janeiro 11, 2011

Crónica de João Malheiro


Mais simpatia e respeito

Quantos somos? Dez milhões. Dez milhões apenas. Em que área mais nos notabilizamos? No futebol. Alguém duvida? No jogo das multidões, na modalidade desportiva mais apreciada em todo o Planeta, mais mediática, mais sedutora.

No espaço de meio século, Portugal garantiu três dos melhores jogadores do Mundo, eleitos por especialistas. Foram Eusébio, Luís Figo e Cristiano Ronaldo. Já este século, consabidamente, o português José Mourinho é o melhor treinador da actualidade. Há dias, o também português Jorge Mendes foi considerado o melhor agente internacional de jogadores.

Ainda temos o mais jovem campeão europeu da história, António Simões, o genial antigo extremo do Benfica. Ainda temos o avançado com melhor média oficial de golos a nível mundial, o fenomenal Fernando Peyroteo do Sporting. Mais um Benfica campeão da Europa, mais um FC Porto campeão da Europa e da Taça Intercontinental, mais um Sporting vencedor da antiga Taça das Taças. Mais títulos mundiais e europeus no futebol juvenil.

Quantos somos? Dez milhões. Dez milhões apenas. E deu para tudo isto? E dá para tudo isto? Muitos continuam a apoucar o nosso futebol. Temos uma Selecção com presença quase cativa nas últimas fases finais dos maiores certames, até com alguns resultados de ponta. Quantos somos? Dez milhões. Dez milhões apenas. Os nossos clubes têm transferido jogadores por verbas alucinantes, têm sido viveiros de atletas que se incluem nos melhores executantes das mais valorizadas competições em diferentes paragens.

Quantos somos? Dez milhões. Dez milhões apenas. Talvez não haja milhões de razões, mas haverá seguramente muitas, mesmo muitas razões, para que se conceda ao futebol português um aceno de simpatia. De simpatia e de respeito.

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