setembro 12, 2011

Email Aberto _ Domingos Amaral


Delírios

From: Domingos Amaral
To: Duarte Gomes

Caro Duarte Gomes
Por cá, num jogo de futebol, a realidade nunca é o que aconteceu, mas o que “devia ter acontecido”. O resultado de um jogo não é aquele que o placar mostra no final, mas sim aquele que “devia ter sido”, caso o árbitro não tivesse “influência” no resultado. Assim, os entendidos vieram logo dizer que o Benfica-V. Guimarães de ontem não devia ter acabado com 2-1, mas sim com 1-1, pois o terceiro penálti marcado por ti, “não foi penálti”. Os adversários do Benfica dirão mesmo que temos 2 pontos a mais do que devíamos ter, etc, etc.

Trata-se, é bom de ver, de realidade virtual. As pessoas consideram que, se um jogo acabou 2-1 mas um dos golos foi “irregular”, então o resultado final seria 1-1. Óbvio? Não, nada disso. Nada nos garante que o jogo teria decorrido da mesma forma a partir daquele minuto, caso o terceiro penálti não fosse marcado. Nada nos garante que o Benfica não tinha marcado mais golos, como nada nos garante que o Vitória de Guimarães teria marcado um golo ou mais. Se por acaso não tens marcado (e bem) o terceiro penálti, a única coisa que podemos honestamente dizer é que continuava 1-0, seria canto e as coisas seriam diferentes. O que se passava a seguir só Deus sabe.

No entanto, não é isso que fazemos em Portugal. Transforma-se um golo num “não golo”, e o resultado fixa-se em 1-1, como se a realidade a partir desse “não golo” fosse igualzinha à que aconteceu. É divertido, embora muito desonesto. Um golo muda um jogo para sempre, e um “não golo” também. Ninguém sabe o que teria acontecido caso não tivesses marcado penálti, mas a verdade é que os portugueses adoram delirar.

 In Record

1 comentário:

karlos disse...

O golo do vitória de Guimarães foi precedido de falta o jogador vitoriano ajeita a bola com a mão e não vejo as putas virgens ofendidas a zurrar ai...