramento? Que projectou, ainda recentemente, na alta-roda da bola, futebolistas do jaez de Paulo Futre, Luís Figo, Simão Sabrosa, Cristiano Ronaldo, Quaresma ou Nani. 

Há no Sporting um fenómeno de belenensização, só não tão acentuado porque dispõe de uma massa adepta ainda numerosa. Só que a sedução Sporting, ao invés da sedução Benfica ou FC Porto, é cada vez menor. O clube perde referências e não parece capaz de se reabilitar. Pior ainda, um Sporting pujante faz falta ao desporto nacional, no caso vertente ao futebol português. Os próximos tempos do Sporting vão ser dolorosos. Perdeu, porventura de forma irreversível, a carruagem da frente. E, porque aconteceu assim, situa-se e só muito imprevistamente sairá do apeadeiro da desilusão.

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