janeiro 03, 2011

Bloco de notas _ Nuno Farinha


As figuras de 2010

Eleger a principal figura do futebol português em 2010 não é das tarefas mais fáceis. Alargando a ideia a treinadores e jogadores que estão no estrangeiro, aí seria inevitável considerar José Mourinho e Cristiano Ronaldo como imediatos vencedores – mesmo que um tenha ganho tudo e outro não tenha ganho nada. A dificuldade está em escolher o melhor do ano entre os que estão em Portugal. Jorge Jesus – porque foi campeão nacional, venceu a Taça da Liga e pôs, durante muitos meses, o Benfica a jogar como os anjos – deveria ser a escolha óbvia. O problema é que esse Benfica evaporou-se com as férias de verão e a estrela de JJ rapidamente deixou de brilhar. Quem poderia, então, rivalizar com o treinador do Benfica na corrida ao melhor treinador do ano? Só André Villas-Boas, que também cumpriu um 2010 praticamente perfeito, repartido entre o trabalho meritório que realizou na Académica de Coimbra e este arranque supersónico no FC Porto. Em comparação com Jesus, apenas perde na contabilidade dos títulos, mesmo que AVB já tenha, com um ano de carreira, uma Supertaça para apresentar.
Escolher quem, então? Jesus? Que começou 2010 em grande, mas que termina de forma sofrível? Ou André Villas-Boas? Que começou e acaba melhor? Tal como nas resoluções tantas vezes polémicas para a eleição dos melhores do Mundo, é preciso definir o critério. O treinador do Benfica merece porque ganhou o título mais importante do futebol português e o treinador do FC Porto merece igualmente porque em início de carreira já conquistou o crédito que alguns demoram uma década a conseguir. Ou seja, como primamos pela diferença, em Portugal não há uma figura do ano. Há duas.

Há ainda dois treinadores que merecem ser destacados pelo trabalho realizado nos últimos 12 meses. Um deles é óbvio: Domingos Paciência. Fica para a história por ter conseguido para o Braga a melhor classificação de sempre, mas não só por isso. Foi capaz de dar uma nova dimensão ao (bom) trabalho que outros treinadores ali haviam iniciado (Jesualdo Ferreira e Jesus, em especial) e lutou pelo título até à última jornada. Mais: levou os “guerreiros do Minho” à fase de grupos da Liga dos Campeões e também aí discutiu a passagem aos oitavos-de-final até ao último minuto. Brilhante! O outro técnico que se distinguiu em 2010, ainda que num plano diferente, dá pelo nome de Leonardo Jardim. Fez regressar o Beira-Mar ao escalão principal do futebol português e chega a dezembro com a permanência praticamente garantida. Por este andar não há-de ficar muito mais tempo em Aveiro. Deixará um património valioso: qualidade e princípios de jogo que não se veem, inclusive, em equipas portuguesas com maiores responsabilidades.

No “prémio” para jogadores seria quase irresponsável não eleger Hulk como a figura maior do ano, não esquecendo o que fizeram, até maio, Fábio Coentrão e Di María. João Moutinho, Falcão e Cardozo completam o grupo dos melhores. Revelação? André Santos, sem pestanejar. Será justo ver a lista sem qualquer jogador do Braga? Nem por isso. A força da equipa emanou sempre da capacidade coletiva. Era aí que estava, e ainda está, o segredo da superação bracarense. Para o ano há mais.

In Record

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