outubro 17, 2011

Contra a Corrente _ Leonor Pinhão


A Estónia, por favor, venha a Estónia!

Na sexta-feira da semana passada, depois de Nani marcar o seu segundo golo aos simpáticos islandeses, o público do Dragão desatou a cantar em coro o nome do dito Nani e qualquer pessoa com dois dedos de testa percebia logo que este torneio de qualificação para o Europeu de 2012 só podia acabar como acabou, ou seja, num desconcerto completo e numa meia aflição.

Tudo isto porque, como toda a gente sabe, o nosso Cristiano Ronaldo, excelente miúdo certamente, fica nervoso quando ouve o público a cantar nos estádios outro nome que não seja o dele. E o caso está a tornar-se bicudo.

Não espanta que em Espanha as plateias pró-Barcelona não parem de cantar o nome de Messi sempre que o nosso Cristiano Ronaldo toca na bola. São coisas lá deles, dos espanholitos, e ainda bem recentemente uma sondagem publicada no diário madrileno As desfazia o mito local da superioridade do Real Madrid em termos de adeptos.
De acordo com as respostas dos inquiridos, o Barcelona é o clube preferido dos espanhóis com 44% dos afectos recolhidos enquanto o Real Madrid é o clube mais detestado de Espanha, com 51% das intenções de desamor, seguido pelo Barcelona com 40% e do Sevilha com 30%.

Não admira assim que Cristiano Ronaldo, o melhor jogador do Real Madrid, tenha de sofrer grandes amarguras de ego sempre que se vê longe do conforto do Santiago Bernabéu e perante público hostil que sabe perfeitamente como atazaná-lo onde lhe dói.
Também no último jogo do Real Madrid para a Liga dos Campeões, na Croácia, Ronaldo passou pelo mesmo tendo de suportar os cânticos pró-Messi dos adeptos do Dínamo de Zagreb. “Não gostam de mim porque sou rico, giro e grande jogador”, disse o português no fim do jogo. Nada disto espanta.

Já espantou, isso sim, que a moda de enervar o nosso Cristiano Ronaldo cantando por Messi tenha chegado a Chipre como se viu da última vez que a selecção foi lá jogar. Foi, admita-se um despautério cipriota na ânsia de perturbar o capitão de selecção portuguesa. E perturbaram mesmo.

Viu-se no modo Cristiano Ronaldo comemorou os golos que consegui marcar em Limassol, correndo para as bancadas com vontade de despachar aquele pessoal à estalada. Mais tarde, na conferência de imprensa, diria que estava habituado «a calar o público todo o ano» e nem uma vez sequer proferiu o nome de Lionel Messi.


Eu não sei o público que esteve no Dragão a assistir ao Portugal – Islândia tem noção deste transe em que vive o nosso Cristiano Ronaldo. Aparentemente não tiveram noção alguma e nem pensaram duas vezes antes de, em coro, chamarem por Nani em fundo musical.
É que o nosso Cristiano Ronaldo, por ser simples e bom miúdo, ainda pode admitir que haja uns «anormais» - como ele próprio sublinhou – que não o considerem o melhor jogador do mundo e que a ele prefiram aquele argentino pequenino, pouco ou nada giro, que joga em Barcelona. E, assim sendo, que cantem, gritem por Messi as vezes que muito bem quiserem e entenderem.
Isto é uma coisa…

