outubro 23, 2011

Contra a Corrente _ Leonor Pinhão





Teimosia e sentido de Estado

O que devem, então, os portistas fazer quando André Villas Boas subir ao palco para receber o seu Dragão de Ouro? Fazer barulho? Virar as costas? Abandonar o recinto? Fazer o pino?

Depois de na temporada passada ter feito uma figura tristíssima na Liga dos Campeões, o Benfica vai agora bem lançado para o apuramento e pode até encarar a perspectiva de ir a Manchester com o assunto resolvido, o que é um grande alívio, com toda a franqueza.
Anteontem, em Basileia, o Benfica fez o que lhe competia. Ganhou, somou 3 pontos e reforçou a economia do país com os euros devidos por cada vitória na competição.
Dizem os entendidos que Jorge Jesus está agora com um grande problema na linha de ataque porque tem de escolher entre Nolito ou Bruno César ou Saviola ou Cardozo ou Rodrigo ou Rodrigo ou Bruno César ou Saviola ou Nélson Oliveira para o lugar de todos os demais. É, na verdade, um problema maravilhoso de resolver e Jesus lá o tem resolvido com sucesso e perante a aprovação geral.

Do ano passado para este ano, de facto, o Benfica tem mais um problema - o tal no ataque - mas, por outro lado, tem menos um problema, o problema da baliza.
E aqui está um problema que deixou de existir porque Artur tem dado conta de recado com um tal sentido de Estado, de modo tão imperturbável que mais parece um jogador de cartas do tipo poker face, daqueles que nem pestanejam e deixam os adversários à beira de um ataque de nervos por não conseguirem adivinhar o que lhe vai na alma.
No sábado é em Aveiro. E também é para ganhar.

Por fim, a Justiça portuguesa alinhou com a decisão do Tribunal Europeu dos Direitos do Homem e limpou o crime de difamação do cadastro do jornalista José Manuel Mestre.
Para que este caso morresse foram precisos 15 anos e uma reprimenda do TEDH, sediado em Estrasburgo, ao Estado português por «não ter acautelado a defesa da liberdade de expressão» que consta na carta universal dos direitos do homem.
Assim sendo, os Juízos Criminais do Porto que tinham condenado José Manuel Mestre e a SIC em primeira instância, reconhecem agora que não houve da parte do jornalista intenção em difamar o presidente do FC Porto quando, em 1996, entrevistando Gerhard Aigner, à época secretário-geral da UEFA, Mestre perguntou ao dirigente estrangeiro se achava normal que Pinto da Costa, à época presidente da Liga dos Clubes, se sentasse no banco dos suplentes à frente dos árbitros quem era «por inerência de cargo» o patrão.
Com as próximas eleições na FPF e com o frenesi estratégico que por aí vai com o regresso da arbitragem ao seio da Federação, seria bom para o país - porque tempo é dinheiro - que Fernando Gomes, neste particular, não demonstre uma sensibilidade tão à flor da pele quanto exibiu Pinto da Costa quando acumulava o cargo de presidente da Liga e isto num tempo em que a arbitragem ainda estava longe, muito longe mesmo, de regressar aos poderes da Federação.
Também é verdade que não se vislumbra motivo algum para Fernando Gomes se sentar no banco do FC Porto à frente dos árbitros de quem, por inerência de cargo, vai brevemente ser o patrão, o que não constitui ofensa alguma.
Neste período pré-eleitoral, lendo transversalmente as notícias dos jornais sobre o assunto, fica-se com a ideia, provavelmente errada, de que o acto do próximo mês de Dezembro não serve para eleger um novo presidente da FPF mas sim um novo patrão dos árbitros.
E deste lamentável paradoxo nem Fernando Gomes nem nenhum dos outros concorrentes tem culpa alguma.

