outubro 21, 2011

O Voo da Águia_ Marta Rebelo


Os putos

Aproveitando uma jornada fácil, Jorge Jesus deu muitos minutos de pontapé na bola aos nossos miúdos: Miguel Vítor, David Simão, mas especialmente os “selecionáveis” Rodrigo e (o meu favorito) Nélson Oliveira. Já Carlos do Carmo cantava: “Uma bola de pano, num charco/ um sorriso traquina, um chuto/ o céu no olhar, dum puto.” O míster seguiu a batuta do fadista e alguns cantaram à desgarrada, outros desafinaram…

Miguel Vítor jogou fora da sua posição – a defesa-central, onde Jesus não abdica da muralha Garay/Senhor Capitão nem quando se adivinham facilidades – e fez um bom corredor direito. Aliás, na primeira metade da partida só deu direita e centro, com o Chuta-Chuta a puxar para as diagonais, David Simão a aparecer descaído à direita e Matic mais lá atrás, e Nélson Oliveira lá à frente. À esquerda Capdevila sobe pouco, Nolito também gosta do miolo e desdenhou da “côdea” da sua ala, e Rodrigo mais apagado. Gostava de ver Vítor a central. Boa prestação. David Simão fez algumas boas jogadas. A primeira logo cedo, a servir Nélson Oliveira. O ex-Paços mostrou que se faz.

Mas para mim – desculpem-me os outros – os putos são o Nélson Oliveira e o Rodrigo. O português vem de uma lesão e teve o nervoso miudinho todo à flor da pele. O puto é raçudo, faz receções como ninguém, recua, vai buscar o serviço ao meio-campo, corre como uma gazela e o pé gosta é de baliza. Mas nada disto vi o Nélson fazer frente ao Portimonense. Desafinou na nota. Foram os nervos. JJ passou-lhe informação que a nervoseira não o deixou processar. Mas era uma oportunidade de ouro e Nélson Oliveira foi de bronze.

Já o Rodrigo foi de platina. A segunda parte foi dele e de Bruno César. Tem pernas, uma panorâmica de jogo muito interessante, mas gosto mais dele a 2.º ponta-de-lança. No dia em que o Rodrigo e o Nélson “aprenderem a ser homens”, vão mesmo parecer “bandos de pardais à solta”, estes putos. Ah fadistas!

In Record

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