março 31, 2011

Crónica de João Malheiro



Desonra

Albertina Dias foi uma das melhores atletas portuguesas de sempre. Campeã nacional de crosse, integrou a embaixada nacional nas Olimpíadas de Seul, Barcelona e Atlanta. Soube-se, recentemente, que pôs à venda as medalhas que foi conquistando no decurso de uma longa, copiosa e aplaudida carreira. A razão? Dificuldades financeiras.

Que País é este que deixa uma desportista da estirpe de Albertina Dias chegar a uma situação humilhante? Que fazem as autoridades, sempre tão histéricas a colherem dividendos dos feitos desportivos, para obstarem a uma situação com foros de crueldade. Os mesmos que aclamaram Albertina Dias, os mesmos que têm responsabilidades governamentais ou autárquicas, parecem ter hibernado neste caso que está a chocar as gentes gratas e solidárias.

Albertina Dias não tem lugar, obviamente remunerado, numa qualquer estrutura? Ela e tantos outros desportistas que, em tempo útil, representaram Portugal com a máxima dignidade e competência. Que País é este que não tem Carlos Lopes, Rosa Mota ou Fernanda Ribeiro com ligação efectiva ao nosso quotidiano desportivo? Como é possível desperdiçar semelhante capital, susceptível de empolgar milhares de jovens em idade escolar ou no começo da vida profissional?

Que País é este que quase sempre desaproveitou, ao nível institucional, uma figura da envergadura de Eusébio? Afinal, o mesmíssimo País que tem um campeão europeu de futebol, de nome Artur Jorge, que mais parece ter vergonha do desiderato que há anos garantiu.

De quem é a responsabilidade? Jamais dos próprios desportistas. Incontestavelmente, de mentalidades tacanhas e de tanta gente com responsabilidades que mais não é do que credora das mais feiosas medalhas de lata disponíveis no mercado.

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