outubro 17, 2011

Futebol á Portuguesa _ José António Saraiva



Naufrágio

Depois de uma brilhante recuperação, em que Portugal fez 15 pontos em 15 possíveis e ficou a uns metros de alcançar a praia, Paulo Bento deitou tudo a perder!

É verdade que, por isto ou por aquilo, foi perdendo todos os jogadores da defesa. Primeiro Ricardo Carvalho, depois Pepe, finalmente Fábio Coentrão. E até Sílvio, uma boa alternativa para uma faixa lateral, se lesionou.

Mas por que responsabilizo Paulo Bento pelo naufrágio de ontem? Porque não retirou as devidas conclusões do jogo com a Islândia. Neste encontro já tinha ficado claríssimo que a defesa era um passador. As faixas laterais funcionavam como duas autoestradas onde os adversários corriam sozinhos e a faixa central parecia a Avenida da Liberdade, com Rolando a ver passar os automóveis.

Confesso que nunca esperei que Paulo Bento apresentasse na Dinamarca a mesma defesa que jogou com a Islândia. Havia que substituir pelo menos um lateral (Eliseu por Veloso) e pôr um trinco a ajudar os dois centrais. Mas não fez uma coisa nem outra – e desde o primeiro minuto adivinhou-se o pior. Aliás, só a sorte e Patrício evitaram um resultado humilhante.

Depois do que se passou, não se percebe que Paulo Bento tenha dispensado Ricardo Carvalho forever, e custa a aceitar a exclusão de Bosingwa.

De uma defesa de luxo, com três jogadores do Real Madrid (Carvalho, Pepe e Coentrão) e um do Chelsea (Bosingwa), Portugal passou a uma defesa improvisada. E pagou isso bem caro: morreu à vista da praia. Foi cruel mas não deixou de ser justo.


In Record   

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