setembro 22, 2011

Futebol á Portuguesa _ José António Saraiva



Golito

Nunca pensei fazer um texto sobre Nolito. Tem nome de palhaço e de início pareceu-me muito trapalhão. Enfiava os olhos no chão, não olhava para ninguém, enredava-se no meio de dois ou três adversários e perdia a bola. O problema é que, hoje, continua a meter-se no meio dos adversários – mas às vezes não perde a bola, passa por três ou por quatro, insiste, remata e marca!

Nolito foi a grande figura do Benfica nos últimos jogos, por boas e más razões. No jogo contra o Manchester teve a vitória nos pés nos instantes finais, após uma das suas jogadas trapalhonas em que desorientou toda a defesa – e depois não fez o que parecia mais fácil, a dois ou três metros da baliza. Foi um falhanço que fez chorar a Luz.

No último domingo foi outra vez a figura do jogo – mas pelas razões opostas: marcou dois golos, um deles após um slalom “impossível” no meio de três adversários.

É certo que Nolito não tem o remate de Cardozo, nem a clarividência de Aimar, nem a técnica de Gaitán – mas tem uma característica que falta em alto grau à equipa do Benfica: tem a noção de que os jogos se ganham marcando golos. Numa equipa que gosta muito de passes e notas artísticas, Nolito tem sempre a baliza nos olhos.

Nos antípodas deste espanhol concretizador está Saviola. Enquanto Nolito inventa golos impossíveis, Saviola falha golos incríveis, erra passes sucessivos, perde todas as disputas no “um contra um”. Compreendo que Jesus o defenda. É um coelho atómico. Mas neste momento talvez seja melhor para ele não jogar do que falhar lances em série.

 In Record

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