janeiro 24, 2011

Bloco de notas _ Nuno Farinha


Sim, senhores presidentes

1. O longo período de silêncio a que Pinto da Costa foi forçado, em cumprimento do regulamento disciplinar, ter-lhe-á sido fatal. Já se desconfiava há algum tempo que o presidente do FC Porto perdera a capacidade de surpreender, especialmente no que diz respeito a uma qualidade que tantos lhes apreciaram durante anos, ou até décadas: a ironia. Este início de 2011 confirma que PC perdeu a forma e, se calhar, o jeito para fazer graçolas. Dois exemplos: a deselegância que mostrou para com o Pinhalnovense no final do FC Porto-Marítimo e, mais desastroso ainda, a recente referência ao árbitro Elmano Santos. No primeiro caso, PC falava aos jornalistas e discorria sobre a vitória por 4-1 frente aos madeirenses. O objetivo era, ou devia ser, lembrar que a equipa continuava bem e que tinha feito uma excelente exibição, reagindo assim da melhor forma à inesperada derrota com o Nacional. Mas como Jorge Jesus havia dito, na véspera, que a pressão iria aumentar para os dragões, a ironia do presidente ficou assim: “Estamos muito desestabilizados… Aliás, não se notou hoje? É uma pressão negativa. Estávamos todos a tremer, cheios de medo e nem sequer fizemos golos bonitos. Aliás, nem sei o que vai acontecer com o Pinhalnovense, porque a equipa está muito nervosa.” Infeliz e desrespeitoso. Não havia necessidade. Pior foi esta semana quando Pinto da Costa, para rejeitar o alegado interesse em Salvio, afirmou: “Não estou interessado nesse jogador. Para quê? Se calhar do Benfica o único que nos interessava era o Elmano Santos.” Ora, por razões processuais, essa era precisamente a piada que PC não devia ter feito.

2. Antes de resolver o dossiê mais importante de todos – direitos televisivos – Luís Filipe Vieira tem outra prioridade: David Luiz. O negócio do central é tentador, mas tem um risco grande: não existindo no plantel do Benfica uma alternativa de valor sequer aproximado, Jorge Jesus sentirá inevitavelmente a perda de um dos pilares em que assentou o crescimento das águias nas duas últimas épocas. Que terá de sair, agora ou mais tarde, é uma evidência. Sair antes de ser encontrado o sucessor, isso é que não. O Benfica pode jogar com um “Luisão” e um “David Luiz”. Não pode é jogar com dois “Luisões”. E Jardel é um “Luisão”.

3. A possível candidatura de Rogério Alves à liderança do Sporting deve ser acompanhada com atenção. Trata-se de alguém que não vive de negócios ou esquemas, que nunca esteve envolvido em casos duvidosos e que atingiu prestígio na sociedade civil. No Sporting, mesmo sem nunca ter desempenhado quaisquer cargos executivos, já foi decisivo em momentos difíceis, quando ajudou a congregar, unir e a fazer pontes entre as diversas fações que entre si guerreiam e fragilizam o clube. Só por isto já devia ser considerado um “presidenciável” de peso. Mas mais ainda porque, até ver, nenhum outro esboço de candidatura possui a credibilidade que Rogério Alves tem junto da bancada do Sporting. A questão que falta saber é se ele entendeu que está na hora de se chegar à frente e de assumir na prática aquilo que apenas tem feito do lado de fora..


In Record

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