setembro 17, 2011

Contra a Corrente _ Leonor Pinhão



Provavelmente ainda lhe doía

SÁBADO, 10 DE SETEMBRO

Hoje, sábado, lá fui mais uma vez fazer aquilo que o Vítor Pereira ainda não fez este ano, isto é, ver o Benfica jogar. Não jogou por aí além, diga-se, mas ganhou com justiça a um Vitoria de Guimarães renascido, que se bateu bem, e que só deixou de se meter a defender penalties quando os seus jogadores deixarem de jogar a bola com a mão, o que tem lógica.

É muito provável que Vítor Pereira tenha visto hoje, finalmente, um jogo do Benfica porque não vai poder apresentar-se na sua próxima de conferência de imprensa sem se referir aos penalties da Luz. Ou então, vai despedido, ate porque ainda está no período experimental.

O árbitro Duarte Gomes não foi comprado pelo Benfica, é bom que fique claro. A sua actuação faz parte de um plano bem mais sinistro. O árbitro Duarte Gomes foi comprado pelos tipos da Troika em prol da alienação geral. Isto para que seja desviada para o caso dos penalties do Duarte Gomes a atenção dos comentadores e colunistas do país. E, assim sendo, ninguém vai falar de cátedra sobre as medidas a que nos sujeitam as tais pessoas da Troika.

Eu própria vou falar dos penalties do Duarte Gomes, é este o triunfo da troika! Ressalvando que, na minha opinião, ficou uma grande penalidade por marcar a favor do Benfica quando o resultado estava ainda empatado a zero (uma mão, sempre as mãos...), o primeiro penalty pareceu-me indiscutível, o segundo também e o terceiro, francamente, visto e revisto, não parece nada que justifique o castigo.

Na segunda grande penalidade, cometida por El Adoua que desvia com o braço uma bola que ia para a baliza, melhor teria feito o jogador do Vitória de Guimarães em dar o corpo à bola com os bracinhos postos atrás das costas, como fazem os jogadores mais sábios e experientes. Mas não foi o que fez El Adoua.

Na transmissão da Sport TV há uma imagem muito curiosa de El Adoua zangado, depois de Duarte Gomes apitar para o terceiro penalty da Troika e a olhar para o braço direito que, provavelmente, ainda lhe doía...

DOMINGO, 11 DE SETEMBRO

Alguns jogadores que, por um motivo ou por outro, não couberam biologicamente neste Benfica de 2011/2012 estiverem hoje em bom plano nos clubes adoptivos ou de substituição. Nuno Gomes marcou dois golos pelo Braga, Roberto defendeu uma grande penalidade que valeu 1 ponto ao seu Saragoça e Schaffer, com um pontapé incrível, fez o golo que deu a vitória ao União de Leiria em Aveiro.

Ontem quase que tivemos oportunidade de ver Melgarejo uns minutinhos em acção pelo Paços de Ferreira contra o Sporting mas, quando ia entrar no jogo, o arbitro expulsou um colega e Melgarejo teve de voltar para o banco. Foi pena. Sabe-se lá o que iria Melgarejo fazer com o resultado em 2-0 para a sua equipa e com onze contra onze em campo...

De qualquer modo estes sucessos dos jogadores do Benfica, ou que foram do Benfica, como é o caso de Nuno Gomes, só podem causar alegria entre os benfiquistas porque têm a virtude de nos provar a sua valia e, mais importante ainda, têm a virtude de nos provar que o actual quadro de jogadores do Benfica é suficientemente sólido e valioso para não sofrer com estas ausências.

E que bom para nós todos o Benfica não ter cedido Capdevilla a nenhum outro clube. Assim sendo, está lá na Luz à espera do seu momento e poupa-nos, pela ausência, a hipotéticas irritações.

SEGUNDA-FEIRA, 12 DE SETEMBRO

A sensacional reviravolta que a equipa do Sporting operou em Paços de Ferreira teve artes de operar uma ainda mais sensacional reviravolta no discurso dos responsáveis do clube. É esta a magia do futebol.