Voltemos ao tema da liberdade de expressão a propósito da notícia de que André Villas Boas será agraciado com o Dragão de Ouro para o treinador do ano na próxima Gala de distribuição de prémios entre a nação portista.
Garantidamente que o ex-treinador do FC Porto vai ter direito à liberdade de expressão na festa do Coliseu do Porto.
Mas ainda Villas Boas nem sequer aterrou em Pedras Rubras, muito menos teve ainda tempo para alinhavar as palavras do seu discurso de agradecimento, e já a liberdade de expressão de terceiros anda a fazer das suas. É que não param, por SMS, e-mail, redes sociais e literatura vária, as sugestões para uma recepção condigna ao jovem que trocou a sua pátria cadeira de sonho por uma vida profissional, enfim, na Europa.
O que devem, então, os portistas fazer quando André Villas Boas subir ao palco nessa noite que se avizinha histórica no Coliseu?
Fazer barulho? Virar as costas? Abandonar o recinto?
Fazer manguitos? Fazer o pino?
A seu tempo se verá mas fez bem o FC Porto em atribuir o Dragão de Ouro de melhor treinador ao treinador que lhe deu a vitória em quatro celebradíssimas competições oficiais numa única época. Demonstrou sentido de Estado. Aliás, outra coisa não poderia fazer sob pena de ridículo.
Resta também saber o que vai fazer e dizer Villas Boas quando agradecer a distinção.
Vai ser humilde?
Talvez...
Ou vai, com a ironia do costume que reina na casa, dedicar o prémio a Vítor Pereira com quem aprendeu tudo?
Pouco provável...
Ou vai fazer como Danny e, sem grandes explicações, não comparecer na soirée marcada para o Porto?
Improvável...

Apesar de já ter estado marcada para a soirée, quem não vai comparecer no Estádio de Alvalade no próximo dia 15 de Novembro é a selecção nacional de futebol. Afinal, a selecção vai receber a Bósnia no Estádio da Luz, o que levou a um natural reacender de teimosias entre sportinguistas e benfiquistas.
Ouçam-nos:
-O vosso estádio dá galo e está o destino da Pátria em jogo...
-Mas foi no vosso Estádio que perdemos a final do Euro 2004 para a Grécia.
-Em Alvalade, o Paulo Bento só coleccionou desgostos.
-Isto há política aqui metida. Será por não termos apoiado o Fernando Gomes primeiro que vocês?
-O homem ainda nem sequer foi eleito. E o nosso estádio tem mais 15 mil lugares do que o vosso.
-Mas achas que há mais de 15 mil pessoas a pagarem bilhete com IVA a 23% para não verem o Bosingwa e o Ricardo Carvalho jogar...?
-Dá graças a Deus por ser na Luz. Se fosse em Alvalade e se, por acaso, vocês vissem o Hélder Postiga a marcar um golo de bicicleta à Bósnia até vos dava uma coisinha má...
-Quero lá saber do Postiga, nós agora temos o Van Wolfswinkel.
-Ai é? Então vai apoiar a selecção da Holanda e deixa a nossa selecção em paz?
-A nossa selecção? A tua selecção deve ser a da Argentina, com certeza, são tantos...
-Olha, o Djaló tem-te escrito?
Têm sido assim as conversas na 2.ª Circular desde que a FPF trocou de estádios sem avisar ninguém.

Vítor Pereira diz que «se fosse hoje» até tinha inscrito o Walter na Liga dos Campeões. Jorge Jesus diz que «se fosse hoje» não tinha mudado de opinião e que inscreveria sempre Rodrigo no lugar de Joan Capdevila na Liga dos Campeões.
Isto não é teimosia. Isto é sentido de Estado. E é por estas e por outras que eu gosto muito do treinador do meu clube.

Vítor Pereira disse no final do jogo de ontem que empatar com o APOEL não é empatar com uma equipa qualquer. E não é, não senhor. Empatar com o Apoel em casa é isso mesmo: empatar com o APOEL em casa, um resultado que até se pode considerar positivo se retivermos na memória o último lance da partida com Helton em grande atitude a roubar a vitória aos cipriotas.
O grande protagonista do jogo foi, no entanto, o árbitro que era estrangeiro. Deu 8 cartões amarelos a jogadores do FC Porto.
Um árbitro teimoso, está visto. Mas que herói!

A equipa goesa de futebol dos Churchill Brothers venceu a 124.ª edição da Taça da Índia. A final foi disputada no Ambedkar Stadium, em Nova Deli, e o adversário vencido foi o Prayag United. Depois de 120 minutos sem golos, os Churchill Brothers triunfaram no desempate por grandes penalidades.
Parabéns ao nosso professor Neca, treinador dos Churchill Brothers!

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