setembro 29, 2011

Futebol á Portuguesa _ José António Saraiva


Os comediantes

Escrevi há oito dias que Nolito tem nome de palhaço. Ora Fucile, sem desprimor, tem ar de palhacinho. E foi ele, de facto, o protagonista da cena mais cómica do “clássico”.

Cardozo corria com a bola pela esquerda quando Fucile entrou a varrer, como se fosse uma automotora, levando tudo atrás. Ele e Cardozo embrulharam-se no chão, Fucile agarrou-se à cara, como se tivesse levado um soco – e o árbitro acabou por mostrar amarelo aos dois.

No fim do jogo, o treinador do FC Porto garantiu que Fucile fora agredido e alguns comentadores afetos aos portistas juraram a pés juntos que Cardozo lhe batera na cara. Para todos, o amarelo a Fucile fora injusto e Cardozo deveria ter sido expulso. E sendo assim, o primeiro golo do Benfica, marcado por Cardozo, não teria acontecido.

Eu não vira nenhuma agressão, mas confiei no que ouvia: se Vítor Pereira e os comentadores eram tão afirmativos, com certeza tinham visto mais do que eu.

Sucede que, depois de tudo terminado, Fucile veio dizer que Cardozo lhe deu um pontapé... numa nádega! De uma penada, Fucile desmontava o teatro que tinha feito em campo ao agarrar-se à cara (que não fica propriamente perto da nádega) e desmentia os comentadores do seu clube e o seu próprio treinador.

Este episódio não foi um fait-divers. Ele põe em causa a seriedade dos jogadores, a seriedade dos comentadores e a seriedade dos treinadores. Como se admite que um jogador finja ter sido agredido para prejudicar maldosamente um adversário? Como se admite que um treinador e comentadores garantam uma coisa que não viram, pois não existiu?

A bem do futebol, é preciso desmascarar estes comediantes.

In Record 

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