Se na quinta-feira da semana passada, Godinho Lopes, o presidente, garantiu consternado que «o Sporting não tem dinheiro para mandar cantar um cego», na segunda-feira desta semana, depois da epopeia de Paços de Ferreira, Luís Duque, o director do futebol, dava como oficialmente encerrada a época da crise e, virando-se para aquilo que já é passado, recordava o tempo, algo distante, em que «o Sporting era cómodo para muita gente, era um Sportinguezinho que era considerado por poucos como um grande».

E difícil seria Luís Duque não se estar a referir precisamente aquele Sportinguezinho que a um quarto de hora do fim do jogo em Paços de Ferreira perdia muito merecidamente por 2-0 com a equipa da Capital do Móvel.

Também no Sporting e no que diz respeito aos árbitros, registou-se uma outra reviravolta pois passaram todos a ser gente séria, como por milagre. Luís Duque foi hoje ouvido na Liga de Clubes na sequência dos protestos sportinguistas que ocorreram, com grande espectacularidade, nas primeiras jornadas do campeonato e demarcou-se frontalmente de semelhantes lamentos e acusações: «Há três equipas em campo e todas erram, não acredito que haja qualquer intenção persecutória dos árbitros em relação ao Sporting», disse.

Admire-se, portanto, o que só um golo do Van Wolfswinkel consegue fazer!

Como sabemos, o futebol português joga-se ao sábado e ao domingo e desata-se em conversa de segunda a sexta-feira. Esta segunda-feira, está visto, está a ser muito rica em faladura. Manuel Machado veio à liça dizer que Rui Vitória não é pessoa de bem nem das suas relações pessoais porque «quem cozinha estas porcarias não pode conviver comigo». Comigo, isto é, com ele, com deverão ter entendido logo à primeira.

Depreende-se do discurso de Manuel Machado, aliás bastante claro e chão, sem recurso aparente ao Dicionário de Sinónimos, que Rui Vitória já teria acertado tudo com o Vitória de Guimarães antes de Machado ter recolhido a respectiva guia de marcha.

Coisas destas devem ser o pão-nosso de cada dia no futebol português... Coisas quase tão correntes como este hábito que Manuel Machado tem de, quando está aborrecido, tornar-se extraordinariamente desagradável com os profissionais do mesmo ofício que o seu. No ano passado, por exemplo, chamou duas vezes imbecil a Jorge Jesus que de imbecil não tem nada.

Que volte, no entanto, depressa Manuel Machado a treinar na Liga para termos o espanto de o ouvir falar erudito na análise dos prédios e dos três pontos em contenda e de o ouvir falar vulgar na análise do carácter dos colegas.

TERÇA-FEIRA, 13 DE SETEMBRO

O começo a sério da Liga dos Campeões é um dia de festa para quem gosta de futebol. Temos entretenimento de alto nível garantido até Maio que é quando se joga a final. Hoje foi a primeira noite da fase de grupos e o resultado sensacional aconteceu em Camp Nou com o Barcelona a não conseguir melhor do que empatar o jogo com AC Milan.

O Barcelona está, portanto, em crise porque já se tinha deixado empatar no último jogo da Liga espanhola. Ora uma crise de resultados a afectar a melhor equipa do mundo é coisa que não se tem todos os dias e faz-nos sentir a todos, aos mais pequeninos, capazes de bater o pé a quem quer que seja.

Por sua vez, o Chelsea entrou em ganhar com um golo de David Luiz, o que muito nos honra. O FC Porto ganhou por 2-1 ao Shakhtar Donestsk e Mircea Lucescu, o romeno que treina os ucranianos, diz que foi gamado pelo árbitro, o que também muito nos honra.

QUARTA-FEIRA, 14 DE SETEMBRO

O Benfica jogou com inteligência com o Manchester e até podia ter ganho o jogo. Foi uma pena Sir Alex ter mudado de guarda-redes porque com De Gea, que anda azarado, talvez aqueles magníficos pontapés de Gaitán tivessem tido sucesso.

Foi um arranque positivo na fase de grupos porque pontuar é sempre bom e pontuar com o Manchester United pode até ser um alento precioso para o que há-de vir, dentro e fora de portas, que não é fácil de maneira nenhuma.

Ao meu lado dizem que Witsel esteve tímido no jogo. Discordo. Witsel correu mais de 12 quilómetros e, por isso mesmo, não teve tempo para outras habilidades mais vistosas para o público.

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