Agora outra coisa é uma pessoa, como o nosso Cristiano Ronaldo, estar a jogar em solo pátrio contra o inimigo estrangeiro e desatar o povo das bancadas não a entoar por Messi, graçola a que já está habituado, mas, pior ainda, a cantar por Nani, um simples compatriota que nunca sequer foi nomeado para a Bola de Ouro da FIFA.
Podem não acreditar, mas isto foi uma grande alfinetada no ego já dorido do capitão da nossa selecção que provou em casa, que horror, o fel da traição dos seus compatriotas.
Está, portanto, explicado este inacreditavelmente medíocre final de campanha rumo ao Europeu de 2012. É verdade que o início da campanha foi ainda pior, muito pior, mas o que fica são as últimas impressões e estas de Copenhaga são de molde a fazer esquecer rapidamente aquela série lamentável de insucessos que marcou o fim da era Carlos Queiroz in absentia, já posto a milhas pelos responsáveis da FPF.
É assim a vida, Paulo Bento. Enquanto hoje, Carlos Queiroz festejava a goleada que o seu Irão impôs ao Bahrein – logo por 6-0! – e assume todo o favoritismo do Grupo E da qualificação asiática, a nossa selecção vê-se obrigada a disputar o “Play-off” de qualificação para o Europeu de 2012 e com o credo na boca, porque nestas coisas, enfim, nunca se sabe…

Antes que o sorteio dite quem vamos ter por adversário – fica-se a saber amanhã – e admitindo que a nossa selecção se vá apresentar nos dois jogos decisivos da mesma forma como jogou com os islandeses e dinamarqueses, nesse caso, por favor, vamos todos desejar que nos saia a Estónia porque a Bósnia e o Montenegro serão adversários tramados e a Turquia até mete medo.

Mas graças às contas dos rankings, já nos escapámos da República da Irlanda comandada pelo senhor Giovanni Trapattoni que percebe mais de futebol a dormir que muita gente acordada.

Pinto da Costa acreditava que Portugal se iria qualificar directamente em Copenhaga para o Europeu de 2012. De outra forma, jamais se arriscaria a acompanhar a selecção nacional.
Uma figura do porte político e desportivo como Pinto da Costa não pode fazer uns bons milhares de quilómetros para ir assistir a uma derrota ainda sem conclusão, para ir abençoar com a sua presença e com a sua áurea de triunfador uma carrada de incompetentes.
E foi precisamente isso que se passou.
No entanto, dizem-me que não, que não foi por causa do jogo da selecção que Pinto da Costa foi à Dinamarca. Que foi apenas e por causa das próximas eleições para a Federação Portuguesa de Futebol.
Ora, no meu entender, nada disso faz sentido portanto adiante…

Rúben Amorim, se me permitem a confissão, é o jogador do Benfica de que mais gosto. E não é por ser português. É por ser do Benfica. E por ser também uma boa cara, um bom sorriso e um excelente jogador como nos vem provando a todos há dois ou três anos.
Depois de passar uma semana fora da Luz, visto que foi chamado por Paulo Bento para integrar o grupo de seleccionados para os jogos com a Islândia e com a Dinamarca, Rúben Amorim voltou agora a casa para se reencontrar com os colegas e com Jorge Jesus.
Jorge Jesus, a propósito das declarações de Rúben Amorim sobre o que pensa Jesus ser diferente do que pensa Paulo Bento, disse no fim-de-semana passado que iria conversar com o jogador assim que ele regressasse dos trabalhos da selecção e que ambos, «com a inteligência de cada um», saberiam certamente resolver essa pequena desinteligência.
Não faço, nem ninguém faz, a mínima ideia do que Jorge Jesus terá dito por estes dias a Rúben Amorim sobre o assunto.
Talvez qualquer coisa deste género:
 - Olha, Rúben, afinal o Paulo Bento pensa como eu, também te deixa sentado no banco a ver os outros jogar…
Não há de ter sido assim, com certeza, que se passou o reencontro entre o treinador e o jogador. Mas sem conhecer nem um nem outro, quase que aposto que Jorge Jesus teve de se segurar todo para não lhe sair este remoque da boca para fora.

O Presidente do Marítimo não se conforma com o desfecho do caso Kléber, jogador brasileiro que transitou do Funchal para o Porto sem que chegasse meio cêntimo sequer à ilha da Madeira.
Carlos Pereira voltou a falar recentemente no assunto e, apesar da mágoa que lhe assiste, mostra-se confiante no fim do filme.
 - A Justiça encarregar-se-á de castigar os prevaricadores – disse.
Bom, é uma opinião.
Mas sente-se, Carlos Pereira, mais vale esperar sentado.

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